Saltar para o conteúdo principal

Publicidade

Publicidade

 
  Siga a Folha de S.Paulo no Twitter
24/06/2006 - 15h49

Leia a íntegra do discurso de Lula, candidato à reeleição

Publicidade

da Folha Online

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou neste sábado, durante convenção do PT em Brasília, sua candidatura à reeleição. Seu vice na chapa será mais uma vez José Alencar (PRB).

Leia a íntegra do discurso do presidente:

"Companheiras e companheiros,

Vocês sabem, muito bem, quanto custou a cada um de nós chegar até aqui. Quanta batalha foi preciso vencer, quanto preconceito foi preciso remover, quanta armadilha foi preciso desmontar.

Vocês sabem como foi difícil realizar aquele sonho que parecia impossível: o sonho coletivo de ter um trabalhador na Presidência do Brasil.

Juntos, conseguimos mostrar que este sonho não apenas era possível, como era justo e necessário. Juntos, mostramos ao mundo que um trabalhador tem condições de dirigir com competência um país da importância do Brasil. Que pode fazer isso governando para todos e sem trair os interesses da população mais pobre.

Hoje eu estou aqui para dizer a vocês que o sonho não acabou e a esperança não morreu.

Hoje eu estou aqui para dizer a vocês que aceitei, mais uma vez, o chamamento. O chamamento que vem de vocês, mas que vem, também, do fundo do meu coração.

O chamamento para continuar a luta de construção de um brasil mais justo e independente, onde cada brasileiro possa fazer três refeições todos os dias; possa ter emprego, educação e saúde; possa viver em um país cada vez mais moderno e humano; e possa, acima de tudo, ter esperança de um futuro cada vez melhor.

Hoje estou aqui para dizer a vocês que decidi submeter meu nome e meu governo, humildemente, ao julgamento dos meus irmãos brasileiros.

Hoje eu estou aqui para anunciar que sou, mais uma vez, candidato à Presidência da República.

E mais uma vez me acompanha, nesta jornada, o meu querido companheiro José Alencar.

Companheiros e companheiras,

Sou outra vez candidato não por ambição, mas porque o projeto de mudança do Brasil tem que continuar. Volto a ser candidato porque o Brasil, hoje, está melhor do que o Brasil que encontrei três anos e meio atrás, mas pode --e precisa-- melhorar muito mais.

Volto a ser candidato porque os pobres estão menos pobres e poderão continuar melhorando de vida, caso sejam mantidos --e aprofundados-- os programas sociais que implantamos.

Volto a ser candidato porque conseguimos recuperar uma economia que encontramos profundamente fragilizada. Porque provamos que é possível garantir, ao mesmo tempo, estabilidade, crescimento e distribuição de renda. Porque provamos que é possível ter crescimento econômico com geração de empregos e inclusão social. E porque queremos provar que é possível ampliar estas conquistas ainda mais.

Volto a ser candidato porque demos às classes mais pobres um alto índice de crescimento de renda e de poder de consumo. E porque tenho a certeza de que podemos continuar reduzindo a desigualdade social que ainda é grande no nosso país.

Volto a ser candidato porque melhoramos a educação, e vamos melhorá-la mais ainda, oferecendo ensino de qualidade em todos os níveis e fazendo com que a universidade seja cada vez mais acessível para os mais pobres.

Volto a ser candidato, porque abrimos as portas do Brasil para o século 21, lançando projetos que farão o nosso país dar o grande salto nas áreas de energia, infra-estrutura e pesquisa científica. E esses projetos precisam ter continuidade e apoio nos próximos anos.

Volto a ser candidato porque o Brasil é hoje uma nação mais respeitada internacionalmente e, se mantiver o rumo certo, poderá ampliar cada vez mais o seu papel no mundo.

Volto a ser candidato porque me sinto ainda mais maduro e preparado, pois aprendi bastante nos últimos anos, muitas vezes com sofrimento e injustiças.

Volto a ser candidato para ampliar o que está dando certo, corrigir o que houve de errado e fazer muita coisa que ainda não pôde ser feita.

Volto a ser candidato porque amo o Brasil, amo meu povo e não tenho ódio no peito. Porque tenho feito e continuarei a fazer um governo capaz de unir os brasileiros.

Companheiras e companheiros,

Meu mandato só acaba em 31 de dezembro. Mas se acabasse hoje, eu poderia dizer: não fizemos tudo que queríamos, porém fizemos muito mais do que certa gente imaginava.

