Brasil
10/03/2006 - 20h22

RS suspende repasses para a Via Campesina após invasão da Aracruz

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LÉO GERCHMANN
da Agência Folha, em Porto Alegre

Entidades e empresas ligadas à biotecnologia e ao setor de celulose manifestaram hoje temor de que a invasão e depredação do horto florestal da Aracruz em Barra do Ribeiro (RS), ocorrida na quarta-feira, afugente investimentos no Brasil. O presidente da Abrab (Associação Brasileira das Empresas de Biotecnologia), Guilherme Emerich, diz temer o futuro dos investimentos no setor em todo o país. "O que foi feito pode gerar problemas sérios de investimentos e desenvolvimento", disse.

O presidente da Bracelpa (Associação Brasileira de Celulose e Papel), Osmar Elias Zogbi, diz representar um setor preocupado com aspectos sociais e ecológicos e reclama do ''sentimento de insegurança existente atualmente no Brasil".

"Duas ou três empresas já postergaram seus investimentos no Brasil", disse, sem citar nomes.

"Um quadro desses faz com que os investidores pensem mais de uma vez para fazer investimentos. O governo tem de agir em termos sociais, para realizar a reforma agrária, e judicialmente para coibir atos como o ocorrido na Aracel", disse ele.

Apesar de garantir que o Rio Grande de Sul continua nos planos da empresa para futuros investimentos, o diretor de operações da Aracruz, Walter Lidio Nunes, afirmou que vai adiar por dois meses o anúncio da possibilidade de ampliação dos negócios em Guaíba (RS).

Inicialmente, o comunicado estava previsto para este mês.

A empresa estima a princípio que o prejuízo foi de US$ 800 mil. Nunes, porém, diz que o levantamento pode ultrapassar os US$ 2 milhões.

A possibilidade de adiamento foi comunicado a Nunes pelo presidente da Aracruz, Carlos Aguiar, que diz serem ainda necessárias negociações para definir o investimento.

Como reação, o governo gaúcho suspendeu repasses para convênios e contratos com a Via Campesina --organizadora da invasão-- em projetos sociais.

O episódios na Aracruz pode prejudicar o Brasil na disputa com o Uruguai por investimentos florestais, diz Otávio Pontes, vice-presidente para a América Latina da Stora Enso, a gigante da celulose que planeja investir entre US$ 900 milhões e US$ 1 bilhão numa fábrica na fronteira oeste do Estado.

"No Uruguai, a gente não vê movimentos sociais como o MST", diz ele.

A VCP (Votorantim Celulose e Papel), que já tem florestas no Rio Grande do Sul e deve construir uma fábrica de celulose em 2009, com aporte de US$ 1,3 bilhão, comentou, por meio de nota: "O incidente ainda não teve seu impacto avaliado na totalidade.

A VCP estranha que as autoridades não tenham percebido um movimento dessas proporções, mas acredita na manutenção da lei e condutas democráticas do Estado do Rio Grande do Sul e confia no rigor da apuração dos fatos e ação da Justiça."

Desocupação

O MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) anunciou que os 2.000 militantes que invadiram no fim de fevereiro a fazenda Guerra, em Coqueiros do Sul (RS), devem deixar a área. A decisão é resultado de um acordo com o Incra, que disse irá disponibilizar terras para o movimento até o final de abril.

Especial
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