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Brasil
01/03/2006 - 13h00

CPI chega aos dados de Duda, mas pouco deve fazer

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FELIPE RECONDO
da Folha Online, em Brasília

Os integrantes da CPI dos Correios enfim terão acesso, nesta quinta-feira, aos dados sigilosos das contas do publicitário Duda Mendonça. Foram quatro meses de conversa com o governo dos Estados Unidos, uma viagem de membros da CPI para Nova Iorque, interferência do governo brasileiro nas negociações, tudo foi feito na tentativa de convencer as autoridades americanas a liberaram os dados para a CPI.

Os documentos chegaram. Estão no Ministério da Justiça, onde apenas quatro integrantes da comissão, acompanhados de dois técnicos, terão acesso. Porém, mesmo com o sucesso das negociações para analisar os dados sigilosos, pouco resultará da avaliação 15 mil pastas com documentos relativos ao caso.

"Realmente dá pra fazer muito pouco", admitiu o relator da CPI, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR). Restam somente 10 dias, pelo cronograma traçado pelo relator, para que os dados sejam coletados, copiados magneticamente, levados à comissão, lidos, analisados, decifrados e comparados com os dados colhidos no Brasil e os depoimentos prestados pelo publicitário à CPI e à Polícia Federal.

Diante das dificuldades do tempo exíguo, a comissão vai se pautar pelos jornais. "Vamos nos valer do trabalho investigativo dos jornais, do que saiu na imprensa", afirmou Serraglio.

"O principal mesmo a descobrir quais são as outras fontes [das contas], é ver quem está alimentando a Dusseldorf", acrescentou, em referência à conta de Duda usada para receber recursos das contas do empresário mineiro Marcos Valério Fernandes de Souza, dinheiro que pagaria serviços prestados ao PT durante a campanha eleitoral.

De posse desses dados, a cúpula da comissão pretende concluir o caso com um novo depoimento do publicitário. O requerimento para convocá-lo já foi aprovado e o presidente da CPI, Delcídio Amaral (PT-MS), avisou que só conclui os trabalhos de investigação depois que Duda for novamente interrogado.

De qualquer forma, avaliou o relator, caberá ao Ministério Público e à Polícia Federal, que receberão o relatório final da comissão e têm acesso aos dados sigilosos do publicitário, concluir as investigações. De acordo com investigadores da PF, o assunto pode demandar mais um ano de apuração.

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