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Brasil
02/10/2006 - 23h15

Paulo Hartung enfrenta dilema sobre apoio no segundo turno para a Presidência

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EDUARDO DE OLIVEIRA
da Agência Folha

Reeleito no primeiro turno com 77,27% dos votos válidos, a maior votação proporcional do país, o governo do Espírito Santo, Paulo Hartung (PMDB), 49, terá de resolver um dilema sobre apoiar a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ou do ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB) no segundo turno da eleição presidencial.

Isso porque Hartung teve o apoio dos partidos dos dois presidenciáveis para o seu projeto à reeleição. Durante a campanha, o governador sempre se declarou em cima do muro quando abordado sobre a questão nacional, o que tem repetido agora.

Nas negociações para a formação de suas alianças, Hartung conseguiu compor sua chapa com o PSDB, PTB e PFL, além de ter o apoio informal do PT e do PSB, partido pelo qual se elegeu em 2002.

Para tanto, conseguiu convencer Luiz Paulo Velozzo Lucas, ex-prefeito de Vitória, a desistir da candidatura ao Senado em favor de Renato Casagrande (PSB), eleito, apoiado pelo PT. Aos tucanos coube a indicação do vice de Hartung, Ricardo Ferraço.

O presidente do PT no Estado e deputado estadual reeleito, Cláudio Vereza, disse que espera o apoio do governador a Lula e afirmou que se ele optar por Alckmin, levará o PT para a oposição.

"Nós vamos trabalhar para que ele se decida pelo lado de Lula. Quem ajudou ele a governar nesses quatro anos foi o Lula, com antecipação de royalties do petróleo e programas sociais, e eu estive na Presidência da Assembléia dando apoio. É hora de ele retribuir esse apoio", declarou Vereza.

Velozzo Lucas, presidente do PSDB no Estado e eleito deputado federal, disse que o partido vai respeitar o que será a "neutralidade" de Hartung e tachou de "atrasado e reacionário" o discurso de Vereza.

"Ele ganhou no primeiro turno porque conseguiu um leque de alianças que vai do PT ao PFL, [coligados] por razões regionais. Não tem nada que ver com a politica nacional", declarou o tucano. "Civilizadamente, nós [PSDB e PT] estamos aqui no governo do Estado."

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