21/07/2006
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09h20
LEONARDO SOUZA
da Folha de S.Paulo
O empresário Luiz Antonio Trevisan Vedoin, suposto líder da quadrilha dos sanguessugas, disse em depoimento à Justiça Federal de Mato Grosso que teria negociado a venda de ambulâncias com o governo do Piauí, Estado governado por Wellington Dias (PT), mediante pagamento de propina ao petista José Airton Cirilo.
Cirilo, candidato derrotado ao governo do Ceará pelo PT em 2002 e ex-diretor da ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres), teria recebido o dinheiro (não fica claro quanto) da suposta negociação no Piauí por meio de dois intermediários: José Caubi Diniz e Raimundo Lacerda Filho, sobrinho de Cirilo.
No depoimento, Vedoin, dono da Planam --empresa que coordenaria o esquema--, afirma que o governador Wellington Dias também teria participado das negociações para liberação do dinheiro para compra das ambulâncias, mas não esclarece se ele teria sido beneficiado com propina.
O projeto para a compra das ambulâncias no Piauí, no valor de R$ 14 milhões, foi realizado, segundo Vedoin, por Noriaque Magalhães --um dos presos pela PF no começo de maio na Operação Sanguessuga.
Noriaque teria trabalhado durante 25 dias no gabinete do secretário da Saúde do Piauí à época, Nazareno Fonteles (PT-PI), hoje deputado federal. O parlamentar nega.
Vedoin afirma que as assinaturas do projeto e do convênio para a compra das ambulâncias foram feitas no gabinete de Wellington Dias, com presença do empresário, de José Airton Cirilo e de José Diniz.
Os R$ 14 milhões teriam sido divididos em três lotes. O primeiro e o segundo foram vencidos pelas empresas GM e Rontam para compras de "ambulâncias de resgate", no valor de R$ 4 milhões, e, para ambulâncias de remoção simples, "no valor de R$ 3 milhões".
Segundo apurou a Folha, Vedoin disse que os R$ 7 milhões iniciais foram empenhados e liberados pelo Orçamento da União em 2006. O empresário declarou ainda que o terceiro lote, no valor de R$ 7 milhões, não foi feito porque a quadrilha descobriu que o esquema estava sendo investigado pela PF.
Vedoin disse que todos os pagamentos de propina foram feitos, a pedido de Cirilo, nas contas das duas pessoas que teriam atuado como intermediários na operação --José Diniz e Raimundo Lacerda.
Flat
Ainda no depoimento, Vedoin citou mais quatro nomes de pessoas que teriam recebido dinheiro a pedido de Cirilo. Uma empresa no nome de Raimundo Lacerda, chamada M.C Lacerda Ltda, foi usada para fazer os pagamentos.
O empresário afirma também que, pelo menos uma vez, fez o pagamento de propina em dinheiro vivo. Segundo ele, R$ 35 mil foram entregues pessoalmente a José Diniz, em fevereiro de 2005.
Vedoin também disse que pagou passagens aéreas e diárias para Lacerda, Diniz e Cirilo por intermédio da empresa Aeroway Viagens e Turismo.
Por fim, o empresário afirmou que no segundo semestre de 2004 emprestou o seu flat localizado no Mélia Brasília Hotel para Cirilo morar. No depoimento, Vedoin disse que o número do apartamento é 601.
A Folha apurou com três integrantes da CPI dos Sanguessugas que o esquema no Piauí seria similar ao que Cirilo teria implementado para liberar verbas do Ministério da Saúde, então comandado pelo petista Humberto Costa, hoje candidato ao governo de Pernambuco, para que prefeitos adquirissem 130 ambulâncias em 2003.
Esse esquema também foi revelado por Vedoin.
A Secretaria de Saúde do Piauí negou quaisquer irregularidades na compra de ambulâncias pelo governo do Estado (leia texto nesta página).
A máfia dos sanguessugas veio à tona por meio de operação da PF deflagrada em maio. O Ministério Público Federal investiga 56 deputados e um senador, mas a CPI diz que devem passar de cem os congressistas envolvidos no esquema.
Outro lado
A secretária de Saúde do Piauí, Tatiana Chaves, negou ontem qualquer irregularidade na compra de ambulâncias e disse que o governador, Wellington Dias, não interfere na administração da pasta.
Segundo ela, a secretaria fechou um convênio com o Ministério da Saúde, no valor de R$ 12 milhões, para a compra de 143 ambulâncias por meio de licitação por leilão eletrônico.
A General Motors venceu a concorrência para fornecer 38 ambulâncias, a Fiat, 98, e a Planam, sete, mas não chegou a vender efetivamente nenhum veículo, segundo ela.
"O governador não interfere no nosso trabalho. Sou técnica de carreira. Ele deposita inteira confiança na nossa equipe."
O deputado Nazareno Fonteles (PT-PI) negou ter abrigado em seu gabinete Noriaque Magalhães, apontado pela PF como integrante da quadrilha.
José Airton Cirilo informou, por meio da assessoria, que é vítima de perseguição política e negou envolvimento com o caso.
