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27/01/2007 - 09h02

"Agora, ou vai ou racha", diz Lula sobre o crescimento

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CLÓVIS ROSSI
SHEILA D'AMORIM
da Folha de S.Paulo, em Davos

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recorreu a uma das frases extraídas da fala popular para cunhar o que soa como slogan para seu segundo governo: "Agora, ou vai ou racha", disparou Lula ao discursar, pela manhã, em sessão plenária do encontro anual 2007 do Fórum Econômico Mundial.

Estava falando da necessidade de modernização dos portos, como parte do esforço de crescimento acelerado. Mas, no começo da noite, em entrevista coletiva, estendeu o "vai ou racha" ao crescimento econômico como um todo. "Não há nenhuma razão para o Brasil não crescer", afirmou.

Qualificou também o crescimento, ao comparar dados do período Juscelino Kubitschek (1956-61) e do chamado "milagre econômico" do regime militar (1968-73). No primeiro, pelas suas contas, o crescimento foi na média de 7% ao ano, três vezes mais que a média do primeiro período Lula, mas "com inflação de 23%".

No "milagre econômico", o crescimento superava 10%, com um pico de 13,94% em 1973, "mas com queda de 3,4% do salário mínimo".

O presidente não comentou o fato de que essa etapa foi conduzida, na economia, por Antonio Delfim Netto, hoje um de seus conselheiros econômicos.

Agora, sempre segundo Lula, a pergunta a fazer não é só sobre se está havendo crescimento, mas "se está havendo distribuição de renda". Completou: "Se não estiver, não resulta em ganho para a sociedade".

A ênfase no crescimento como característica desejada do segundo mandato foi tamanha que Lula reincidiu no hábito de dizer que faz coisas que nenhum governo jamais fez no Brasil. Exemplo: sobre o recém-lançado PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), disse duvidar "que, em algum momento, tenha sido lançado um programa com substância, começo, meio e fim".

Confiante na qualidade do PAC, Lula convocou os empresários --clientela básica do fórum de Davos-- a conhecê-lo de perto: "Se quiserem ganhar dinheiro e ter sucesso no investimento". O PAC, disse o presidente, "é apenas o começo", anunciando para março um programa educacional.

Voltou aos superlativos, ao falar dos R$ 140 bilhões que o PAC promete para investimentos em habitação e saneamento básico. "Será uma pequena revolução, a começar pelas regiões metropolitanas", disse.
A sedução ao empresariado não evitou, porém, menção a um papel mais relevante para o Estado, uma das características, aliás, do PAC.

Foi justamente no momento em que falava das parcerias com o setor privado para obras de infra-estrutura. Queixou-se de que, "muitas vezes, os empresários são muito desconfiados na hora de fazer um investimento. O governo não pode ficar esperando". Citou então os portos em que o governo espera há três anos por obras de dragagem. Foi aí que encaixou a frase que disse ser de jogador de futebol: "Agora, ou vai ou racha".

Biodiesel

Outra isca, tanto para empresários como para governantes, foi o biodiesel (o óleo combustível que pode ser produzido a partir de diferentes sementes, como mamona, dendê e soja).

Mas Lula não vendeu o biodiesel ou o etanol, combustíveis alternativos e limpos nos quais o Brasil é especialista destacado, como projeto para o próprio país. Disse que o programa brasileiro poderia servir de exemplo para os países ricos financiarem projetos na África. Até ironizou a iniciativa do governo dos EUA de produzir óleo a partir do milho, sugerindo que o milho fosse deixado para alimentação animal.

Mais tarde, na entrevista coletiva aos jornalistas brasileiros, Lula foi ainda mais enfático na defesa do etanol e do biodiesel, como "benefícios para a humanidade". Defendeu que os EUA adotassem programas de produção de etanol na América Central, vinculou-os à Rodada Doha de negociação comercial, ora estancada, para terminar:
"Comércio vinculado a uma política de desenvolvimento [como a que sugerira para a América Central] poderia ser a cara do século 21."

O único momento em que Lula permitiu-se uma ponta de inquietação, em uma seqüência de pronunciamentos ultra-otimistas, foi ao dizer que, em havendo aumento da demanda, como conseqüência do aquecimento maior da economia, poderia ocorrer "o pior dos mundos", qual seja, a oferta ser pequena para a nova demanda, levando "as pessoas a tentarem aumentar os preços".

Mas, como é óbvio, afastou liminarmente essa possibilidade no Brasil, que prometeu deixar bem melhor do que recebeu.

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