22/09/2006
-
17h12
O ministro Márcio Thomaz Bastos (Justiça) disse hoje que a investigação sobre a tentativa de compra de um dossiê contra o ex-ministro José Serra está "praticamente resolvida". A maior dúvida que existe é sobre a origem do dinheiro --R$ 1,7 milhão--, encontrado com os petistas Valdebran Padilha e Gedimar Passos num hotel de São Paulo.
"O caso está praticamente resolvido. A PF trabalha para descobrir a origem do dinheiro. A ansiedade não pode atrapalhar", disse ele hoje no Rio após participar do encerramento da 75ª Assembléia Geral da Interpol.
No entanto, Bastos disse que a investigação não será contaminado pelo "Não se pode prejudicar a investigação para obter efeito eleitoral. Não podemos aderir ao clima incendiário que acompanha a última semana da eleição."
Segundo ele, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu uma solução para o caso. "O presidente Lula conversou comigo e disse que resolver este caso é uma questão de honra."
Sobre a origem internacional do dinheiro, o ministro afirmou que a Polícia Federal está trabalhando nessa linha de investigação.
O caso
A 15 dias das eleições, a Polícia Federal apreendeu vídeo, DVD e fotos que mostram o candidato do PSDB ao governo de São Paulo, José Serra, na entrega de ambulâncias da máfia dos sanguessugas.
O material contra Serra seria entregue pelo empresário Luiz Antônio Vedoin, chefe dos sanguessugas e sócio da Planam, a Gedimar Pereira Passos, advogado e ex-policial federal, e Valdebran Padilha da Silva, filiado ao PT do Mato Grosso.
Gedimar e Valdebran foram presos, em São Paulo, com R$ 1,7 milhão. Eles estavam no hotel Ibis, e aguardavam por um emissário do empresário, que levaria o dossiê contra o tucano. O PT nega que o dinheiro seja do partido.
O emissário seria o tio do empresário, Paulo Roberto Dalcol Trevisan. A pedido de Vedoin, o tio entregaria em São Paulo o documento a Valdebran e Gedimar. Os quatro envolvidos foram presos pela Polícia Federal.
Em depoimento à PF, Gedimar disse que foi "contratado pela Executiva Nacional do PT" para negociar com a família Vedoin a compra de um dossiê contra os tucanos, e que do pacote fazia parte entrevista acusando Serra de envolvimento na máfia.
Ele disse ainda que seu contato no PT era alguém de nome "Froud ou Freud". Após a denúncia, o assessor pessoal do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Freud Godoy, pediu afastamento do cargo. Ele nega as acusações.
Após o episódio, outros nomes ligados ao PT começaram a ser relacionados ao dossiê. Esse é o caso do ex-coordenador da campanha à reeleição de Lula, Ricardo Berzoini, presidente do PT. Seu ex-secretário no Ministério do Trabalho Oswaldo Bargas (coordenador de programa de governo da campanha) e Jorge Lorenzetti --analista de mídia e risco do PT e churrasqueiro do presidente-- procuraram a revista "Época" para oferecer o dossiê.
Lorenzetti foi afastado do cargo e Berzoini deixou a coordenação da campanha de Lula, mas, por enquanto, permanece na presidência do partido.
O ex-diretor do Banco do Brasil Expedito Afonso Veloso também foi afastado da instituição, após denúncia sobre seu suposto envolvimento com o dossiê. Valdebran disse que recebeu parte do dinheiro de uma pessoa chamada "Expedito". Ele teria participado da operação de montagem e divulgação do documento.
Em São Paulo, o candidato ao governo Aloizio Mercadante (PT) afastou o coordenador de comunicação da campanha Hamilton Lacerda, que teria articulado a publicação de uma reportagem na "IstoÉ" contra Serra.

