24/12/2006
-
09h47
FERNANDA KRAKOVICS
da Folha de S.Paulo, em Brasília
As distorções no pagamento dos salários do Congresso Nacional não se resumem à discussão sobre os vencimentos de deputados federais e senadores, que, por pouco, não foram aumentados em 91%. Amparados pela lei, servidores acumulam supersalários que, muitas vezes, chegam a ser superiores aos dos próprios parlamentares.
Quatro funcionários da Câmara dos Deputados e 17 do Senado consomem dos cofres públicos mais do que os R$ 24,5 mil mensais.
O valor corresponde, supostamente, ao teto do funcionalismo público, que ainda não foi regulamentado nem no Poder Legislativo nem no Executivo.
Trata-se, na maioria dos casos, de ex-diretores ou de pessoas que já ocuparam certos cargos de destaque nas Casas, como, por exemplo, a Secretaria-Geral da Mesa. Seus salários são pagos integralmente pelas duas Casas.
Distorções
Há ainda distorções, como no caso de funcionária de 67 anos que ocupa o cargo de "técnico legislativo/ agente de serviços legislativos/ serviço de atendimento" da Câmara.
Uma espécie de contínua do comitê de imprensa da Casa, ela recebe mensalmente pelo menos R$ 12,8 mil brutos, o mesmo salário dos parlamentares. Geralmente, a remuneração dessa servidora é ainda maior, devido ao pagamento de horas extras.
As tarefas principais dela, que estudou até a quinta série do ensino fundamental, são tirar xerox, fazer café, organizar jornais e correspondências e atender o telefone.
Em dezembro, ela recebeu R$ 24.751 brutos, por conta do pagamento de uma parcela do aumento previsto no plano de carreira dos servidores, retroativo a janeiro de 2006, e que significou um acréscimo médio de aproximadamente 30% nos salários. O último aumento dos funcionários da Casa, de 15%, foi concedido em 2005.
Ela entrou na Câmara em 1978, como copeira. Anos depois, foi transferida para o comitê de imprensa da Casa. Hoje, entre os servidores concursados, o salário pago para esse cargo --técnico legislativo-- é o menor da Câmara para os funcionários em início de carreira. Eles recebem R$ 2.400 e é preciso ter o segundo grau completo. O maior salário da Casa, também em início de carreira, é o de consultor legislativo, que recebe R$ 14 mil mensais.
Casos antigos
Os supersalários pagos pela Câmara e pelo Senado devem-se basicamente à incorporação de gratificações e de vantagens pessoais aos vencimentos dos servidores ao longo dos anos.
O presidente do Sindilegis (Sindicato dos Servidores do Poder Legislativo), Ezequiel Nascimento, afirmou que esses casos são de servidores mais antigos, já que a reforma administrativa feita em 1998 aboliu esses benefícios para os funcionários que entraram no serviço público a partir de então.
Sem concurso
A maioria das distorções existentes na Câmara se concentra em um grupo de 450 funcionários. Segundo dados oficiais da instituição, eles entraram na Casa sem concurso público e têm pouca qualificação, não estando aptos sequer a receber treinamento. Todos têm mais de 20 anos de Casa. Desde 1982, o ingresso no quadro efetivo só se dá por concursos. Quem ocupa "cargos de confiança" não está sujeito a essa exigência.
Leia mais
Livro de Leôncio Martins Rodrigues analisa perfil da Câmara dos Deputados
Livro "Políticos do Brasil" mostra evolução do patrimônio dos deputados
Sugestões de congressistas ao Planalto são ignoradas
"Delubização" de "aloprados" derrota PF
Lula diz ter "absoluta confiança" na inocência de Mercadante
Especial
Leia o que já foi publicado sobre os supersalários
Câmara e Senado têm 21 servidores com supersalários
Publicidade
LETÍCIA SANDERFERNANDA KRAKOVICS
da Folha de S.Paulo, em Brasília
As distorções no pagamento dos salários do Congresso Nacional não se resumem à discussão sobre os vencimentos de deputados federais e senadores, que, por pouco, não foram aumentados em 91%. Amparados pela lei, servidores acumulam supersalários que, muitas vezes, chegam a ser superiores aos dos próprios parlamentares.
Quatro funcionários da Câmara dos Deputados e 17 do Senado consomem dos cofres públicos mais do que os R$ 24,5 mil mensais.
O valor corresponde, supostamente, ao teto do funcionalismo público, que ainda não foi regulamentado nem no Poder Legislativo nem no Executivo.
Trata-se, na maioria dos casos, de ex-diretores ou de pessoas que já ocuparam certos cargos de destaque nas Casas, como, por exemplo, a Secretaria-Geral da Mesa. Seus salários são pagos integralmente pelas duas Casas.
Distorções
Há ainda distorções, como no caso de funcionária de 67 anos que ocupa o cargo de "técnico legislativo/ agente de serviços legislativos/ serviço de atendimento" da Câmara.
Uma espécie de contínua do comitê de imprensa da Casa, ela recebe mensalmente pelo menos R$ 12,8 mil brutos, o mesmo salário dos parlamentares. Geralmente, a remuneração dessa servidora é ainda maior, devido ao pagamento de horas extras.
As tarefas principais dela, que estudou até a quinta série do ensino fundamental, são tirar xerox, fazer café, organizar jornais e correspondências e atender o telefone.
Em dezembro, ela recebeu R$ 24.751 brutos, por conta do pagamento de uma parcela do aumento previsto no plano de carreira dos servidores, retroativo a janeiro de 2006, e que significou um acréscimo médio de aproximadamente 30% nos salários. O último aumento dos funcionários da Casa, de 15%, foi concedido em 2005.
Ela entrou na Câmara em 1978, como copeira. Anos depois, foi transferida para o comitê de imprensa da Casa. Hoje, entre os servidores concursados, o salário pago para esse cargo --técnico legislativo-- é o menor da Câmara para os funcionários em início de carreira. Eles recebem R$ 2.400 e é preciso ter o segundo grau completo. O maior salário da Casa, também em início de carreira, é o de consultor legislativo, que recebe R$ 14 mil mensais.
Casos antigos
Os supersalários pagos pela Câmara e pelo Senado devem-se basicamente à incorporação de gratificações e de vantagens pessoais aos vencimentos dos servidores ao longo dos anos.
O presidente do Sindilegis (Sindicato dos Servidores do Poder Legislativo), Ezequiel Nascimento, afirmou que esses casos são de servidores mais antigos, já que a reforma administrativa feita em 1998 aboliu esses benefícios para os funcionários que entraram no serviço público a partir de então.
Sem concurso
A maioria das distorções existentes na Câmara se concentra em um grupo de 450 funcionários. Segundo dados oficiais da instituição, eles entraram na Casa sem concurso público e têm pouca qualificação, não estando aptos sequer a receber treinamento. Todos têm mais de 20 anos de Casa. Desde 1982, o ingresso no quadro efetivo só se dá por concursos. Quem ocupa "cargos de confiança" não está sujeito a essa exigência.
Leia mais
Especial

