Brasil
19/10/2006 - 12h35

Alckmin diz que Aerolula simboliza gastança e defende déficit nominal zero

EPAMINONDAS NETO
FELIPE NEVES
da Folha Online

O candidato do PSDB à Presidência, Geraldo Alckmin, afirmou hoje que seu adversário, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), não vai cortar gastos públicos e terá que aumentar impostos num eventual segundo mandato. Ele usou como exemplo a compra do avião usado para viagens presidenciais, o Aerolula", que simboliza a "gastança" no governo.

"Nós precisamos criar uma cultura de eficiência do gasto público. O problema do Aerolula é que passa para o resto do governo que não tem problema com gastança", afirmou ele, durante sabatina promovida pela Folha de S.Paulo.

Alckmin disse que a diferença entre ele e Lula é a preocupação com o problema dos gastos públicos. "Ele [Lula] não acredita que existe uma questão fiscal. Ele já avisou que não vai cortar gastos. Ele vai aumentar impostos", disse ele.

Ele participa da sabatina da Folha com os presidenciáveis, no Teatro Folha. Ontem, a Folha sabatinou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Palácio da Alvorada --atendendo a uma prerrogativa da Presidência da República.

Alckmin está sendo sabatinado por Clóvis Rossi e Mônica Bergamo, colunistas da Folha, Fernando de Barros e Silva, editor de Brasil, e Renata Lo Prete (editora do "Painel").

Durante a sabatina, prevista para acabar às 13h, Alckmin vai responder às perguntas dos sabatinadores e, depois, às questões da platéia. A TV UOL vai transmitir o encontro ao vivo.

Nakano

O tucano tentou minimizar uma recente polêmica com o economista Yoshiaki Nakano, apontado como um dos mentores da área econômica em seu futuro governo. Nakano foi alvo de críticas da oposição ao sugerir que o governo deveria elevar a contenção de gastos para reduzir o déficit das contas públicas.

"Eu estou plenamente de acordo com o professor Nakano. Nós vamos alcançar o déficit nominal zero. Se a gente vai fazer isso em 4 ou 6 anos, é uma questão de gestão", disse ele.

O candidato criticou o ritmo de reajustes do salário mínimo e sugeriu que os aumentos foram feitos de forma eleitoreira. "No primeiro ano, eles deram 1% de aumento real, no segundo mais 1% e agora, no ano da eleição, deram 16%. No ano que vem vão dar 1% de novo. Quer dizer que ficam sem dar aumento e só dão no ano da eleição?"

Questionado diretamente sobre o déficit previdenciário, Alckmin disse que era contra a desvinculação dos benefícios da previdência do salário mínimo porque o pensionista e o aposentado "vão acabar ganhando meio salário".

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