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Brasil
22/02/2006 - 15h49

Lula critica governadores e diz que repassa R$ 2 bi por ano para SP

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da Folha Online

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou os governadores de Estado, que recebem dinheiro federal e não reconhecem a ajuda. Lula mencionou explicitamente o caso do Estado de São Paulo, governado por Geraldo Alckmin, pré-candidato do PSDB à Presidência da República.

"Só de programas sociais o meu governo passa para o Estado de São Paulo R$ 2 bilhões por ano para cuidar dos pobres de São Paulo. Na maioria dos Estados, os governadores não têm programa social", disse Lula na cerimônia de anúncio do programa de interiorização da Universidade Federal do Piauí e expansão do campus de Parnaíba (PI).

Em Iperó, a 120 km de São Paulo, o governador Alckmin rebateu as críticas, ao afirmar que São Paulo contribui com "praticamente" metade da arrecadação federal. O governador também acusou o presidente de fazer obras eleitoreiras.

"As obras não podem seguir o calendário eleitoral. Agora, essa operação tapa-buracos, são obras que somente vão durar um verão. O governo ficou três anos parado e somente agora começar a trabalhar. E são obras ainda sem concorrência pública", disse Alckmin.

Segundo Lula, muitos governadores utilizam recursos federais como se fossem seus. "Tem muitos (governadores) espertos no Brasil que recebem dinheiro do governo federal e fazem propaganda na televisão como se o dinheiro fosse deles, como se a obra fosse deles, sem citar, sequer, o dinheiro do governo federal."

Numa comparação com os governos anteriores, Lula disse que sua gestão avançou mais na área social que a de seus antecessores. "O Brasil já cresceu durante muitos anos a 7% ao ano, a 10% ao ano. E o que aconteceu é que o rico ficou mais rico e o pobre continua mais pobre. Os últimos dados da PNAD demonstraram que em apenas 24 meses cerca de 3 milhões de pessoas saíram da linha da pobreza porque passaram a ter um rendimento mínimo, a tomar café de manhã, almoçar e jantar. Isso ainda é pouco. Nós precisamos fazer muito mais."

Campanha

O presidente voltou a rebater as críticas da oposição sobre suas viagens para inauguração de obras. O presidente está desde ontem no Nordeste, onde participa de uma maratona de inaugurações por sete Estados. A oposição classificou as viagens de Lula de eleitoreiras.

"Um homem público não precisa de época de eleição para fazer campanha. Ele faz campanha da hora que acorda até a hora que dorme: 365 dias por ano. Os adversários só se incomodam quando você está fazendo a coisa certa. Porque é mais fácil destruir do que construir."

Lula aproveitou o evento para mandar um recado para os adversários e avisá-los que é preciso manter o tom elevado dos debates e sem falar mal de ninguém. "Nós amargamos o pão que o diabo amassou no primeiro ano de governo e comemos o pão silenciosamente. Vocês nunca me viram falar mal de ninguém, de nenhum adversário, porque eu não fui eleito para falar mal deles, eu fui eleito para fazer aquilo que eu acreditava que era possível fazer neste país."

Para finalizar, Lula afirmou que ao fim de seu mandato ele não deixará o Brasil. "Quando eu terminar o meu mandato, eu não vou morar no estrangeiro, eu vou morar e morrer no meu país."

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