Tenho certeza de que só frustrei profundamente dois tipos de pessoas: aquelas que pensavam que meu governo seria um caos --e torciam para isso-- e aquelas, que com paixão e ingenuidade, imaginavam que eu poderia resolver todos os problemas do Brasil em apenas quatro anos.

O que conseguimos?

Além de ter retirado o país da beira do abismo, recolocamos o Brasil nos trilhos, iniciando um ciclo duradouro de desenvolvimento sustentado.

No início do governo, eu disse a vocês que iria primeiro fazer o necessário; depois o possível; para enfrentar, mais tarde, o impossível.

Por causa das dificuldades agudas que enfrentamos, tivemos, às vezes, de fazer tudo isso simultaneamente. Algumas vezes erramos e sofremos derrotas. Mas, graças a Deus, o saldo tem sido muito positivo. E este saldo favorece a todos os brasileiros, sem distinção.

E qual é a base deste projeto que temos implantado, nos últimos três anos e meio?

É a integração do social e do econômico, buscando que o social seja o eixo do desenvolvimento econômico e o desenvolvimento econômico seja o eixo do progresso social.

Nosso objetivo nunca foi alcançar apenas o superávit na economia, mas, sim, uma meta mais difícil: o superávit social. A economia é transitória, muda com as circunstâncias. As conquistas sociais são definitivas.

Superávit social, para mim, é a oferta justa, a todos os brasileiros, de bens e serviços de qualidade. E de meios para que todos possam crescer e progredir.

Para que desapareça da nossa paisagem o triste desenho da fome, da miséria, do desemprego, do analfabetismo, da má assistência à saúde e da falta de segurança.

De cabeça erguida, posso olhar para vocês e dizer que obtivemos muitos avanços nesta luta, e como me sinto em condições de fazer muito mais, quero continuar à frente do governo de todos os brasileiros.

Eu me sentiria frustrado se, nesta altura do meu governo, só pudesse mostrar bons indicadores macroeconômicos, sem que eles se refletissem na melhoria da vida do cidadão comum.

Graças a Deus, o Brasil está conseguindo fazer da política econômica e da política social duas faces de uma mesma moeda. Por isso nossos indicadores sociais e os números da nossa economia são os melhores dos últimos dez anos.

Companheiros e companheiras,

Hoje, as vozes do atraso estão de volta. E como não têm uma boa obra no passado e nem propostas para o futuro, fazem da agressão e da calúnia as suas principais armas.

Pensam que o povo esqueceu o que eles fizeram com o nosso país. Pensam que o povo esqueceu o tamanho do buraco que eles cavaram, e que só não engoliu o Brasil porque o Brasil era muito maior do que o abismo que eles construíram.

Nos lares, nas praças, nas fábricas e nos campos, o povo está dizendo que não os quer de volta. Mas eles nunca escutaram a voz do povo, e, obviamente, não vão querer escutá-la agora.

Porém, por mais que nos provoquem, não usaremos os mesmos métodos, pois temos armas limpas e poderosas. Uma delas é a comparação do que eles fizeram em oito anos de governo com o que nós estamos fazendo em apenas três anos e meio.

Todos se lembram do final do governo deles, quando a economia encolhia, o emprego diminuía e a pobreza aumentava. Era o tempo da instabilidade e da vulnerabilidade econômica. Era a época da insensibilidade social e do sucateamento da infra-estrutura. Era o tempo dos grandes apagões. Era o final da sanha privatista que dilapidou o patrimônio público. Era a época da desesperança e da baixa estima.

Começamos a trabalhar sem tréguas. Não nos queixamos da realidade, nem nos deixamos paralisar pela herança recebida. Iniciamos o processo de mudança e de reconstrução do Brasil que continua ainda hoje.

O caos que anunciaram que seria meu governo não aconteceu. Cumprimos contratos, negociamos com altivez nossas pendências, zeramos nossos débitos com o FMI e voltamos a crescer com justiça social.

Os números e os fatos demonstram que seguimos o caminho certo. Vamos começar comparando alguns números da economia.

Quando assumimos o governo, o país estava à beira da falência, com uma dívida externa de 210,7 bilhões de dólares e um risco Brasil de quase 2000 pontos.

