Publicidade

Publicidade
Brasil
19/10/2006 - 23h12

Em novo debate, Alckmin diminui tom agressivo; Lula volta a chamar tucano de "privatista"

Publicidade
da Folha Online

No segundo debate entre presidenciáveis, desta vez veiculado pelo SBT, o candidato Geraldo Alckmin (PSDB) diminuiu o tom agressivo contra seu adversário Luiz Inácio Lula da Silva. O petista insistiu na estratégia de vincular o tucano às privatizações e adotou um tom irônico em relação a Alckmin.

Já no primeiro bloco, quando Alckmin foi sorteado para comentar o assunto Segurança Pública, Lula rebateu o tucano com ironia. 'Pelo amor de deus, povo de São Paulo, não ouça porque vão pensar que vai ter um PCC [Primeiro Comando da Capital] no Brasil inteiro. Depois de 12 anos, não conseguiu fazer em São Paulo, como vai conseguir fazer no Brasil?.'

Alckmin, por sua vez, usou a pergunta sobre corrupção para enumerar os vários escândalos que atingiram o governo Lula. 'O governo precisa dar exemplo para a sociedade. Precisa dar exemplo para a criança e para jovem. O que vimos não foram fatos isolados. Vimos uma questão endêmica. Desde o Waldomiro Diniz até CPI dos Correios, mensalão, GDK, vimos o escândalo da Gtech, da Visanet maculando a imagem do Banco do Brasil, da Secom, onde milhões e milhões de reais desapareceram culminando com a questão do dossiê. Foram presos dirigentes do PT. Agora o presidente da CPI diz que é dinheiro da corrupção, do crime. A sociedade merece explicações.'

O segundo bloco do debate foi o primeiro em que candidato perguntava para candidato. Lula aproveitou para, novamente, perguntar a Alckmin sobre o que ele pensava sobre privatizações.

Alckmin disse que o petista se liga ao passado --pois fala demais do governo FHC-- e defendeu algumas políticas de privatização. 'A privatização teve avanços. Quem tinha telefone antes da privatização? Hoje, 90 milhões de brasileiros têm telefone celular. Se estivesse errado, ele devia ter estatizado. Não tem nenhum problema. Privatizar, se for correto, deve ser feito.'

Em outro segmento, Geraldo Alckmin aproveitou para tocar no assunto do crescimento pífio alcançado pelo Brasil. Citou reportagem da revista britânica 'The Economist' que media o crescimento de 27 países emergentes e que colocava o Brasil à frente apenas do Haiti.

Lula respondeu insinuando que Alckmin era dotado de inteligência colonizada e que fazia parte de um categoria de brasileiros que só valoriza informação que sai 'no [jornal americano] 'The New York Times''. O petista se defendeu dizendo que 'o Brasil finalmente se preparou para crescer, sem mágica, sem pirotecnia, inclusive com muita credibilidade externa'.

E completou falando que o Brasil não deve ser comparado nem ao Haiti nem à China, mas a si mesmo.

Bancos

Alckmin disse que era preciso cortar gastos para reduzir os juros e estimular o crescimento da economia. Lula, por sua vez, atacou a política econômica da gestão do antecessor tucano Fernando Henrique Cardoso.

Alckmin questionou Lula sobre o pagamento dos juros da dívida, que teria aumentando na gestão petista em relação a FHC. 'Não é mais possível ter o Bolsa Banqueiro', disse Alckmin em relação ao lucro dos bancos fazendo alusão ao Bolsa Família.

Lula, do seu lado, disse que prefere ter os bancos fortalecidos e emprestando dinheiro para população de baixa renda a ter instituições quebradas. O petista disse que não quer ter de fazer um Proer --programa de socorro ao setor bancário lançado na gestão FHC. 'Eu quero banco emprestando dinheiro e com juro mais barato. Porque se banco quebra, tem que criar Proer como vocês.'

Ao fim do debate, Lula leu dados de desenvolvimento de seu governo, como aumento do poder de compra do salário mínimo, números do bolsa família, diversificação da matriz enérgica e investimentos em educação.

"O dado concreto é que o passado condena alguns e absolve outros. É verdade que tenho um sonho de transformar o Brasil no país mais democrático no acesso à universidade. Quero reduzir o desemprego. Estamos investindo na formação profissional porque sei o que é um trabalhador procurar emprego tendo profissão e não tendo profissão", disse o petista que completou: "Vote no crescimento econômico, no controle da inflação e vote em um Brasil que finalmente se tornará um país rico."

Alckmin, por sua vez, agradeceu e disse que "o PT teve sua oportunidade".

"O que nós vimos. Do ponto de vista ético, um descalabro. Do ponto de vista de gestão, um governo que não funciona. Segurança pública numa situação extremamente grave, crescimento de apenas 2%", disse o tucano.

Sobre as privatizações, Alckmin usou um discurso truncado. "Não vou fazer. Não vou permitir que as empresas estatais sejam privatizadas para partido político. Vou desaparelhar o Estado. O governo não é para os companheiros. O governo é para o povo."

Especial
  • Leia cobertura completa das eleições 2006
  •  

    FolhaShop

    Digite produto
    ou marca