Brasil
04/01/2006 - 09h20

Para Caixa, negócio foi fechado "dentro da normalidade"

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RUBENS VALENTE
da Folha de S.Paulo

A Caixa Econômica Federal afirmou ontem, por meio de sua assessoria de comunicação, que a compra da carteira de crédito consignado do banco BMG, em operações mantidas desde dezembro de 2004, "ocorreu dentro da mais absoluta normalidade".

"As informações divulgadas, de caráter sigiloso, que analisam a operação baseiam-se em premissas equivocadas que induzem a conclusões incorretas. O próprio documento reconhece 'que não houve prejuízo aos cofres da Caixa, sendo procedente a avaliação da caixa de um retorno acima da taxa Selic nas operações com o BMG'", informou a assessoria.

A Caixa contestou valor apontado no relatório. "Diferentemente do que afirma o aludido documento de cunho confidencial, o resultado da Caixa nas operações com o BMG foram da ordem de R$ 266 milhões, sendo R$ 123 milhões realizados no ano de 2005, e não os R$ 70 milhões apontados. A Caixa aguarda com tranqüilidade o exame do mérito da questão e reitera a normalidade de suas operações com o BMG."

Os R$ 70 milhões apontados pela auditoria referem-se a quatro das seis operações realizadas com o BMG.

A assessoria ainda se referiu à nota divulgada pela Febraban (Federação Brasileira dos Bancos), em novembro: "A Federação Brasileira de Bancos, tendo em vista o noticiário sobre operações de cessão de crédito envolvendo dois de seus associados, o Banco BMG a Caixa Econômica Federal, entende ser necessário esclarecer que tais operações de cessão de crédito entre instituições financeiras têm sido usada há décadas no sistema financeiro nacional".

Em outra nota, a Caixa também defendeu a legalidade da operação: "Antes do acordo do BMG com a Caixa, ocorreram acordos do BMG com o Itaú --um contrato de cessão de até R$ 2,5 bilhões em operações de desconto em folha de pagamento-- e o com a Cetelem, subsidiária do BNP Paribas, envolvendo a liberação de até R$ 6 bilhões".

O Banco BMG, de Belo Horizonte, informou ontem, por sua assessoria, que "não foi informado pelo TCU de nenhuma irregularidade" nas negociações com a Caixa. "O banco está extremamente tranqüilo sobre as operações, que tinham o aval do Banco Central. As operação são compras de crédito normais no mercado", informou a assessoria.

Segundo ela, o banco BMG desde 2000 "não sofre nenhum problema de liqüidez, o balanço do banco é extraordinário e desde aquele ano cresce por causa do crédito consignado".

Durante depoimento à CPI dos Correios, em 20 de setembro, o principal executivo do banco, Ricardo Guimarães, não foi indagado diretamente sobre a compra da carteira. Deu explicação geral sobre a situação do banco na época do contrato: "Houve, em novembro de 2004, um evento que afetou um pouco a liqüidez do mercado, principalmente de bancos médios e pequenos. Foi a intervenção no Banco Santos. A partir daí, o BMG, por causa desses 20 mil agentes, tínhamos uma 'originação' de operações muito forte. (...) Passávamos por um processo de liqüidez limitado, de baixa liqüidez, naquele momento, para os bancos médios. Então, procuramos alternativas no mercado. Uma dessas alternativas que encontramos foi fazer cessão de crédito".

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