Em três anos e meio, zeramos nossa dívida com o FMI, diminuímos a dívida restante para 161 bilhões de dólares e derrubamos o risco Brasil para os patamares mais baixos desde que é medido. Hoje ele está em 260 pontos.

Enquanto, com eles, a relação da dívida externa líquida com o PIB aumentou de 17,4% para 35,9%; conosco ela diminuiu de 35,9% para apenas 9,4%.

Na época deles, nossas reservas internacionais diminuíram de 37,9 bilhões de dólares para 16,3 bilhões. A economia ficou bastante vulnerável, o que era uma ameaça à nossa soberania.

Nos nossos três anos e meio de governo, as reservas aumentaram de 16,3 bilhões para 63 bilhões de dólares. E vão continuar crescendo.

No tempo deles, o saldo comercial acumulado sofreu um déficit de 8,6 bilhões de dólares. No nosso, tivemos um superávit de 118,7 bilhões de dólares e nossas exportações cresceram 106%. Um índice de crescimento muito acima da média mundial.

Eles prometem, agora, baixar os juros da noite para o dia. Mas no governo deles, a taxa Selic chegou a alcançar um pico de 85% ao ano.

Não estou satisfeito com a taxa de juros praticada no país. Mas já conseguimos baixá-la para 15,25% e criamos condições macroeconômicas para que ela continue diminuindo de forma equilibrada e consistente.

Eles prometem, agora, reduzir os impostos. Mas nos oito anos deles, foi grande o aumento da carga tributária. Nosso aumento de arrecadação, ao contrário, se deu fundamentalmente pelo crescimento da economia e a melhoria da máquina arrecadadora. Além do mais, desoneramos produtos de consumo popular e setores produtivos estratégicos.

Tudo isso, somado, significa uma economia sólida, capaz de garantir o crescimento de forma sustentada e com força para resistir aos solavancos externos.

Acabou-se o tempo em que um leve resfriado nos mercados globalizados significava uma grave pneumonia no Brasil.

Porém, mais importante que os indicadores macroeconômicos são os benefícios concretos na vida das pessoas.

Melhoria de vida se mede, principalmente, pela capacidade de consumo da população pobre, não pelo consumo sofisticado dos mais ricos. E hoje o brasileiro, em especial o brasileiro pobre e de classe média, tem melhor capacidade de consumo.

Hoje muitos brasileiros pobres estão comendo melhor, porque ganham mais e têm alimento mais barato; podem construir ou reformar sua casa, porque baixamos os impostos e o preço do material de construção diminuiu; podem comprar sua geladeira, seu fogão e sua televisão, porque a renda melhorou e o crédito está mais acessível.

Hoje vivemos uma feliz combinação de inflação baixa, melhor poder aquisitivo das classes mais pobres e melhor acesso ao crédito.

Nos nossos três anos e meio de governo, o salário mínimo real teve o maior aumento dos últimos 12 anos. Como a inflação é baixa, a oferta de alimentos boa, e nós reduzimos os impostos dos produtos, o poder de compra do salário mínimo aumentou fortemente em relação à cesta básica.

Ao mesmo tempo, praticamos uma verdadeira revolução no crédito, abrindo suas portas para amplos setores da população que nunca tiveram acesso a ele.

Ou seja, melhorou o Brasil e a vida dos brasileiros também melhorou.

Companheiras e companheiros,

Sei que muito ainda precisa ser feito para diminuir a pobreza e a desigualdade social. Mas estamos no caminho certo. E aqui me permitam fazer uma nova comparação com o passado recente.

O valor do índice Gini, que mede a desigualdade social, foi o menor dos últimos 29 anos. Repito: o menor dos últimos 29 anos.

Conforme a Pnad, entre 2003 e 2004, a miséria teve uma redução de 8%, e 3 milhões e 200 mil pessoas saíram da linha de pobreza.

É como se um país inteiro de miseráveis tivesse levantado a cabeça e saído a caminhar em busca de um destino melhor.

Isso só ocorre porque temos, hoje, no Brasil, alguns dos maiores e mais eficientes programas de transferência de renda do mundo.

Eles formam uma grande rede de promoção e proteção social cuja cabeça é o Fome Zero; e o principal braço, o Bolsa Família.

O Fome Zero é, na verdade, um guarda-chuva de cidadania que integra ações de combate à fome, transferência de renda, acesso a alimentos mais baratos e fortalecimento da agricultura familiar.

