Brasil
18/12/2006 - 12h49

Deputado petista quer levar decisão sobre reajuste salarial ao plenário

GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília

O deputado Walter Pinheiro (PT-BA) vai apresentar um projeto de decreto legislativo na Mesa do Congresso Nacional para tentar barrar o reajuste de 91% nos salários de deputados e senadores, aprovado na semana passada pelas Mesas Diretoras da Câmara e do Senado. Pinheiro alega que as Mesas devem submeter a decisão aos parlamentares durante votação no plenário.

O deputado vai pedir apoio da bancada do PT na Câmara para a apresentação do projeto, mas está disposto a agir sozinho caso o partido não formalize posição contrária ao reajuste.

Além de barrar o aumento, o deputado disse que o projeto vai estabelecer critérios para o reajuste salarial de parlamentares --o que inclui proibir a equiparação dos subsídios do Congresso aos dos ministros do STF (Supremo Tribunal Federal). "Juiz tem carreira, parlamentar tem mandato, são coisas diferentes. Eu não tenho que ganhar o teto salarial do funcionalismo. Essa é uma matéria que não pode ser decidida sem votação", defendeu.

O projeto, no entanto, precisa ser votado pela Câmara e pelo Senado antes de entrar em vigor --o que é praticamente impossível de acontecer com menos de uma semana para o fim dos trabalhos da atual legislatura do Congresso. Apesar do esvaziamento do Poder Legislativo às vésperas do Natal, Pinheiro acredita na aprovação da matéria.

"Na quarta-feira teremos sessão da Câmara e na quinta-feira teremos sessão do Congresso. Se a gente não enfrentar isso agora, vamos ficar em silêncio durante todo o recesso de janeiro e os novos deputados não poderão fazer nada contra o reajuste", disse.

PT dividido

O presidente interino do PT, Marco Aurélio Garcia, deve se reunir hoje com os líderes do partido na Câmara e no Senado para discutir uma posição da sigla sobre como proceder diante do aumento nos salários dos parlamentares.

A "saia justa" no PT se deu por conta do líder do governo na Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), que, candidato à presidência da Casa, apoiou o aumento dos salários, a exemplo do que fez Aldo Rebelo (PC do B-SP), atual presidente.

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