Saltar para o conteúdo principal

Publicidade

Publicidade

 
  Siga a Folha de S.Paulo no Twitter
04/10/2006 - 09h38

PF não acha indícios de ligação de Freud Godoy com o dossiê

Publicidade

FÁBIO VICTOR
da Folha de S.Paulo
LEONARDO SOUZA
enviado especial da Folha de S.Paulo a Cuiabá

Pelas informações de que dispõe até agora, a Polícia Federal não reúne indícios do envolvimento do ex-assessor da Presidência Freud Godoy na compra, por petistas, de um dossiê contra tucanos. Caso o inquérito fosse encerrado hoje, a PF não indiciaria Freud.

Até mesmo o procurador da República Mário Lúcio Avelar, que pediu duas vezes a prisão temporária de Freud, compartilha agora da tese dos policiais. Segundo a Folha apurou, após o segundo depoimento de Freud à PF, na última sexta-feira, Avelar revelou que não encontrou até agora elementos para acreditar na participação do ex-assessor de Lula.

Disse ainda que, caso a Justiça não cassasse o mandado de prisão contra Freud antes da restrição da lei eleitoral que impediu que a decisão fosse cumprida na semana passada, ele mesmo o solicitaria.

Não precisou. Na última sexta, liminar do juiz do TRF da 1ª Região Tourinho Neto cassou a ordem de prisão temporária de Freud e dos outros cinco petistas envolvidos com o caso --todas a pedido do procurador.

A única ligação de Freud com o caso é a mesma do início: em depoimento à PF, Gedimar Passos, um dos petistas presos com o R$ 1,7 milhão para a compra do dossiê, disse que o pagamento teria sido feito "a mando de uma pessoa chamada Froude ou Freud".

O que a PF descobriu nas investigações até aqui bate com os dois depoimentos de Freud, o primeiro deles espontâneo. A perícia nos celulares de Gedimar e de Valdebran Padilha foi concluída, e revelou telefonemas entre o primeiro e o ex-assessor da Presidência, mas todos os contatos foram em agosto, mês em que a empresa da mulher de Freud prestou serviços de varredura antigrampos telefônicos no comitê de reeleição de Lula e na sede do diretório nacional do PT, em Brasília.

Ao depor, o próprio Freud admitiu os contatos com Gedimar para tratar dos serviços. Os dados que surgiram da quebra do sigilo dos telefones apreendidos tampouco comprometem Freud até o momento, mas esta parte da investigação não está encerrada.

Segundo a PF, o fato de não haver até agora elementos consistentes contra Freud não o inocenta ainda no caso, pois a investigação continua. Caso surja algo que o comprometa, ele poderá voltar a depor e ter sua prisão solicitada de novo.

A PF não sabe responder com clareza por que Gedimar teria citado o nome do ex-assessor de Lula. Policiais envolvidos na investigação não crêem, como alguns petistas, que Freud tenha sido apenas um bode expiatório, para que Gedimar não fosse abandonado pelo PT numa hora de fraqueza.

Acham que a menção a Freud não foi à toa. Mas, dada a ausência de provas contra o ex-assessor, são obrigados a admitir que o pedido de prisão contra ele não tem consistência.

Especial
  • Leia cobertura completa das eleições 2006
  •  

    Publicidade

    Publicidade

    Publicidade


     

    Voltar ao topo da página