O Bolsa Família é o programa de mais visibilidade do Fome Zero. Porém, a sociedade ainda não conhece todas as suas facetas.

Além da ajuda financeira a 11 milhões de famílias, o Bolsa Família está hoje integrado, entre outros programas, com o Brasil alfabetizado; com o Pronaf em ações na área da agricultura familiar; com o Peti, que é o programa de erradicação do trabalho infantil, e com o Sentinela, que combate a exploração sexual da criança e do adolescente.

Não estamos dando esmola. Estamos transferindo renda, garantindo o direito à alimentação e ampliando a cidadania.

Hoje, nossos programas de transferência de renda beneficiam a população de todos os Estados brasileiros. Eles melhoram a vida dos mais pobres e, ao mesmo tempo, ativam a economia de milhares de municípios, gerando renda e emprego para toda a comunidade.

Nos nossos três anos e meio de governo, transferimos para as famílias carentes um volume de recursos 36% maior, em proporção ao PIB, que nos oito anos do governo deles.

Por minha história pessoal e minha formação política sou um homem que defendo a cultura do trabalho. E sei que somente com emprego e educação uma pessoa pode, definitivamente, melhorar de vida.

É por isso que o eixo do nosso governo une o econômico, o social e o desenvolvimento tecnológico. Programas de transferência de renda convivem com políticas públicas de desenvolvimento e emprego. Equilíbrio macroeconômico é pano de fundo para o avanço social. Políticas de longo prazo interagem com ações emergenciais no cotidiano. E o apoio a grandes indústrias e ao grande setor de serviços ocorre junto com um vigoroso suporte ao pequeno e médio empreendedor.

Como exemplo do apoio ao pequeno empreendedor, quero citar o grande avanço que conseguimos na agricultura familiar.

O crédito triplicou: enquanto no último ano de governo eles investiram 2,4 bilhões de reais no Pronaf, nós investimos 7,5 bilhões na safra 2005-2006.

Demos um salto, além disso, na implantação da reforma agrária, aumentando os assentamentos, o crédito e a assistência técnica. Já assentamos 260 mil novas famílias e aumentamos o orçamento do setor em 255%.

Eu quero encerrar este capítulo, comparando os resultados na área mais delicada e de mais forte demanda no mundo, que é a área do emprego.

Nos oito anos de governo deles, a taxa de desemprego aberto aumentou 41%. Nos nossos três anos e meio, a taxa de desemprego aberto diminuiu 13,7%.

E o mais importante: enquanto eles criaram, em média, 8,3 mil empregos por mês, nós estamos criando uma média de 102 mil empregos mensais.

Por isso, já criamos mais de quatro milhões de empregos com carteira assinada, um montante superior ao que eles criaram nos seus oito longos anos de inércia.

Se somarmos as vagas abertas no mercado informal e no setor público, o número de empregos criados por nós é de 5 milhões e 600 mil.

Para não cansá-los com outros números, resumo o restante numa frase: fizemos em 42 meses mais que eles em 8 anos. Porém, mesmo que tivéssemos feito o dobro, ainda seria pouco, frente a imensa dívida social deixada por séculos de descaso com os mais pobres deste país.

Companheiros e companheiras,

Permitam-me, agora, conversar um pouco com meus convidados especiais. Com estes amigos que são a cara deste Brasil belo e sofrido. Deste Brasil que é a razão da minha existência e ao qual jurei dedicar a minha vida.

Meu caro Arnaldo Pereira: melhor do que ninguém, eu posso medir a sua alegria e de sua família quando o programa luz para todos levou energia elétrica para a propriedade de vocês, lá no Vale do Ribeira, em São Paulo.

Em boa parte da minha infância, Arnaldo, eu não tive luz em casa. Era difícil para minha mãe cozinhar e costurar com a luz de candeeiro.

É por isso que uma das minhas maiores alegrias como presidente é já ter levado energia elétrica para 3 milhões e 300 mil de pessoas, nos pontos mais remotos do país. E quero ir além: quero ser o presidente que vai apagar a última lamparina da casa mais humilde do Brasil.

Sabe por que Arnaldo? Entre outras coisas, para poder ouvir histórias como a de uma companheira nossa, lá do sertão do Ceará, que nos primeiros dias em que a energia chegou à sua casa, ficou acendendo a luz do quarto a noite inteira. O marido perguntou por que ela estava fazendo aquilo. E ela respondeu: "É porque eu nunca tinha visto a cara do meu filho dormindo de noite".