Leia mais
Entenda o caso do dossiê contra os tucanos
Saiba mais sobre o dossiê contra tucanos
PF prende empresário sanguessuga e apreende R$ 1,7 mi com integrante do PT
Crise do dossiê derruba Berzoini e assessor de Mercadante em SP
Especial
Leia cobertura completa das eleições 2006
Bastos diz que investigação do dossiê não será influenciada pelo clima eleitoral
Publicidade
da Folha OnlineO ministro Márcio Thomaz Bastos (Justiça) disse hoje que a investigação sobre a tentativa de compra de um dossiê contra o ex-ministro José Serra está "praticamente resolvida". A maior dúvida que existe é sobre a origem do dinheiro --R$ 1,7 milhão--, encontrado com os petistas Valdebran Padilha e Gedimar Passos num hotel de São Paulo.
"O caso está praticamente resolvido. A PF trabalha para descobrir a origem do dinheiro. A ansiedade não pode atrapalhar", disse ele hoje no Rio após participar do encerramento da 75ª Assembléia Geral da Interpol.
No entanto, Bastos disse que a investigação não será contaminado pelo "Não se pode prejudicar a investigação para obter efeito eleitoral. Não podemos aderir ao clima incendiário que acompanha a última semana da eleição."
Segundo ele, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu uma solução para o caso. "O presidente Lula conversou comigo e disse que resolver este caso é uma questão de honra."
Sobre a origem internacional do dinheiro, o ministro afirmou que a Polícia Federal está trabalhando nessa linha de investigação.
O caso
A 15 dias das eleições, a Polícia Federal apreendeu vídeo, DVD e fotos que mostram o candidato do PSDB ao governo de São Paulo, José Serra, na entrega de ambulâncias da máfia dos sanguessugas.
O material contra Serra seria entregue pelo empresário Luiz Antônio Vedoin, chefe dos sanguessugas e sócio da Planam, a Gedimar Pereira Passos, advogado e ex-policial federal, e Valdebran Padilha da Silva, filiado ao PT do Mato Grosso.
Gedimar e Valdebran foram presos, em São Paulo, com R$ 1,7 milhão. Eles estavam no hotel Ibis, e aguardavam por um emissário do empresário, que levaria o dossiê contra o tucano. O PT nega que o dinheiro seja do partido.
O emissário seria o tio do empresário, Paulo Roberto Dalcol Trevisan. A pedido de Vedoin, o tio entregaria em São Paulo o documento a Valdebran e Gedimar. Os quatro envolvidos foram presos pela Polícia Federal.
Em depoimento à PF, Gedimar disse que foi "contratado pela Executiva Nacional do PT" para negociar com a família Vedoin a compra de um dossiê contra os tucanos, e que do pacote fazia parte entrevista acusando Serra de envolvimento na máfia.
Ele disse ainda que seu contato no PT era alguém de nome "Froud ou Freud". Após a denúncia, o assessor pessoal do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Freud Godoy, pediu afastamento do cargo. Ele nega as acusações.
Após o episódio, outros nomes ligados ao PT começaram a ser relacionados ao dossiê. Esse é o caso do ex-coordenador da campanha à reeleição de Lula, Ricardo Berzoini, presidente do PT. Seu ex-secretário no Ministério do Trabalho Oswaldo Bargas (coordenador de programa de governo da campanha) e Jorge Lorenzetti --analista de mídia e risco do PT e churrasqueiro do presidente-- procuraram a revista "Época" para oferecer o dossiê.
Lorenzetti foi afastado do cargo e Berzoini deixou a coordenação da campanha de Lula, mas, por enquanto, permanece na presidência do partido.
O ex-diretor do Banco do Brasil Expedito Afonso Veloso também foi afastado da instituição, após denúncia sobre seu suposto envolvimento com o dossiê. Valdebran disse que recebeu parte do dinheiro de uma pessoa chamada "Expedito". Ele teria participado da operação de montagem e divulgação do documento.
Em São Paulo, o candidato ao governo Aloizio Mercadante (PT) afastou o coordenador de comunicação da campanha Hamilton Lacerda, que teria articulado a publicação de uma reportagem na "IstoÉ" contra Serra.

Leia mais
Especial

