Brasil
23/11/2006 - 12h20

Para Lula, aprovação do Fundeb sinaliza apoio do Congresso ao 2º mandato

GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília

A aprovação pela Câmara dos Deputados da Lei Geral das Micro e Pequenas Empresas e do Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica), na noite desta quarta-feira, foi recebida com otimismo no Palácio do Planalto para que o governo federal. Para o Planalto, as duas votações sinalizam que o governo terá ampla maioria no Congresso no segundo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Em conversas com interlocutores esta manhã, Lula disse estar certo de que a relação com deputados senadores nos próximos quatro anos será melhor que em seu primeiro mandato.

"O clima está distensionando no Congresso", disse o deputado Maurício Rands (PT-PE), que nesta manhã se reuniu com Lula no Planalto.

Já o líder do PTB na Câmara, deputado José Múcio (PE) --que participou ao lado da bancada petebista de reunião com o presidente nesta manhã --disse que Lula não escondeu a alegria com a votação do Supersimples e do Fundeb pelos deputados.

Em uma articulação da base governista, os parlamentares destrancaram a pauta de Câmara e colocaram em votação as duas matérias --consideradas prioritárias pelo governo.

"O presidente agradeceu o espírito [do Congresso] de colaborar [com o governo]. Ele disse que temos desafios e que precisamos destravar o país e a economia. O governo terá relação com o parlamento diferente do primeiro governo, que todos nós sabemos que não foi exitosa", disse Múcio.

Entre as prioridades de Lula em seu segundo mandato, está manter o diálogo freqüente com as principais lideranças de partidos aliados no Congresso para garantir a base sólida no parlamento. "O presidente disse, mais uma vez, que deseja conversar com todos os líderes pelo menos uma vez por mês", afirmou Múcio.

Oposição no Senado

No Palácio do Planalto, a avaliação é que a situação do governo na Câmara é mais confortável que no Senado. Enquanto os deputados conseguiram avançar em temas de interesse do governo esta semana, os senadores aprovaram o projeto de lei que cria um benefício ao programa Bolsa Família correspondente ao 13º salário --com impacto de até R$ 700 milhões aos cofres públicos.

Aliados de Lula temem que o cenário se repita a partir do ano que vem na nova legislatura do Congresso, com o PFL entre os partidos com o maior número de senadores eleitos, ao lado do PMDB.

Nos próximos dias, Lula pretende receber senadores peemedebistas que anunciaram oposição ao governo federal mesmo depois do embarque o partido no governo selada nesta quarta-feira pelo presidente da legenda, Michel Temer (PMDB-SP). Lula quer conversar, em especial, com o ex-governador de Pernambuco Jarbas Vasconcellos (PMDB), com quem avalia ter um canal de diálogo aberto para discutir a governabilidade.

Além de Jarbas, Lula quer se reunir com Joaquim Roriz (DF), Mão Santa (PI), Garibaldi Alves (RN), Almeida Lima (SE) e Geraldo Mesquita (AC). Mesmo insistindo em se manter na oposição, os senadores "rebeldes" do PMDB avisaram que estão abertos para dialogar com o presidente Lula.

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