São emoções como esta, Arnaldo, que fazem valer a pena ser presidente. Elas amenizam algumas injustiças que a gente sofre e nos mostram o tamanho do equívoco daqueles que acham que os programas que favorecem os mais humildes, como o luz para todos, são investimentos desnecessários e mal feitos.

A mesma coisa, dona Maria, eles dizem do Bolsa Família, que beneficia a senhora e toda a sua família, aqui em Formosa. Eles são incapazes de ver a importância que tem este programa para as 11 milhões de famílias que hoje são beneficiadas por ele.

Vejo ali a Priscila de Jesus, do Rio de Janeiro, que está podendo cursar a universidade porque conseguiu uma das 203 mil bolsas do Prouni.

Saiba, Priscila, que o Prouni é apenas um aspecto da grande transformação que estamos fazendo na educação.

Além do aumento de verbas que fizemos nos primeiros anos de governo, enviamos ao Congresso --em junho de 2005 e espero que seja votado logo-- um projeto de lei criando o Fundeb, um fundo que, nos próximos três anos, vai aumentar em dez vezes o investimento federal nos setores mais carentes do ensino.

Estamos criando as bases para investir em todos os níveis de ensino, Priscila, porque sabemos que os pobres, os trabalhadores e a classe média, merecem ter uma pré-escola boa, um curso fundamental eficiente, um nível médio de qualidade, uma universidade moderna e uma pós-graduação de excelência.

Já criamos quatro universidades federais, transformamos seis faculdades em universidades e levamos 42 extensões universitárias para o interior do país.

E estamos fazendo uma reparação histórica: a garantia de vagas, nas universidades públicas e no Prouni, para afrodescendentes, além da concessão de bolsas universitárias para índios.

Além disso, temos vários outros programas na área da educação e da formação profissional, como o ProJovem, que assegura a conclusão do curso fundamental e o aprendizado de uma profissão. Ele já beneficiou 95 mil jovens, como você, Priscila, em todo o Brasil. E mais 112 mil acabam de se inscrever para a nova etapa.

Este esforço na educação tem que continuar, Priscila. Pois educação não é apenas instrumento de promoção social e econômica, mas, também, de cidadania. E somente através do conhecimento poderemos fazer a verdadeira revolução que o Brasil precisa.

Quero também saudar Antonio Klein, este gaúcho de fibra, batalhador do nosso campo. Em sua pessoa, quero homenagear todos heróis anônimos que colocam comida barata na mesa do brasileiro e ajudam a melhorar a vida dos seus compatriotas.

Sei da importância do trabalho de vocês, Antonio. Foi por isso que quase triplicamos o volume de recursos do Pronaf. Foi por isso que criamos o seguro agrícola para a agricultura familiar, e que fizemos a repactuação e o alongamento de dívidas do crédito rural, tirando mais de 500 mil produtores rurais da inadimplência.

Mas eu quero comentar com meu amigo Enoque Lopes, que mora em Fortaleza, e que recebeu financiamento para tocar a sua lanchonete, as profundas mudanças que estamos fazendo no crédito popular no Brasil.

Já concretizamos mais de 17 milhões de operações de microcrédito, com taxa de juros máxima de 2%, num total de R$ 3 bilhões emprestados.

Ampliamos, também, o crédito direto ao consumidor, criando formas de crédito consignado para trabalhadores da ativa e aposentados.

Para facilitar a vida das pessoas com baixos recursos, autorizamos, ainda, a abertura de 6 milhões de contas bancárias simplificadas, isentas de tarifas.

E você, Ana Cristina Rodrigues, que está concretizando seu sonho da casa própria, saiba que duplicamos os recursos federais para a habitação e aumentamos, para 397 mil, a média anual de unidades financiadas pelo governo federal. Tudo isso para que pessoas pobres, e da classe média, possam ter seu próprio teto.

E deixei você por último, Alex Oliveira, porque sua história é singela e comovente. Sua vida foi salva por causa do atendimento rápido e eficiente do Samu, aqui em Brasília. Saiba que o Samu está implantado, hoje, em 647 municípios brasileiros, beneficiando, diariamente, milhares de pessoas.

