22/09/2006
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14h46
da Folha Online, em Brasília
O ex-analista de mídia e risco da campanha do PT à Presidência, Jorge Lorenzetti, admitiu hoje que tentou obter o dossiê que supostamente incriminaria políticos tucanos, mas negou que tenha negociado valores financeiros para conseguir o material. Em depoimento à Polícia Federal, Lorenzetti também isentou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente do PT, Ricardo Berzoini, de envolvimento no episódio.
Também conhecido como o churrasqueiro do presidente, Lorenzetti se retirou da superintendência da PF em Brasília sem falar com a imprensa. Ele depôs como testemunha e não foi indiciado. As informações sobre seu depoimento foram repassadas por seu advogado, Aldo de Campos Costa.
"Basicamente, Lorenzetti confirmou durante seu depoimento que o dossiê seria entregue para um contato, que foi declinado, ao Hamilton [Lacerda]". Lacerda era coordenador de comunicação da campanha de Aloizio Mercadante, candidato do PT ao governo de São Paulo. Ele foi afastado do cargo após ter admitido que articulou uma reportagem contra políticos tucanos.
Ainda segundo seu advogado, Lorenzetti também admitiu que pediu a Expedito Afonso Veloso e a Gedimar Passos para que verificassem a autenticidade e o conteúdo do material. Afonso Veloso era diretor de Gestão de Riscos do Banco do Brasil e foi afastado após surgir suspeitas de seu envolvimento no episódio do dossiê. Gedimar Passos foi preso pela PF em São Paulo com R$ 1,7 milhão, dinheiro que seria usado para comprar o material contra os tucanos.
Lorenzetti, no entanto, negou a intenção de querer pagar pelo material. "Meu cliente repudiou e condenou qualquer envolvimento [para compra do dossiê] por conta de uma orientação do próprio partido. E também por convicção pessoal de que a obtenção desse documento não poderia se dar através de negociação de valores", afirmou o advogado.
Durante depoimento, Lorenzetti afirmou que "se sentiu chocado" quando soube pela imprensa que Gedimar teria sido preso com R$ 1,7 milhão.
"Desde o primeiro momento, havia a orientação do partido de que não poderia haver qualquer negociação [financeira]", disse Aldo de Campos Costa.
Dossiê
A Polícia Federal apreendeu na semana passada DVD e fotos que mostram os tucanos José Serra (candidato ao governo de São Paulo) e Geraldo Alckmin (candidato à Presidência) na entrega de ambulâncias da máfia dos sanguessugas.
A quadrilha desmontada pela Polícia Federal, que fraudava a venda de ambulâncias para prefeituras de diversos Estados do país, era chefiada pela família Trevisan Vedoin, no Mato Grosso.
O material, supostamente comprado pelo PT e conhecido como dossiê, seria entregue pelo empresário Luiz Antônio Vedoin, chefe dos sanguessugas e sócio da Planam, a integrantes do PT, que o usariam durante a campanha contra os adversários tucanos.
Confira o DVD, de 23 minutos, veiculado no Olhar Direto. O vídeo compõe o dossiê, orçado em R$ 1,7 milhão.
No DVD, Serra, então ministro da Saúde, aparece com alguns parlamentares, hoje acusados de envolvimento com o esquema dos sanguessugas, numa solenidade realizada em um galpão da Planam, em 2001, em Cuiabá.
Em trechos do vídeo, aparecem Luiz Antônio Vedoin e seu pai, Darci Vedoin. O tucano chegou ao local acompanhado de Dante de Oliveira (PSDB), então governador do Mato Grosso. Dante morreu em julho deste ano.
Alckmin não aparece no DVD. Segundo o blog do Josias, o tucano, conforme informações da Polícia Federal, é visto apenas em uma foto do dossiê.
Petistas e tucanos já declararam que o DVD não vale R$ 1,7 milhão. Eles vem defendendo que o conteúdo do dossiê seja investigado.

