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Brasil
23/10/2006 - 17h00

Mercadante afirma que Abel Pereira tentou criar "factóide" em depoimento à PF

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da Folha Online

O senador Aloizio Mercadante (PT), candidato derrotado ao governo de São Paulo, afirmou nesta segunda-feira, em nota, que o depoimento de Abel Pereira à Polícia Federal foi uma tentativa de criar um "factóide" para "desviar a atenção das investigações sobre o esquema sanguessuga", que ele acusa de ter iniciado durante a gestão do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

O petista disse ainda que o objetivo era prejudicar sua candidatura ao governo de São Paulo e a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Vale lembrar que, no dia 15 de setembro, a Polícia Federal prendeu os petistas Valdebran Padilha e Gedimar Passos com R$ 1,7 milhão, dinheiro que seria utilizado na compra de um dossiê antitucanos, preparado pelos mesmos Vedoin.

Em depoimento dado hoje de manhã, o empresário Abel Pereira afirmou que foi procurado pelos Vedoin, acusados de chefiar a máfia sanguessuga, que teriam oferecido documentos que ligariam Mercadante ao esquema de compra superfaturada de ambulâncias com dinheiro público.

Em nota, Mercadante afirmou que não teve emendas liberadas "que tenham sido destinadas ao esquema sanguessuga", dizendo ainda que a informação pode ser confirmada mediante consulta ao Orçamento da União e ao Ministério da Saúde.

Segundo o senador, "o esquema foi gestado e teve 70% das liberações de ambulâncias superfaturadas executadas no Ministério da Saúde do governo anterior, com o qual Abel Pereira tinha íntimas relações".

Pereira é amigo do prefeito de Piracicaba, Barjas Negri (PSDB), que foi ministro da Saúde durante a gestão de FHC.

Leia a íntegra da nota de Mercadante:

"Em relação às notícias veiculadas hoje sobre suposto dossiê envolvendo meu nome, de acordo com o empresário Abel Pereira em depoimento à Polícia Federal, informo:

Que não tive nenhuma emenda liberada destinada ao Esquema dos Sanguessugas, o que pode ser facilmente comprovado em consulta ao Orçamento (Siafi) e ao Ministério da Saúde, ou ainda, à CPI dos Sanguessugas e Corregedoria Geral da União que investigaram exaustivamente esta questão.

O esquema foi gestado e teve 70% das liberações de ambulâncias superfaturadas executadas no Ministério da Saúde do governo anterior, com o qual Abel Pereira tinha íntimas relações.

Desta forma, o depoimento é um factóide com o objetivo de desviar a atenção das investigações sobre o esquema sanguessuga, comprovadamente gestado na administração federal do governo anterior.

Quando o depoente admite que, por três vezes, encontrou-se com os Vedoin para negociar o suposto dossiê, está reconhecendo que, ao contrário do que revelou, estava buscando informação para prejudicar minha candidatura ao governo de São Paulo.

Como nada encontrou --e nem será encontrado-- o depoente vale-se de um artifício espúrio e criminoso, patrocinado certamente por seus aliados neste momento de disputa eleitoral.

O que precisa ser investigado é se esta negociação patrocinada por Abel Pereira tinha como objetivo comprar o silêncio dos Vedoin e/ou montar uma grande armadilha para prejudicar a vitória de Lula no primeiro turno e a minha ida para o segundo turno.

Armadilha que pode ter sido montada e que contou com a participação inaceitável de petistas envolvidos com a tentativa de compra de um dossiê, como já afirmei, sem o meu conhecimento ou participação, porque jamais me associaria a uma iniciativa desta natureza.

Diante da acusação inverídica e caluniosa, cabe à Polícia Federal esclarecer com celeridade todo esse episódio.

Senador Aloizio Mercadante"

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