Sei que a saúde pública precisa ainda melhorar muito. Sei que muitas pessoas ainda morrem sem atendimento no nosso país. Mas temos trabalhado muito para melhorar isso.

Entre 2003 e 2005, o repasse do SUS para Estados e municípios cresceu 35%. O programa agente comunitário de saúde foi reforçado com mais de 38 mil agentes; o programa Saúde da Família aumentou o número de equipes, de municípios beneficiados e de beneficiários.

E o programa Brasil Sorridente, pelo qual tenho uma simpatia toda especial, já possui 13.408 equipes e 383 centros de especialidades odontológicas em operação, minorando o sofrimento e aumentando a auto-estima de milhões de brasileiros que agora podem sorrir melhor.

Sem falar do programa Farmácia Popular do Brasil, que já tem 149 unidades em 117 municípios, e 1719 pontos de vendas em farmácias privadas, comercializando medicamentos por preço até 90% inferior ao de mercado.

Uma oferta, meu caro Alex, que vai melhorar ainda mais agora, com o estímulo que temos dados à venda de medicamentos fracionados, o que vai baixar o custo do remédio e evitar desperdício.

Companheiras e companheiros,

Se reeleito presidente do Brasil, pretendo modificar por completo o que não funcionou. E, com muita ênfase, manter e ampliar o que deu certo.

Para nossa felicidade, os principais caminhos de um futuro governo já estão abertos, em especial na área do desenvolvimento.

Nosso governo não mudou apenas a cara da política social e da política econômica. Mudou, especialmente, o modelo de desenvolvimento do país.

A linha mestra do nosso modelo de desenvolvimento é a do crescimento sustentável, com distribuição de renda, geração de emprego e redução das desigualdades.

Este novo modelo está nos abrindo novas vertentes estratégicas, como a da nova matriz energética; e implantando vetores de futuro como a TV digital, e as indústrias de semicondutores, software, fármacos, biotecnologia e nanotecnologia.

Meu possível futuro governo conciliará, de forma contundente e irreversível, uma eficiente ação social com uma política de alto desenvolvimento tecnológico. Vai conjugar, ainda mais fortemente, uma política de redução das desigualdades sociais com uma política de redução das desigualdades regionais.

Hoje, através de medidas vigorosas, estamos queimando etapas para transformar o Brasil na maior potência energética mundial.

Nenhum país no mundo tem condições de produzir, em quantidade e qualidade, combustíveis alternativos como o Brasil. E isto não é mais um sonho distante, e sim uma realidade.

Depois da experiência pioneira, nas décadas passada, com o etanol, chegamos agora a era revolucionária do biodiesel e do Hbio, este último uma maravilhosa invenção brasileira, fruto da competência técnica da Petrobras.

Parte disso só foi possível porque nos últimos três anos e meio, a Petrobras deu um salto sem precedentes. Alcançou nossa auto-suficiência em petróleo, aumentou sua presença no exterior e seu valor de mercado saltou de R$ 60 bilhões em 2002 para R$ 204 bilhões no início de 2006.

Nosso modelo de desenvolvimento também incorpora, em todas suas ações, a defesa do meio-ambiente. Não foi por acaso que conseguimos reduzir, em 2005, 31% do índice de desmatamento na Amazônia, a maior marca dos últimos nove anos.

Não foi por acaso que criamos 19,6 milhões de hectares de áreas protegidas, quase metade de tudo que tinha sido feito, nesta área, em toda nossa história. E não foi por acaso que nos transformamos no primeiro país da américa latina a adotar um plano nacional de recursos hídricos.

Nosso modelo de desenvolvimento tem também por base uma forte política de diminuição das desigualdades regionais. E ela se traduz em projetos estruturantes como a refinaria de Pernambuco, a ferrovia Transnordestina, o pólo siderúrgico do Ceará, a BR-101 do Sul, a BR-101 do Nordeste e a BR-163 e o pólo petroquímico do Rio de Janeiro.

É para garantir a continuidade e ampliação destes e de muitos outros projetos que queremos continuar à frente do governo.

Mas se tivesse que destacar uma só área de prioridade máxima, para um próximo governo, eu citaria a educação. Se reeleito, pretendo intensificar ainda mais o esforço que estamos fazendo para revolucionar a qualidade da educação no Brasil.

O Brasil só poderá ocupar seu verdadeiro papel no mundo se formar melhor a sua juventude, se aperfeiçoar seus quadros técnicos, se criar novas gerações pensantes.

