03/11/2006
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12h37
O Brasil buscará uma "relação privilegiada" com os EUA, país considerado parceiro "estratégico", mas tentará "abrir novos espaços" no mundo globalizado, disse o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
"Não podemos depender de uma economia ou duas. Temos de pensar em quem está mais perto de nós, quais são as semelhanças entre os países da América do Sul e o Brasil e em que podemos nos ajudar mutuamente", disse Lula, em entrevista aos jornais europeus "El País" (Espanha), "La Reppublica" (Itália) e "Le Figaro" (França).
Para o presidente Lula, o Brasil quer ter um "papel muito forte" no plano internacional e que seja firmado um acordo entre o Mercosul e a União Européia. "Ainda que essas coisas sejam muito difíceis, acabam tendo uma solução razoável, porque o Brasil e a Europa compartilham interesses estratégicos comuns", afirmou.
Lula disse estar "convencido" de que a atual política externa do Brasil está correta, citando o superávit comercial de US$ 46 bilhões acumulado desde novembro do ano passado. "Se para nós é importante uma aliança preferencial com a América do Sul é porque somos um país rico, mas não podemos crescer com países pobres ao redor".
"O Brasil não quer liderar nada, mas sim ser sócio de todos os países e trabalhar em harmonia que a gente possa ver crescer nosso continente", acrescentou.
Segundo o presidente, comparar seu governo, por ser de esquerda, com o de seu colega venezuelano, Hugo Chávez, "não tem sentido". "Cada presidente governa de acordo com a cultura política de seu país", disse.
"A relação da Venezuela com os EUA não é a relação do Brasil com os EUA. As necessidades da Venezuela não são as mesmas que as do Brasil", afirmou. "Acredito que Chávez é bom para a Venezuela. É o presidente que, nos últimos 30 anos, mais se preocupou com os pobres. O mesmo ocorre com Evo Morales, que defende o que tem a Bolívia."
"Quando se trata de política externa na América do Sul pensamos igual, mas quando se trata de relações estratégicas, ele pode pensar uma coisa e eu, outra", acrescentou.
Lula fez novas críticas ao governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (1995-2002). "Agora já não tenho que me comparar com o fracasso da política de Fernando Henrique Cardoso (...) Mostrei que posso governar melhor que o Fernando Henrique, mas agora tenho que competir comigo mesmo, que é mais difícil."
Para Lula, a reforma política envolverá a elaboração de uma legislação que permita, entre outros pontos, o financiamento das campanhas seja feito com recursos públicos. "Quero levar a reforma adiante de maneira urgente."
Sobre os escândalos ocorridos em seu primeiro mandato, Lula disse se orgulhar de que seu governo tenha se caracterizado pela política de luta contra a corrupção. "Comentei com o ministro da Justiça [Márcio Thomaz Bastos] que, à medida que se descobrem grupos de corruptos, a gente pode confundir o combate à corrupção com o surgimento da corrupção", disse Lula.
"Os grupos [que a Polícia federal descobriu] levavam anos operando no país e ninguém dizia nada. Preferiram varrer a corrupção para debaixo do tapete e nós a trouxemos à luz."
Lula disse ainda que pretende realizar seminários com investidores tanto europeus como americanos para mostrar as oportunidades de investimento no país. "Tenho a certeza de que o Brasil pode crescer 5% e muito mais."
Especial
Leia a cobertura especial das eleições 2006
Brasil buscará "relação privilegiada" com EUA e "novos espaços", diz Lula
da Folha OnlineO Brasil buscará uma "relação privilegiada" com os EUA, país considerado parceiro "estratégico", mas tentará "abrir novos espaços" no mundo globalizado, disse o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
"Não podemos depender de uma economia ou duas. Temos de pensar em quem está mais perto de nós, quais são as semelhanças entre os países da América do Sul e o Brasil e em que podemos nos ajudar mutuamente", disse Lula, em entrevista aos jornais europeus "El País" (Espanha), "La Reppublica" (Itália) e "Le Figaro" (França).
Para o presidente Lula, o Brasil quer ter um "papel muito forte" no plano internacional e que seja firmado um acordo entre o Mercosul e a União Européia. "Ainda que essas coisas sejam muito difíceis, acabam tendo uma solução razoável, porque o Brasil e a Europa compartilham interesses estratégicos comuns", afirmou.
Lula disse estar "convencido" de que a atual política externa do Brasil está correta, citando o superávit comercial de US$ 46 bilhões acumulado desde novembro do ano passado. "Se para nós é importante uma aliança preferencial com a América do Sul é porque somos um país rico, mas não podemos crescer com países pobres ao redor".
"O Brasil não quer liderar nada, mas sim ser sócio de todos os países e trabalhar em harmonia que a gente possa ver crescer nosso continente", acrescentou.
Segundo o presidente, comparar seu governo, por ser de esquerda, com o de seu colega venezuelano, Hugo Chávez, "não tem sentido". "Cada presidente governa de acordo com a cultura política de seu país", disse.
"A relação da Venezuela com os EUA não é a relação do Brasil com os EUA. As necessidades da Venezuela não são as mesmas que as do Brasil", afirmou. "Acredito que Chávez é bom para a Venezuela. É o presidente que, nos últimos 30 anos, mais se preocupou com os pobres. O mesmo ocorre com Evo Morales, que defende o que tem a Bolívia."
"Quando se trata de política externa na América do Sul pensamos igual, mas quando se trata de relações estratégicas, ele pode pensar uma coisa e eu, outra", acrescentou.
Lula fez novas críticas ao governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (1995-2002). "Agora já não tenho que me comparar com o fracasso da política de Fernando Henrique Cardoso (...) Mostrei que posso governar melhor que o Fernando Henrique, mas agora tenho que competir comigo mesmo, que é mais difícil."
Para Lula, a reforma política envolverá a elaboração de uma legislação que permita, entre outros pontos, o financiamento das campanhas seja feito com recursos públicos. "Quero levar a reforma adiante de maneira urgente."
Sobre os escândalos ocorridos em seu primeiro mandato, Lula disse se orgulhar de que seu governo tenha se caracterizado pela política de luta contra a corrupção. "Comentei com o ministro da Justiça [Márcio Thomaz Bastos] que, à medida que se descobrem grupos de corruptos, a gente pode confundir o combate à corrupção com o surgimento da corrupção", disse Lula.
"Os grupos [que a Polícia federal descobriu] levavam anos operando no país e ninguém dizia nada. Preferiram varrer a corrupção para debaixo do tapete e nós a trouxemos à luz."
Lula disse ainda que pretende realizar seminários com investidores tanto europeus como americanos para mostrar as oportunidades de investimento no país. "Tenho a certeza de que o Brasil pode crescer 5% e muito mais."
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