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Brasil
12/09/2006 - 13h27

Alckmin deve investir em gravações externas para criticar o governo Lula

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EPAMINONDAS NETO
da Folha Online

O candidato à Presidência da República, Geraldo Alckmin, indicou nesta terça-feira que, para tentar reverter o cenário que indica vitória ainda no primeiro turno do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à reeleição pelo PT, vai investir em gravações externas em seu programa para o horário eleitoral.

Segundo fontes do comitê da campanha tucana, a intenção é usar essas gravações como contraponto ao governo Lula. A idéia, como apurou a Folha Online, é fazer comparações entre as promessas e as realizações da administração petista.

Hoje mesmo, o candidato tucano justificou o cancelamento de uma reunião com empresários na Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) para dar continuidade a este projeto de fazer imagens externas para o programa de TV.

Na semana passada, a campanha de Alckmin conseguiu, pela primeira vez, que seu adversário fosse obrigado a rebater uma crítica. No programa, os tucanos criticaram o estado da rodovia federal BR-316, que liga o Maranhão ao Pará.

O embate entre os dois candidatos teve início depois que o "Jornal Nacional" da TV Globo desafiou os candidatos à Presidência a percorrerem trechos da rodovia, no interior do Maranhão. Na sexta, Alckmin cancelou compromissos para interceptar a caravana do 'JN' e gravar programa no local.

A locutora da campanha de Lula, no programa eleitoral de TV transmitido na noite deste sábado, afirmou que o tucano fretou um helicóptero para alcançar a equipe do "JN". E disparou: "Essa atitude (...) é a prova de que a demagogia é uma praga difícil de ser eliminada da política brasileira."

Alckmin afirmou, no entanto, que não vai "priorizar as críticas". "Em nosso programa, nós vamos falar do futuro, do que nós pretendemos fazer nos próximos quatro anos. O que deve ser feito, como deve ser feito e por que deve ser feito", disse o tucano durante evento na sede da Força Sindical, região central de São Paulo.

Reeleição

Alckmin voltou a acenar que é contra a reeleição. "Do jeito que está, sou contra", disse o tucano, que voltou a comentar a última edição da revista "Veja".

"Todo dia você tem uma denúncia de corrupção", acrescentou em referência às notícias de que o governo Lula teria teria impresso cartilhas para distribuição pelo PT.

Uma auditoria do TCU (Tribunal de Contas da União) apontou que não havia comprovantes de que 2 milhões dos 5 milhões de folhetos tinham sido confeccionados e distribuídos. O custo total do material foi de R$ 11 milhões.

Segundo a "Veja", o governo afirma que o material não foi encaminhado à Secom (Secretaria de Comunicação) --que o encomendou--, mas aos diretórios municipais do PT, para que o órgão não precisasse distribuí-lo e poupasse dinheiro público.

O presidente do PT, Ricardo Berzoini, disse, por meio da assessoria do partido, que caberá ao Planalto fornecer informações sobre o volume de cartilhas distribuídas ao PT.

Ao comentar a investigação do TCU, o ministro Tarso Genro (Relações Institucionais) disse que, se algum membro do governo tiver responsabilidade, terá de responder por isso.

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