Para isso não basta que nosso jovem tenha o direito de entrar na escola, mas que tenha a felicidade de sair dela bem formado, preparado para a vida e em condições de competir no mercado de trabalho.

Prioridade na educação significa, também, cultura. Cultura erudita e popular. Apoio e incentivo às artes, à música, ao teatro, ao cinema, à dança, ao livro e a todas as manifestações culturais do nosso povo.

Já disse que estudei menos do que gostaria. Exatamente por isso, quero ser o presidente que mais fez pela educação no Brasil. Ela terá prioridade absoluta.

Companheiras e companheiros,

A síntese de nosso possível futuro governo será a distribuição de renda para que haja crescimento; o crescimento acelerado com estabilidade; e responsabilidade fiscal para manter a estabilidade.

Conseguiremos isso porque vamos ampliar, ainda mais, a sólida parceria que firmamos com amplos setores da população. Nos últimos três anos e meio, mudamos a relação do Estado com a sociedade, fazendo o governo de maior participação popular da história e de mais respeito aos movimentos sociais.

Se reeleitos, continuaremos fazendo um governo de seriedade, responsabilidade e equilíbrio. Continuaremos honrando nossos acordos e cumprindo, de forma sagrada, nossos compromissos nacionais e internacionais. Mas nosso compromisso mais especial continuará sendo com o povo brasileiro.

Dedicarei meu segundo governo, também, para resolver uma questão difícil e delicada: a qualidade do gasto público. Se não fizermos assim, a carga tributária inevitavelmente aumentará. Isso ninguém quer e não é bom para a economia.

Por isso, vamos investir mais nas reformas e enfrentar o problema do desperdício e das falhas de controle, em especial na Previdência Social.

Uma das características que pretendo manter num segundo governo é a de continuar lutando por mudanças que melhorem a vida da nação.

A reforma política, por exemplo, não poderá mais ser adiada. Ela é fundamental para aperfeiçoarmos nossa vida institucional e corrigir graves defeitos que ainda persistem.

Esta reforma, que deve ser a nossa prioridade institucional imediata, e terá por base a fidelidade partidária, é fundamental para dar suporte às demais reformas que deveremos implantar.

Muitas das crises que o Brasil tem enfrentado, ao longo destes anos, não teriam ocorrido se já houvéssemos modernizado nosso sistema eleitoral, nosso sistema partidário e algumas particularidades do nosso sistema representativo. Isso terá que ser feito, nos próximos quatro anos, sob pena de comprometermos seriamente a nossa evolução política.

A reforma agrária precisa ter continuidade, com a implantação de novos assentamentos e a garantia de infra-estrutura. Tudo feito com respeito às normas e às leis.

A reforma urbana precisa se tornar uma realidade, com ênfase na regularização fundiária e na infra-estrutura das áreas mais pobres, em especial das regiões metropolitanas.

Neste processo será também fundamental rediscutir a problemática da segurança.

A constituição federal estabelece que a segurança pública é de responsabilidade dos Estados. Não quero criar um álibi legal para afastar-me do dever de considerar este um dos mais sérios problemas do Brasil.

Quero estabelecer mecanismos solidários e de cooperação com todas as unidades federativas, para dar segurança à sociedade, que não pode ser acuada pelo medo e pelo crime organizado, com centrais de comando nas penitenciárias.

A luta contra o crime só pode ser vencida com o trabalho persistente de toda a sociedade. Ela envolve tanto uma ação de vigilância e repressão, como, em especial, uma luta contra a pobreza e as desigualdades.

Nos últimos três anos e meio, tomamos muitas medidas para melhorar a segurança pública. Ampliamos e modernizamos a Polícia Federal, com um aumento de 74% no seu orçamento e um crescimento de 33, 7% no seu efetivo.

Criamos a força nacional de segurança, que tem atuado com eficiência em graves casos de perturbação da ordem pública.

Implantamos o sistema único de segurança pública e consolidamos o banco de dados digital de informações criminais, numa parceria da Polícia Federal com as polícias estaduais.

Estamos concluindo duas penitenciárias federais e outras três ficam prontas no próximo ano, obras, aliás, que estavam previstas desde 1984 e nunca tinham saído do papel.

Promovemos a campanha do desarmamento, principal responsável pela primeira queda na taxa de homicídios desde 1992.

