26/04/2006
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20h20
da Agência Folha, em Manaus
O Tribunal do Juri do Pará condenou hoje Amair Feijoli da Cunha, o Tato, a 18 anos de prisão, em regime fechado, pelo assassinato da missionária norte-americana naturalizada brasileira Dorothy Stang, 73.
A pena inicial, por homicídio duplamente qualificado, foi de 27 anos. Mas os sete jurados decidiram que Tato, acusado como o intermediário do assassinato da freira, teve como atenuante o fato de ter colaborado na apuração do crime. Por isso a pena foi reduzida em um terço.
No julgamento no Tribunal de Justiça do Pará, Tato confessou que foi contratado por R$ 50 mil pelos fazendeiros Vitalmiro Bastos de Moura (o Bida) e Regivaldo Pereira Galvão (o Taradão) para intermediar o assassinato da missionária.
A confissão derrubou a tese da acusação da existência de um suposto consórcio entre fazendeiros.
Tato respondia por homicídio duplamente qualificado, com promessa de recompensa, motivo torpe sem direito de defesa da vítima. A acusação pedia pena máxima de 30 anos de reclusão por sua participação no assassinato.
Na fase de interrogatório, ele confirmou sua intermediação no crime. Antes, ele havia dispensado sua única testemunha de defesa, sua mulher, Elizabeth Cunha.
Choro
Tato chorou ao revelar que intermediou a morte da freira com os pistoleiros Rayfran das Neves Sales (Fogoió) e Clodoaldo Carlos Batista (Eduardo), condenados, em dezembro, a 27 e 17 anos de prisão, respectivamente.
Dorothy Stang foi abordada, no dia 12 de fevereiro de 2005 por Fogoió e Eduardo, quando se dirigia a uma reunião com trabalhadores rurais do PDS (Projeto de Desenvolvimento Sustentável) Esperança, na zona rural de Anapu (PA). Foi assassinada com seis tiros.
Ainda nos interrogatórios, Tato afirmou que a munição e o revólver calibre 38, usados pelos pistoleiros no crime, foram providenciados por Bida. Disse que foi em um encontro numa empresa de Taradão, em Altamira, que a morte da freira foi acertada.
"Ele [Regivaldo Galvão, o Taradão] disse: 'Enquanto não se der um fim nessa mulher [Dorothy Stang], não teremos paz nessa terra", afirmou ao juiz Cláudio Montalvão das Neves.
Defesa dos acusados
Ao declarar a participação de Taradão no assassinato, Tato acabou com o argumento de fragilidade nos indícios de participação no crime, sustentado pela defesa dos fazendeiros. Taradão e Bida vão a julgamento neste ano.
"Já era esperado isso [a acusação contra os fazendeiros] porque ele [Tato] quis extorquir dinheiro de outra pessoas que não têm nada a ver com isso [o crime] e não conseguiu", afirmou o advogado dos fazendeiros, Américo Leal, antes de a sentença ter sido proferida.
A advogada de Tato, Dalza Afonso Barbosa, também antes da decisão, disse que ele foi pressionado e coagido pelos fazendeiros a cometer o crime. "Tato foi usado por fazendeiros poderosos", afirmou.
O julgamento foi acompanhado em Belém, por trabalhadores rurais de Anapu, organizações de direitos humanos e ambientais e familiares da missionária, que vieram dos Estados Unidos.
Especial
Leia o que já foi publicado sobre a missionária Dorothy Stang
Justiça condena preso por morte de Dorothy Stang a 18 anos de prisão
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KÁTIA BRASILda Agência Folha, em Manaus
O Tribunal do Juri do Pará condenou hoje Amair Feijoli da Cunha, o Tato, a 18 anos de prisão, em regime fechado, pelo assassinato da missionária norte-americana naturalizada brasileira Dorothy Stang, 73.
A pena inicial, por homicídio duplamente qualificado, foi de 27 anos. Mas os sete jurados decidiram que Tato, acusado como o intermediário do assassinato da freira, teve como atenuante o fato de ter colaborado na apuração do crime. Por isso a pena foi reduzida em um terço.
No julgamento no Tribunal de Justiça do Pará, Tato confessou que foi contratado por R$ 50 mil pelos fazendeiros Vitalmiro Bastos de Moura (o Bida) e Regivaldo Pereira Galvão (o Taradão) para intermediar o assassinato da missionária.
A confissão derrubou a tese da acusação da existência de um suposto consórcio entre fazendeiros.
Tato respondia por homicídio duplamente qualificado, com promessa de recompensa, motivo torpe sem direito de defesa da vítima. A acusação pedia pena máxima de 30 anos de reclusão por sua participação no assassinato.
Na fase de interrogatório, ele confirmou sua intermediação no crime. Antes, ele havia dispensado sua única testemunha de defesa, sua mulher, Elizabeth Cunha.
Choro
Tato chorou ao revelar que intermediou a morte da freira com os pistoleiros Rayfran das Neves Sales (Fogoió) e Clodoaldo Carlos Batista (Eduardo), condenados, em dezembro, a 27 e 17 anos de prisão, respectivamente.
Dorothy Stang foi abordada, no dia 12 de fevereiro de 2005 por Fogoió e Eduardo, quando se dirigia a uma reunião com trabalhadores rurais do PDS (Projeto de Desenvolvimento Sustentável) Esperança, na zona rural de Anapu (PA). Foi assassinada com seis tiros.
Ainda nos interrogatórios, Tato afirmou que a munição e o revólver calibre 38, usados pelos pistoleiros no crime, foram providenciados por Bida. Disse que foi em um encontro numa empresa de Taradão, em Altamira, que a morte da freira foi acertada.
"Ele [Regivaldo Galvão, o Taradão] disse: 'Enquanto não se der um fim nessa mulher [Dorothy Stang], não teremos paz nessa terra", afirmou ao juiz Cláudio Montalvão das Neves.
Defesa dos acusados
Ao declarar a participação de Taradão no assassinato, Tato acabou com o argumento de fragilidade nos indícios de participação no crime, sustentado pela defesa dos fazendeiros. Taradão e Bida vão a julgamento neste ano.
"Já era esperado isso [a acusação contra os fazendeiros] porque ele [Tato] quis extorquir dinheiro de outra pessoas que não têm nada a ver com isso [o crime] e não conseguiu", afirmou o advogado dos fazendeiros, Américo Leal, antes de a sentença ter sido proferida.
A advogada de Tato, Dalza Afonso Barbosa, também antes da decisão, disse que ele foi pressionado e coagido pelos fazendeiros a cometer o crime. "Tato foi usado por fazendeiros poderosos", afirmou.
O julgamento foi acompanhado em Belém, por trabalhadores rurais de Anapu, organizações de direitos humanos e ambientais e familiares da missionária, que vieram dos Estados Unidos.
Especial

