20/01/2007
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09h31
RAPHAEL GOMIDE
PEDRO SOARES
da Folha de S.Paulo, no Rio
Uma discussão protagonizada pelos presidentes Hugo Chávez, da Venezuela, e Evo Morales, da Bolívia, de um lado, com Álvaro Uribe, da Colômbia, do outro, resumiu a divisão do bloco ao final do encontro.
A origem do bate-boca foi a fala de Morales sobre o suposto mau resultado econômico da Colômbia, apesar dos investimentos dos Estados Unidos no país, "a pretexto de combater o narcotráfico".
"Se olharmos o crescimento econômico na América Latina, os que mais vivem sua identidade e soberania, os antiimperialistas, cresceram economicamente. Em 2005, o primeiro foi Cuba, depois vieram a Argentina e a Venezuela. Tenho lido sobre a Colômbia, onde os Estados Unidos, a pretexto do combate ao narcotráfico, investiram milhões de dólares, mas a Colômbia teve déficit comercial e fiscal", disse o boliviano.
Uribe esperou pela sua vez. Iniciou sua fala se mostrando surpreso. "Na longa conversa que tive com o presidente Morales, não tive a oportunidade de ouvir dele as críticas que ele fez à Colômbia."
Em seguida, Uribe começou um longo discurso em que explicou os resultados econômicos do país, comentou o relacionamento com os países da região e apontou a diferença entre o movimento social boliviano e a guerrilha colombiana, que qualificou de "movimento terrorista". Também lembrou que no ano passado a Colômbia exportou pouco mais de US$ 5 milhões à Bolívia, mas importou US$ 173 milhões.
"Na Colômbia, assassinavam 160 líderes sociais por ano. A política tinha que se submeter à guerrilha ou aos paramilitares. Tivemos que passar por três processos eleitorais até recuperar a liberdade. A luta na Colômbia é muito diferente da luta na Bolívia", afirmou Uribe.
Ao final de sua fala, Uribe pediu desculpas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que antes havia chamado a atenção de Chávez por ele ter extrapolado o tempo de seu discurso. Ele disse que se desculpava, mas havia passado dos 13 minutos permitidos a cada presidente "por culpa de Morales". Foi quando o clima esquentou.
"Superdimensionada"
Chávez saiu em defesa do colega boliviano e criticou Uribe por ter "superdimensionado" as declarações de Morales. "Só um comentário, presidente Uribe: sua reação foi superdimensionada", afirmou. "Superdimensionada, com respeito ou sem respeito?", perguntou Uribe. "Somente superdimensionada", respondeu Chávez.
"Desculpe presidente, mas quando a Colômbia foi mencionada, você tem de reconhecer o meu direito legítimo de esclarecer", reagiu Uribe.
Depois do bate-boca com Uribe, Chávez disse que a resposta do presidente colombiano ao colega da Bolívia, Evo Morales, foi "superdimensionada", o que motivou sua reação e sua defesa ao boliviano.
"Eu creio que o Uribe respondeu, mas superdimensionou a resposta. Dedicou quase toda a sua intervenção [na reunião] ao Evo", disse.
Na avaliação de Chávez, o presidente da Bolívia é um "índio", um "homem puro e autêntico", que sempre fala "com o coração". Diante de tais características, disse, ele "não falou por maldade nem com má-fé". "Fez apenas um comentário."
Lacônico, o presidente da Colômbia fez apenas uma breve comentário sobre o episódio ao sair da reunião: "Discussões fazem parte da democracia".
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CLÁUDIA DIANNIRAPHAEL GOMIDE
PEDRO SOARES
da Folha de S.Paulo, no Rio
Uma discussão protagonizada pelos presidentes Hugo Chávez, da Venezuela, e Evo Morales, da Bolívia, de um lado, com Álvaro Uribe, da Colômbia, do outro, resumiu a divisão do bloco ao final do encontro.
A origem do bate-boca foi a fala de Morales sobre o suposto mau resultado econômico da Colômbia, apesar dos investimentos dos Estados Unidos no país, "a pretexto de combater o narcotráfico".
"Se olharmos o crescimento econômico na América Latina, os que mais vivem sua identidade e soberania, os antiimperialistas, cresceram economicamente. Em 2005, o primeiro foi Cuba, depois vieram a Argentina e a Venezuela. Tenho lido sobre a Colômbia, onde os Estados Unidos, a pretexto do combate ao narcotráfico, investiram milhões de dólares, mas a Colômbia teve déficit comercial e fiscal", disse o boliviano.
Uribe esperou pela sua vez. Iniciou sua fala se mostrando surpreso. "Na longa conversa que tive com o presidente Morales, não tive a oportunidade de ouvir dele as críticas que ele fez à Colômbia."
Em seguida, Uribe começou um longo discurso em que explicou os resultados econômicos do país, comentou o relacionamento com os países da região e apontou a diferença entre o movimento social boliviano e a guerrilha colombiana, que qualificou de "movimento terrorista". Também lembrou que no ano passado a Colômbia exportou pouco mais de US$ 5 milhões à Bolívia, mas importou US$ 173 milhões.
"Na Colômbia, assassinavam 160 líderes sociais por ano. A política tinha que se submeter à guerrilha ou aos paramilitares. Tivemos que passar por três processos eleitorais até recuperar a liberdade. A luta na Colômbia é muito diferente da luta na Bolívia", afirmou Uribe.
Ao final de sua fala, Uribe pediu desculpas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que antes havia chamado a atenção de Chávez por ele ter extrapolado o tempo de seu discurso. Ele disse que se desculpava, mas havia passado dos 13 minutos permitidos a cada presidente "por culpa de Morales". Foi quando o clima esquentou.
"Superdimensionada"
Chávez saiu em defesa do colega boliviano e criticou Uribe por ter "superdimensionado" as declarações de Morales. "Só um comentário, presidente Uribe: sua reação foi superdimensionada", afirmou. "Superdimensionada, com respeito ou sem respeito?", perguntou Uribe. "Somente superdimensionada", respondeu Chávez.
"Desculpe presidente, mas quando a Colômbia foi mencionada, você tem de reconhecer o meu direito legítimo de esclarecer", reagiu Uribe.
Depois do bate-boca com Uribe, Chávez disse que a resposta do presidente colombiano ao colega da Bolívia, Evo Morales, foi "superdimensionada", o que motivou sua reação e sua defesa ao boliviano.
"Eu creio que o Uribe respondeu, mas superdimensionou a resposta. Dedicou quase toda a sua intervenção [na reunião] ao Evo", disse.
Na avaliação de Chávez, o presidente da Bolívia é um "índio", um "homem puro e autêntico", que sempre fala "com o coração". Diante de tais características, disse, ele "não falou por maldade nem com má-fé". "Fez apenas um comentário."
Lacônico, o presidente da Colômbia fez apenas uma breve comentário sobre o episódio ao sair da reunião: "Discussões fazem parte da democracia".
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