Estas medidas trouxeram bons resultados. Mas elas precisam ser ampliadas. Isso é também uma tarefa fundamental para um segundo mandato.

Queridas companheiras e companheiros,

Ao longo de sua história, o PT tem enfrentado muitas lutas e muitas dificuldades. Mas, sem dúvida, nunca enfrentamos uma crise como a que se abateu sobre nós no ano passado.

O importante é que não perdemos o rumo nem esquecemos nossos ideais, e o partido iniciou um processo de autocrítica que deve continuar.

A oposição aproveitou-se de algumas condutas equivocadas para generalizar culpas e tentar destruir o partido mais autenticamente popular do Brasil; o único construído, de baixo para cima, com os sonhos e a dor de milhões de brasileiros.

Nossos adversários tentaram se aproveitar de algumas situações, para passar a falsa idéia de que nosso governo compactuava com atos ilícitos.

Mas a sociedade entendeu o que se passou e sabe que se determinados fatos afloraram é porque este foi o governo que mais apurou --e puniu-- a corrupção em toda a história.

Respeitamos a independência do Ministério Público, reforçamos a Controladoria Geral da União e imprimimos uma nova dinâmica à Polícia Federal. O resultado é que nunca se apurou tanto e com tanta liberdade.

Repito aqui o que já disse antes: depois de apurar todas as responsabilidades, a Justiça deve punir quem tiver culpa comprovada. Eu serei o primeiro a apoiar e aplaudir.

Os que me atacaram injustamente, e tentaram me destruir, se esqueceram que em toda a minha história eu convivi, da forma mais democrática possível, com a divergência e a adversidade. Dentro do sindicato, eu tinha oposição das mais diversas facções e isso continuou na vida política.

Lembro de quantas divergências e disputas internas enfrentamos na campanha pela redemocratização do país. Mas havia uma grande diferença de qualidade. Ali eu tinha embates francos, e limpos, com homens como João Amazonas, Leonel Brizola, Miguel Arraes e Ulysses Guimarães.

Que falta, companheiros, homens como estes fazem ao Brasil!

Pessoas com as quais podíamos divergir, mas que sabíamos que combatiam o bom combate. Defendiam os verdadeiros interesses nacionais.

Pessoas que não queriam destruir ninguém, mas fazer prevalecer o que julgavam melhor para o país.

Os tempos que vivemos hoje são muito diferentes. E isto é muito triste.

Não quero posar de vítima ou de herói. Quero apenas poder cumprir com meu dever, honrar a confiança do povo e terminar meu governo em paz. E, se os brasileiros quiserem, continuar aprofundando o trabalho de mudança do nosso querido Brasil.

Para continuar este trabalho, queridas companheiras e queridos companheiros, precisamos nos aperfeiçoar cada vez mais.

Precisamos continuar convivendo com a divergência e nos abrindo, sempre, para os setores que querem, de verdade, construir um Brasil moderno, independente e justo.

No campo partidário, mais que nunca nossas alianças têm que estar fundadas em princípios programáticos. Sempre buscamos isso, mas agora temos que buscar ainda mais.

O Brasil precisa do PT para seguir em frente e o meu governo precisa do PT para governar.

Mas o PT sabe, melhor do que ninguém, que precisamos fazer um segundo governo melhor do que o primeiro e buscar coalizões sólidas para dar sustentação, sem indecisões, ao programa de governo.

Não tenho dúvida que temos todas as condições de fazer um governo ainda melhor.

Se com a inexperiência que tínhamos, e com a tormenta política que enfrentamos, conseguimos recuperar o Brasil, imaginem o que não poderemos fazer, num segundo governo, com mais experiência e com pleno conhecimento da máquina?

Imaginem o que não poderemos fazer depois de termos ampliada e renovada a confiança popular?

Se reeleito, quero fazer um governo que reúna o que tiver de melhor na sociedade brasileira para mudarmos, ainda mais, o Brasil.

Quero fazer um governo que amplie nossos compromissos com os mais pobres, pois o melhor caminho de servir melhor a todos é atender primeiro os que mais necessitam.

Muito obrigado e viva o Brasil!"

Especial
  • Leia o que já foi publicado sobre a convenção do PT
  • Leia o que já foi publicado sobre as eleições 2006
  •  

    Publicidade

    Publicidade

    Publicidade


     

    Voltar ao topo da página