Brasil
13/01/2006 - 21h03

Sócio de Valério depõe e confirma caixa dois tucano

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THIAGO GUIMARÃES
da Agência Folha, em Belo Horizonte

O publicitário Ramon Hollerbach Cardoso, sócio do empresário Marcos Valério de Souza, confirmou hoje, em depoimento à Polícia Federal, que a SMPB Comunicação transferiu R$ 9 milhões em recursos de caixa dois para a campanha do senador Eduardo Azeredo (PSDB) ao governo de Minas Gerais em 1998.

Segundo o advogado de Cardoso, Marcelo Leonardo, o publicitário disse que o dinheiro foi obtido por meio de empréstimos contraídos pela SMPB e DNA Propaganda no Banco Rural e repassados a pessoas indicadas pelo ex-tesoureiro da campanha tucana, Cláudio Mourão, em esquema semelhante ao que resultou na atual crise política envolvendo o governo Luiz Inácio Lula da Silva e o PT.

De acordo com o advogado, Cardoso relatou dois empréstimos: um de R$ 2 milhões tomado pela SMPB e outro de R$ 8,35 milhões obtido pela DNA --empresa em que Valério e Cardoso são sócios por meio da Graffitti Participações. O segundo empréstimo teve como garantia um contato de publicidade da agência com a Secretaria de Estado da Casa Civil e Comunicação Social.

O publicitário afirmou, segundo seu advogado, que Mourão quitou metade do primeiro empréstimo. O dinheiro do segundo empréstimo foi repassado à SMPB, que fez transferências a 79 pessoas indicadas por Mourão.

A versão de Cardoso é a mesma de Valério: os repasses à campanha de Azeredo em 1998 somaram R$ 10 milhões e eles não receberam o dinheiro de volta. Do total, R$ 1,8 milhão foram transferidos pela SMPB para os indicados por Mourão, R$ 4,5 milhões foram para o publicitário Duda Mendonça, que trabalhou na campanha, e o restante ficou com o ex-tesoureiro.

Depoimentos

Desde a última quarta-feira, oito pessoas suspeitas de envolvimento na montagem do caixa dois tucano em Minas de 1998 foram ouvidas pelos delegados Praxíteles Praxedes e Pedro Ribeiro, da PF em Brasília. O caso é investigado em inquérito que corre no STF (Supremo Tribunal Federal).

Os delegados afirmaram, por meio da assessoria da PF em Minas, que o depoimento de Cardoso foi "esclarecedor" no que se refere ao papel da SMPB na campanha tucana de 1998.

Ontem, confrontado com laudo do INC (Instituto Nacional de Criminalística) que indicou ser autêntico o documento que aponta um suposto caixa dois de R$ 91,5 milhões da campanha de Azeredo, o ex-tesoureiro Cláudio Mourão manteve a versão de que o documento é uma montagem.

Mourão afirma que o caixa dois da campanha foi de R$ 11,5 milhões. Azeredo admite a existência do financiamento ilegal, mas joga a responsabilidade para seu ex-tesoureiro.

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