Brasil
20/10/2006 - 13h22

Maia diz que debate não vai mudar voto; PT e PSDB cantam vitória

da Folha Online

O prefeito do Rio de Janeiro, Cesar Maia (PFL), avaliou que o debate entre os candidatos à Presidência de ontem a noite não deve mudar o voto dos eleitores. No entanto, o pefelista disse que seu candidato, Geraldo Alckmin (PSDB), "venceu" o confronto, enquanto os petistas afirmaram que o vitorioso foi o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

"Geraldo [Alckmin] mais uma vez ganhou o debate. Mas do ponto de vista eleitoral, tanto fez, tanto faz. Se não há a bala de prata, fica por isso mesmo. Quem ia votar em um ou outro continua votando", escreveu Maia, em seu boletim diário de análise política, o "Ex-Blog".

Em nota produzida pelo comitê de campanha, os petistas dizem que o tucano "deixou várias perguntas sem resposta, principalmente sobre privatização" e que ele se mostrou "desconectado da realidade".

Para os petistas, Lula pediu para os eleitores refletirem sobre as propostas dos dois candidatos. A proposta do presidente seria "acabar com a desigualdade social" enquanto Alckmin só iria "governar para elites e privatizar".

O PSDB também deu sua versão para o debate, naturalmente atribuindo a vitória a Alckmin, que teria apresentado "as melhores propostas, uma conduta ética séria" e que está "mais preparado para levar o Brasil a novos tempos". Para os tucanos, "Lula foi evasivo e enrolou em todas as vezes em que era perguntado sobre a ineficiência de seu governo e os casos de corrupção".

Impasse no Congresso

O prefeito pefelista indicou que a campanha eleitoral ameaça criar um "impasse legislativo" já em 2006, passado o segundo turno. Segundo Maia, o discurso do PT sobre as privatizações, indicando que Alckmin poderia vender estatais como a Petrobras, provocou "um clima de indignação e uma repulsa" entre os dirigentes do PSDB.

"Aqueles que imaginavam que pudesse haver qualquer tipo de acomodação entre PSDB e PT em 2007, em qualquer caso, o que verão será o confronto", diz Maia.

"Ou o governo põe maioria para votar ou verá um impasse legislativo. Dezembro de 2006 já será um bom teste", acrescenta o pefelista.

Maia descartou, inclusive, a aproximação do PT com os governadores tucanos José Serra (SP) e Aécio Neves (MG), que poderiam "acomodar" a situação. "Os que pensam que Serra e Aécio poderão acomodar a situação e colocar panos quentes é porque não viram e ouviram o estado de ânimo beligerante do PSDB", afirma o prefeito do Rio.

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