Brasil
16/03/2006 - 17h18

Governistas do PMDB podem derrubar pré-candidato na convenção nacional

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EPAMINONDAS NETO
da Folha Online

Os chamados "governistas" do PMDB podem tentar derrubar o candidato eleito nas eleições prévias deste domingo. O candidato à presidente da República precisa ser necessariamente homologado pela convenção nacional, marcada para junho. "Se a convenção nacional não aprovar o candidato, então o PMDB não terá candidato à presidência", afirma o deputado federal e membro da comissão apuradora das prévias, Eliseu Padilha (RS), em entrevista por telefone à Folha Online.

O PMDB tem hoje dois pré-candidatos à presidência da República, o ex-governador do Rio de Janeiro Anthony Garotinho e o governador licenciado do Rio Grande do Sul, Germano Rigotto. Há uma ala da legenda, no entanto, que defende a aliança do partido com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, virtual candidato à reeleição. Hoje, essa ala foi "batida" na reunião da Executiva nacional, em que planejavam cancelar as prévias marcadas para domingo, já que não houve quórum.

A próxima oportunidade dos "governistas" será na convenção nacional. "O Estatuto do partido diz que, se ocorrer prévias, a convenção nacional tem que homologar. E a convenção tem autonomia tanto para 'sim' quanto para 'não'", explica Padilha.

Para o candidato ser aprovado na convenção, é preciso ter maioria simples dos votos dos chamados "convencionais" do partido, garantido o quórum mínimo de 50% mais 1 dos votos possíveis (712), diz Padilha.

Hoje, os peemedebistas defensores da candidatura própria comemoraram a falta de quórum para a reunião da Executiva nacional. "A ausência dos 'lulistas' mostra que eles não tinham votos", disse o pré-candidato Anthony Garotinho.

Na convenção nacional, no entanto, o risco não pode ser desprezado. O "calcanhar-de-aquiles" da questão, como analisa o deputado Padilha, está na regra da verticalização. Se mantida pelo STF (Supremo Tribunal Federal), as coligações regionais terão que seguir a aliança feita em nível federal.

A cúpula do PMDB calcula hoje ter entre 18 a 20 candidatos "viáveis" nos Estados. Com a verticalização, para alguns desses candidatos seria mais interessante que o partido não tenha candidatura própria em nível federal. Sem candidato à presidência da República, os Estados ficaram livres para montarem as coligações regionais.

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