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Empresário liga governo do PT no Piauí a sanguessugas
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ADRIANO CEOLINLEONARDO SOUZA
da Folha de S.Paulo
O empresário Luiz Antonio Trevisan Vedoin, suposto líder da quadrilha dos sanguessugas, disse em depoimento à Justiça Federal de Mato Grosso que teria negociado a venda de ambulâncias com o governo do Piauí, Estado governado por Wellington Dias (PT), mediante pagamento de propina ao petista José Airton Cirilo.
Cirilo, candidato derrotado ao governo do Ceará pelo PT em 2002 e ex-diretor da ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres), teria recebido o dinheiro (não fica claro quanto) da suposta negociação no Piauí por meio de dois intermediários: José Caubi Diniz e Raimundo Lacerda Filho, sobrinho de Cirilo.
No depoimento, Vedoin, dono da Planam --empresa que coordenaria o esquema--, afirma que o governador Wellington Dias também teria participado das negociações para liberação do dinheiro para compra das ambulâncias, mas não esclarece se ele teria sido beneficiado com propina.
O projeto para a compra das ambulâncias no Piauí, no valor de R$ 14 milhões, foi realizado, segundo Vedoin, por Noriaque Magalhães --um dos presos pela PF no começo de maio na Operação Sanguessuga.
Noriaque teria trabalhado durante 25 dias no gabinete do secretário da Saúde do Piauí à época, Nazareno Fonteles (PT-PI), hoje deputado federal. O parlamentar nega.
Vedoin afirma que as assinaturas do projeto e do convênio para a compra das ambulâncias foram feitas no gabinete de Wellington Dias, com presença do empresário, de José Airton Cirilo e de José Diniz.
Os R$ 14 milhões teriam sido divididos em três lotes. O primeiro e o segundo foram vencidos pelas empresas GM e Rontam para compras de "ambulâncias de resgate", no valor de R$ 4 milhões, e, para ambulâncias de remoção simples, "no valor de R$ 3 milhões".
Segundo apurou a Folha, Vedoin disse que os R$ 7 milhões iniciais foram empenhados e liberados pelo Orçamento da União em 2006. O empresário declarou ainda que o terceiro lote, no valor de R$ 7 milhões, não foi feito porque a quadrilha descobriu que o esquema estava sendo investigado pela PF.
Vedoin disse que todos os pagamentos de propina foram feitos, a pedido de Cirilo, nas contas das duas pessoas que teriam atuado como intermediários na operação --José Diniz e Raimundo Lacerda.
Flat
Ainda no depoimento, Vedoin citou mais quatro nomes de pessoas que teriam recebido dinheiro a pedido de Cirilo. Uma empresa no nome de Raimundo Lacerda, chamada M.C Lacerda Ltda, foi usada para fazer os pagamentos.
O empresário afirma também que, pelo menos uma vez, fez o pagamento de propina em dinheiro vivo. Segundo ele, R$ 35 mil foram entregues pessoalmente a José Diniz, em fevereiro de 2005.
Vedoin também disse que pagou passagens aéreas e diárias para Lacerda, Diniz e Cirilo por intermédio da empresa Aeroway Viagens e Turismo.
Por fim, o empresário afirmou que no segundo semestre de 2004 emprestou o seu flat localizado no Mélia Brasília Hotel para Cirilo morar. No depoimento, Vedoin disse que o número do apartamento é 601.
A Folha apurou com três integrantes da CPI dos Sanguessugas que o esquema no Piauí seria similar ao que Cirilo teria implementado para liberar verbas do Ministério da Saúde, então comandado pelo petista Humberto Costa, hoje candidato ao governo de Pernambuco, para que prefeitos adquirissem 130 ambulâncias em 2003.
Esse esquema também foi revelado por Vedoin.
A Secretaria de Saúde do Piauí negou quaisquer irregularidades na compra de ambulâncias pelo governo do Estado (leia texto nesta página).
A máfia dos sanguessugas veio à tona por meio de operação da PF deflagrada em maio. O Ministério Público Federal investiga 56 deputados e um senador, mas a CPI diz que devem passar de cem os congressistas envolvidos no esquema.
Outro lado
A secretária de Saúde do Piauí, Tatiana Chaves, negou ontem qualquer irregularidade na compra de ambulâncias e disse que o governador, Wellington Dias, não interfere na administração da pasta.
Segundo ela, a secretaria fechou um convênio com o Ministério da Saúde, no valor de R$ 12 milhões, para a compra de 143 ambulâncias por meio de licitação por leilão eletrônico.
A General Motors venceu a concorrência para fornecer 38 ambulâncias, a Fiat, 98, e a Planam, sete, mas não chegou a vender efetivamente nenhum veículo, segundo ela.
"O governador não interfere no nosso trabalho. Sou técnica de carreira. Ele deposita inteira confiança na nossa equipe."
O deputado Nazareno Fonteles (PT-PI) negou ter abrigado em seu gabinete Noriaque Magalhães, apontado pela PF como integrante da quadrilha.
José Airton Cirilo informou, por meio da assessoria, que é vítima de perseguição política e negou envolvimento com o caso.
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