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Brasil
11/01/2006 - 09h37

Para assessor, Lula tornou imprensa "desnecessária"

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da Folha de S.Paulo

Auxiliar que elabora crítica diária da imprensa para Luiz Inácio Lula da Silva desde 1998, Bernardo Kucinski disse em entrevista ao site "Agência Repórter Social" que "o governo Lula decepcionou" porque "não foi capaz de mudar o país como prometeu". Afirmou que o presidente "eliminou a necessidade da imprensa" e que o petista "não se submete a questionamentos" de jornalistas, com quem teria tido relação "sempre muito ruim".

Assessor especial da Secom (Secretaria de Comunicação de Governo), Kucinski afirmou que "ninguém [no governo] tem coragem para dizer a verdade para o presidente claramente" --e ele a diz "todos os dias". Atacou, por exemplo, a política econômica.

"Nós fomos ousados em alguns campos sociais, na política externa, mas absolutamente conservadores, retrógrados e até burros na política econômica", disse.

Kucinski confirmou que deu a entrevista em 4 de dezembro. Ontem, ele preferiu não fazer mais comentários.

A assessoria de Lula não se manifestou sobre a entrevista.
Jornalista e professor licenciado da USP (Universidade de São Paulo), Kucinski contou que suas críticas, antes batizadas de "Cartas Ácidas", passaram a ser chamadas de "Cartas Críticas" na campanha de 2002 porque Lula achava que não podia começar o dia "com raiva da imprensa".

Na avaliação do assessor, "a palavra de ordem [na mídia] é acusar e linchar [o governo]". Disse que os jornalistas "estão possuídos por um sentimento genuíno de indignação" por conta da crise do "mensalão". "Eles se sentem parte de uma cruzada moral."

Kucinski disse que a imprensa está "discriminando" o PT na cobertura da crise política, gerando "um fenômeno interessante, parecido com o macartismo [campanha anti-comunista do senador americano Joseph McCarthy]".

O assessor considerou que o publicitário Duda Mendonça, que fez a campanha presidencial de Lula e perdeu a conta da Secom após admitir ter recebido recursos de caixa dois, teve "presença perturbadora" ao circular no governo de "maneira informal".

O auxiliar disse que o publicitário dava palpites sobre como o governo deveria se comunicar e fazia as principais ações. "O Duda ficava dos dois lados do balcão."

Para Kucinski, o PT "errou" no trato com a mídia quando chegou ao poder. "O presidente tem de falar com a imprensa e, através dela, falar com a nação. Eu acho que faltou ao Lula e ao governo essa percepção."
Sobre o ex-ministro da Secom Luiz Gushiken, disse que "ele não era do ramo". Criticou a área de comunicação. "Você não tem um sistema que decide qual é a fala do dia, você perde oportunidades. Não há o menor planejamento."

Segundo Kucinski, a mídia teria "maltratado" Lula durante sua carreira política. "Tudo era distorcido para mostrá-lo como propenso à corrupção." Kucinski disse que os jornalistas nunca tiveram "respeito com a pessoa do Lula" e que isso teria contribuído para o petista, na Presidência, ter relação ruim com a imprensa.

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