11/03/2006
-
09h33
da Folha de S.Paulo, em Brasília
A versão apresentada pelo comandante do Exército, general Francisco Roberto de Albuquerque, sobre o horário do check-in da TAM diverge da explicação dada à Infraero pelo funcionário que estava de plantão na torre de comando no aeroporto de Campinas (SP) na quarta-feira da semana passada.
Em entrevista à Folha, anteontem, o militar disse que um auxiliar do Exército chegou ao balcão da companhia aérea para despachar suas bagagens 55 minutos antes da partida do vôo que seguia para Brasília.
Já o funcionário da Infraero afirmou, em depoimento à empresa, que o sargento que carregou as malas do comandante e de sua mulher chegou ao balcão exatos 20 minutos antes do horário previsto para a decolagem.
"Um auxiliar meu, uma hora e 15 minutos antes, estava no aeroporto para fazer o check-in. Uma hora e 15 minutos. Agora, a fila era grande e, quando ele chegou ao balcão, o que consta é que ele chegou ao balcão 55, 56 minutos antes. E a minha bagagem foi etiquetada e depois devolvida", disse o comandante do Exército à reportagem anteontem.
Na Quarta-Feira de Cinzas, o comandante e sua mulher conseguiram entrar nesse vôo da TAM após o encerramento do embarque. Quando soube que o vôo estava lotado, o militar seguiu para o balcão do DAC (Departamento de Aviação Civil), identificou-se como comandante do Exército e informou que precisava viajar naquela aeronave por conta de um compromisso inadiável no mesmo dia em Brasília.
Em depoimento à Infraero (empresa que administra os aeroportos do país), o funcionário Daniel Rodrigues Pires Bezerra disse que determinou a interrupção do vôo (a aeronave já taxiava na pista) por conta de uma ordem da Aeronáutica, à qual o DAC é subordinado. A Comissão de Ética Pública da Presidência da República já pediu explicações ao Exército para saber se houve ou não a chamada "carteirada" do comandante no balcão do DAC. O general diz que apenas se apresentou como comandante.
De acordo com o depoimento de Bezerra, quem fez o check-in do general e de sua mulher foi o sargento de nome Santos, às 17h10, quando o vôo estava marcado para 17h30. Em meio à etiquetagem de bagagens, porém, ainda segundo Bezerra, o funcionário da TAM Alejandro Viniegra Figueiroa interrompeu o procedimento alegando que o vôo estava lotado e fechado.
A TAM, que nega o overbooking (venda de passagens acima da capacidade), e o Exército dizem que o vôo estava marcado para as 17h05. O general somente embarcou quando dois passageiros concordaram em ceder seus lugares em troca de uma compensação financeira, que foi de cerca de R$ 500 para cada pessoa.
Especial
Leia o que já foi publicado sobre o general Francisco Roberto de Albuquerque
Funcionário da Infraero contradiz general
Publicidade
EDUARDO SCOLESEda Folha de S.Paulo, em Brasília
A versão apresentada pelo comandante do Exército, general Francisco Roberto de Albuquerque, sobre o horário do check-in da TAM diverge da explicação dada à Infraero pelo funcionário que estava de plantão na torre de comando no aeroporto de Campinas (SP) na quarta-feira da semana passada.
Em entrevista à Folha, anteontem, o militar disse que um auxiliar do Exército chegou ao balcão da companhia aérea para despachar suas bagagens 55 minutos antes da partida do vôo que seguia para Brasília.
Já o funcionário da Infraero afirmou, em depoimento à empresa, que o sargento que carregou as malas do comandante e de sua mulher chegou ao balcão exatos 20 minutos antes do horário previsto para a decolagem.
"Um auxiliar meu, uma hora e 15 minutos antes, estava no aeroporto para fazer o check-in. Uma hora e 15 minutos. Agora, a fila era grande e, quando ele chegou ao balcão, o que consta é que ele chegou ao balcão 55, 56 minutos antes. E a minha bagagem foi etiquetada e depois devolvida", disse o comandante do Exército à reportagem anteontem.
Na Quarta-Feira de Cinzas, o comandante e sua mulher conseguiram entrar nesse vôo da TAM após o encerramento do embarque. Quando soube que o vôo estava lotado, o militar seguiu para o balcão do DAC (Departamento de Aviação Civil), identificou-se como comandante do Exército e informou que precisava viajar naquela aeronave por conta de um compromisso inadiável no mesmo dia em Brasília.
Em depoimento à Infraero (empresa que administra os aeroportos do país), o funcionário Daniel Rodrigues Pires Bezerra disse que determinou a interrupção do vôo (a aeronave já taxiava na pista) por conta de uma ordem da Aeronáutica, à qual o DAC é subordinado. A Comissão de Ética Pública da Presidência da República já pediu explicações ao Exército para saber se houve ou não a chamada "carteirada" do comandante no balcão do DAC. O general diz que apenas se apresentou como comandante.
De acordo com o depoimento de Bezerra, quem fez o check-in do general e de sua mulher foi o sargento de nome Santos, às 17h10, quando o vôo estava marcado para 17h30. Em meio à etiquetagem de bagagens, porém, ainda segundo Bezerra, o funcionário da TAM Alejandro Viniegra Figueiroa interrompeu o procedimento alegando que o vôo estava lotado e fechado.
A TAM, que nega o overbooking (venda de passagens acima da capacidade), e o Exército dizem que o vôo estava marcado para as 17h05. O general somente embarcou quando dois passageiros concordaram em ceder seus lugares em troca de uma compensação financeira, que foi de cerca de R$ 500 para cada pessoa.
Especial


