Brasil
15/01/2007 - 10h16

Analistas destacam importância de novos documentos dos EUA

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da Folha de S.Paulo

O governo dos EUA liberou desde o ano passado, por meio da Lei de Liberdade de Informação, 4.684 telegramas relacionados ao Brasil, dos quais 634 foram produzidos pela embaixada em Brasília e 193 pelo consulado em São Paulo.

Os telegramas "brasileiros" integram uma massa de 200 mil trocas de correspondência do serviço diplomático americano ao redor do mundo entre 1973 e 1974.

Os documentos podem ser acessados pelo site do Foia (Freedom of Information Act) na internet, em www.foia.state.gov, a partir do botão sobre as coleções de documentos desclassificados e liberados. A Folha traduziu 20 documentos para o português e os colocou na internet.

O jornalista Elio Gaspari, autor de vasta obra sobre o regime militar, dividida em quatro volumes, revelou a liberação dos documentos em sua coluna na Folha, em agosto último. Para ele, "os documentos são muito bons, um tesouro".

Parte dos documentos foi analisada por Kenneth Serbin, professor de história da Universidade de San Diego, na Califórnia, e presidente da Brasa (Brazilian Studies Association), que reúne cerca de 500 estudiosos sobre o Brasil nos EUA, Europa e Brasil, e por Matias Spektor, professor de relações internacionais de Oxford e autor de uma tese de doutorado sobre as relações Brasil-EUA no governo Geisel.

"São documentos muito importantes, principalmente em relação aos direitos humanos. Mostram que os EUA estavam informadíssimos sobre o que estava acontecendo no Brasil. Mostram que poderiam ter tido uma atitude mais firme. Os documentos confirmam que a política global dos EUA naquele momento era a de apoiar as ditaduras, não fazer barulho, porque os ditadores eram aliados na luta contra o comunismo", disse Serbin.

Além das denúncias sobre violação de direitos humanos, os telegramas tratam também da questão nuclear.

Em 1974, um telegrama advertiu Washington: "O futuro presidente Geisel, do Brasil, é descendente em primeira geração de alemães, e acredita-se que seja simpático a uma cooperação mais estreita entre o Brasil e a Alemanha Ocidental. Engenheiros norte-americanos trabalhando com a CBTN [Companhia Brasileira de Tecnologia Nuclear] e com o grupo de eletricidade Furnas para a instalação do primeiro reator brasileiro estão profundamente preocupados com a ascensão da influência alemã na orientação do programa nuclear do Brasil".

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