19/12/2005
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09h22
Enviado especial da Folha a Porto Alegre
O governador do Rio Grande do Sul, Germano Rigotto, se licenciará do cargo na segunda quinzena de janeiro para percorrer o país em busca dos votos dos cerca de 24 mil convencionais que deverão escolher em março o candidato do PMDB à Presidência.
Em entrevista à Folha em seu gabinete no Palácio Piratini, na quinta-feira passada, Rigotto confirmou a intenção de disputar a eleição presidencial e disse que vai concorrer na prévia de 5 de março. Até agora, só o ex-governador Anthony Garotinho se inscreveu.
Embora o partido tenha decidido em convenção disputar com candidato próprio no ano que vem, a prévia está ameaçada. Nos últimos dias, cresce na cúpula do PMDB o desejo de adiar a eleição interna, o que inviabilizaria a participação de Rigotto e dos demais governadores cotados, como Roberto Requião (PR).
"A prévia está ameaçada por algumas lideranças do PMDB que continuam preocupadas com seus espaços e cargos", disse.
Folha - O sr. vai disputar a eleição presidencial?
Germano Rigotto - Meu nome aparece como alternativa. Da eleição, só gostaria de falar em 2006. Sou governador, tenho que cuidar do Estado. Não nego que poderei estar nas prévias. Essa possibilidade é concreta. Deverei participar delas.
Folha - Por que o sr. considera as prévias ameaçadas?
Rigotto - O PMDB não deve ter nenhuma dúvida de que deve ter candidato próprio. Será a recuperação da imagem do PMDB, que perdeu sua identidade, adquiriu os rótulos do fisiologismo e do clientelismo. Eles [os dirigentes contrários à eleição interna] estão cometendo um erro terrível.
Folha - O PMDB tem chances?
Rigotto - A presença do PMDB na eleição vai qualificar o processo eleitoral. É uma terceira via viável. O PMDB pode ser a surpresa da eleição, formando uma coalizão de centro-esquerda. O quadro eleitoral ainda vai se alterar. Há quatro meses o presidente Lula era imbatível. Hoje não se tem certeza nem se será candidato.
Folha - O sr. tem dito que o momento é de unir o PMDB em torno da elaboração de um programa de governo, não de lançar candidatura. Mas Garotinho há três meses percorre o país.
Rigotto - Comecei no MDB, fui líder estudantil, vereador, líder do MDB na Câmara de Caxias do Sul, deputado estadual, líder do governo na Assembléia, líder do PMDB na Câmara Federal. Tenho uma história dentro do partido.
Folha - Isso o ajudará?
Rigotto - Tenho condições de crescer por não ter rejeição. Essa eleição não é para aventureiros. Alguém que tenha passado, que não tenha a cara marcada, poderá ter um enorme crescimento.
Folha - O sr. já tem um projeto de governo caso eleito presidente?
Rigotto - Estamos construindo um projeto do PMDB, em cima da base planejada pelo grupo do economista Carlos Lessa. O conservadorismo faz com que o país cresça menos do que deveria, embora haja todo um cenário externo favorável. A valorização excessiva do real é uma bomba de efeito retardado. Esses pontos terão de ser enfrentados com responsabilidade e alternativas novas.
Especial
Leia o que já foi publicado sobre as eleições 2006
Pré-candidato, Rigotto critica "aventureiros"
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SERGIO TORRESEnviado especial da Folha a Porto Alegre
O governador do Rio Grande do Sul, Germano Rigotto, se licenciará do cargo na segunda quinzena de janeiro para percorrer o país em busca dos votos dos cerca de 24 mil convencionais que deverão escolher em março o candidato do PMDB à Presidência.
Em entrevista à Folha em seu gabinete no Palácio Piratini, na quinta-feira passada, Rigotto confirmou a intenção de disputar a eleição presidencial e disse que vai concorrer na prévia de 5 de março. Até agora, só o ex-governador Anthony Garotinho se inscreveu.
Embora o partido tenha decidido em convenção disputar com candidato próprio no ano que vem, a prévia está ameaçada. Nos últimos dias, cresce na cúpula do PMDB o desejo de adiar a eleição interna, o que inviabilizaria a participação de Rigotto e dos demais governadores cotados, como Roberto Requião (PR).
"A prévia está ameaçada por algumas lideranças do PMDB que continuam preocupadas com seus espaços e cargos", disse.
Folha - O sr. vai disputar a eleição presidencial?
Germano Rigotto - Meu nome aparece como alternativa. Da eleição, só gostaria de falar em 2006. Sou governador, tenho que cuidar do Estado. Não nego que poderei estar nas prévias. Essa possibilidade é concreta. Deverei participar delas.
Folha - Por que o sr. considera as prévias ameaçadas?
Rigotto - O PMDB não deve ter nenhuma dúvida de que deve ter candidato próprio. Será a recuperação da imagem do PMDB, que perdeu sua identidade, adquiriu os rótulos do fisiologismo e do clientelismo. Eles [os dirigentes contrários à eleição interna] estão cometendo um erro terrível.
Folha - O PMDB tem chances?
Rigotto - A presença do PMDB na eleição vai qualificar o processo eleitoral. É uma terceira via viável. O PMDB pode ser a surpresa da eleição, formando uma coalizão de centro-esquerda. O quadro eleitoral ainda vai se alterar. Há quatro meses o presidente Lula era imbatível. Hoje não se tem certeza nem se será candidato.
Folha - O sr. tem dito que o momento é de unir o PMDB em torno da elaboração de um programa de governo, não de lançar candidatura. Mas Garotinho há três meses percorre o país.
Rigotto - Comecei no MDB, fui líder estudantil, vereador, líder do MDB na Câmara de Caxias do Sul, deputado estadual, líder do governo na Assembléia, líder do PMDB na Câmara Federal. Tenho uma história dentro do partido.
Folha - Isso o ajudará?
Rigotto - Tenho condições de crescer por não ter rejeição. Essa eleição não é para aventureiros. Alguém que tenha passado, que não tenha a cara marcada, poderá ter um enorme crescimento.
Folha - O sr. já tem um projeto de governo caso eleito presidente?
Rigotto - Estamos construindo um projeto do PMDB, em cima da base planejada pelo grupo do economista Carlos Lessa. O conservadorismo faz com que o país cresça menos do que deveria, embora haja todo um cenário externo favorável. A valorização excessiva do real é uma bomba de efeito retardado. Esses pontos terão de ser enfrentados com responsabilidade e alternativas novas.
Especial

