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Brasil
24/12/2005 - 18h03

Índio morre durante confronto em MS

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HUDSON CORRÊA
da Agência Folha, em Campo Grande

O índio guarani-caiuá Dorvalino da Rocha, 39, foi morto com um tiro no peito hoje à tarde no município de Antônio João (MS), região de fronteira com o Paraguai, durante confronto com seguranças de uma fazenda, informou a Polícia Militar.

Rocha estava entre os 700 índios que foram retirados de três fazendas, no dia 15 passado, pela Polícia Federal, numa operação desencadeada por determinação da Justiça e que reuniu 150 homens, incluindo policiais militares.

Os índios viviam nas fazendas Piquiri Santa Creuza, Ita Brasília e Morro Alto. As propriedades foram homologadas como terra indígena Nhanderu Marangatu pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em março deste ano.

O TRF (Tribunal Regional Federal) da 3ª Região, em São Paulo, suspendeu a demarcação da área de 9.000 hectares e em setembro determinou a desocupação.

A Funai (Fundação Nacional do Índio) recorreu então ao STF (Supremo Tribunal Federal). No dia 14, o presidente do STF, Nelson Jobim, manteve a decisão do Tribunal e a PF fez a desocupação.

Segundo a PM em Antônio João, Rocha foi assassinado por volta das 13h45 (horário de Brasília) com um tiro no peito, ao lado direito, que provavelmente partiu de um revólver calibre 38.

Ele estava com um grupo de 300 índios acampados em frente à fazenda Fronteira, também reivindica pelos guaranis-caiuás.

A PM informou que o proprietário da fazenda Morro Alto, Altamir Dala Corte, telefonou informando que os seguranças sofreram uma emboscada dos índios, tentaram se defender atirando para baixo, mas teriam acertado Rocha no confronto.

A reportagem não conseguiu ainda falar com Corte. Uma equipe da PF foi ao local onde os índios estão acampados.

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