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Lorenzetti admite que tentou obter dossiê, mas inocenta Lula e Berzoini
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GABRIELA GUERREIROda Folha Online, em Brasília
O ex-analista de mídia e risco da campanha do PT à Presidência, Jorge Lorenzetti, admitiu hoje que tentou obter o dossiê que supostamente incriminaria políticos tucanos, mas negou que tenha negociado valores financeiros para conseguir o material. Em depoimento à Polícia Federal, Lorenzetti também isentou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente do PT, Ricardo Berzoini, de envolvimento no episódio.
Também conhecido como o churrasqueiro do presidente, Lorenzetti se retirou da superintendência da PF em Brasília sem falar com a imprensa. Ele depôs como testemunha e não foi indiciado. As informações sobre seu depoimento foram repassadas por seu advogado, Aldo de Campos Costa.
"Basicamente, Lorenzetti confirmou durante seu depoimento que o dossiê seria entregue para um contato, que foi declinado, ao Hamilton [Lacerda]". Lacerda era coordenador de comunicação da campanha de Aloizio Mercadante, candidato do PT ao governo de São Paulo. Ele foi afastado do cargo após ter admitido que articulou uma reportagem contra políticos tucanos.
Ainda segundo seu advogado, Lorenzetti também admitiu que pediu a Expedito Afonso Veloso e a Gedimar Passos para que verificassem a autenticidade e o conteúdo do material. Afonso Veloso era diretor de Gestão de Riscos do Banco do Brasil e foi afastado após surgir suspeitas de seu envolvimento no episódio do dossiê. Gedimar Passos foi preso pela PF em São Paulo com R$ 1,7 milhão, dinheiro que seria usado para comprar o material contra os tucanos.
Lorenzetti, no entanto, negou a intenção de querer pagar pelo material. "Meu cliente repudiou e condenou qualquer envolvimento [para compra do dossiê] por conta de uma orientação do próprio partido. E também por convicção pessoal de que a obtenção desse documento não poderia se dar através de negociação de valores", afirmou o advogado.
Durante depoimento, Lorenzetti afirmou que "se sentiu chocado" quando soube pela imprensa que Gedimar teria sido preso com R$ 1,7 milhão.
"Desde o primeiro momento, havia a orientação do partido de que não poderia haver qualquer negociação [financeira]", disse Aldo de Campos Costa.
Dossiê
A Polícia Federal apreendeu na semana passada DVD e fotos que mostram os tucanos José Serra (candidato ao governo de São Paulo) e Geraldo Alckmin (candidato à Presidência) na entrega de ambulâncias da máfia dos sanguessugas.
A quadrilha desmontada pela Polícia Federal, que fraudava a venda de ambulâncias para prefeituras de diversos Estados do país, era chefiada pela família Trevisan Vedoin, no Mato Grosso.
O material, supostamente comprado pelo PT e conhecido como dossiê, seria entregue pelo empresário Luiz Antônio Vedoin, chefe dos sanguessugas e sócio da Planam, a integrantes do PT, que o usariam durante a campanha contra os adversários tucanos.
Confira o DVD, de 23 minutos, veiculado no Olhar Direto. O vídeo compõe o dossiê, orçado em R$ 1,7 milhão.
No DVD, Serra, então ministro da Saúde, aparece com alguns parlamentares, hoje acusados de envolvimento com o esquema dos sanguessugas, numa solenidade realizada em um galpão da Planam, em 2001, em Cuiabá.
Em trechos do vídeo, aparecem Luiz Antônio Vedoin e seu pai, Darci Vedoin. O tucano chegou ao local acompanhado de Dante de Oliveira (PSDB), então governador do Mato Grosso. Dante morreu em julho deste ano.
Alckmin não aparece no DVD. Segundo o blog do Josias, o tucano, conforme informações da Polícia Federal, é visto apenas em uma foto do dossiê.
Petistas e tucanos já declararam que o DVD não vale R$ 1,7 milhão. Eles vem defendendo que o conteúdo do dossiê seja investigado.

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