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Brasil
20/01/2006 - 09h28

Depósito foi coincidência, diz defesa

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LEONARDO SOUZA
RUBENS VALENTE
da Folha de S.Paulo, em Brasília

O advogado do publicitário Duda Mendonça, Tales Castelo Branco, afirmou ontem que a transferência de R$ 4 milhões da conta pessoal de seu cliente na agência do BankBoston de Salvador, dias antes de ele prestar depoimento à CPI dos Correios, foi coincidência e que os valores devem-se a empréstimos "da vida privada" de Duda.

"A ida dele à CPI foi um mero acaso, ele não estava nem esperando que isso acontecesse. A vida dele não parou por causa disso", disse o advogado.

Castelo Branco negou que a intenção do publicitário tenha sido proteger seu patrimônio de um eventual bloqueio de bens e afirmou que o dinheiro foi devolvido na conta bancária pessoal de Duda, entre setembro e dezembro de 2005. O advogado pediu tempo para apresentar extratos que comprovem sua versão. A CPI não identificou a volta do dinheiro, mas isso não significa que ela não tenha ocorrido, já que ainda faltam ser identificados R$ 2,82 bilhões nas planilhas do BankBoston em poder da comissão.

"Se ele quisesse esconder, sacava o dinheiro e deixava em casa. Ele não ia fazer um empréstimo para o genro nem tirar dinheiro da pessoa física para emprestar para uma empresa dele. Ele não emprestou para a empresa do vizinho ou para terceiros", afirmou Castelo Branco.

Segundo o advogado, o empréstimo de R$ 500 mil para o genro de Duda, Marcelo, teve por objetivo ajudá-lo a comprar um apartamento. Afirmou ainda que a dívida foi quitada no dia 23 de dezembro de 2005. Os R$ 2,5 milhões transferidos para a empresa dos filhos do publicitário teriam voltado à conta no dia 9 de setembro.

O R$ 1 milhão referente a empréstimo para a empresa Duda Mendonça Associados teria sido quitado em três parcelas, nos dias 22 de setembro, 4 de outubro e 23 de dezembro de 2005. Somente o empréstimo de R$ 300 mil, para a empresa CEP, não teria sido pago até ontem. "O dinheiro circulou só entre a família, no que diz respeito a seu genro, entre a Nov Patrimonial, que é dos filhos. O dinheiro ficou todo ali. Então não houve receio algum de bloqueio", disse Castelo Branco.

Segundo o advogado do publicitário, as movimentações foram registradas "dentro da lei" na conta pessoal do BankBoston.

"Nenhuma movimentação dessas é suspeita. O importante é que nada, absolutamente nada, foi feito de maneira oculta, ou com interesse de esconder dinheiro ou qualquer coisa parecida", afirmou o advogado.

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