Brasil
11/02/2007 - 09h48

Palocci vê "nervosismo", mas diz que importação fará ajuste no câmbio

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FLÁVIA MARREIRO
da Folha de S.Paulo

O deputado Antonio Palocci (PT-SP) detecta "um certo nervosismo com a excessiva valorização do câmbio". Mas, segundo o ex-ministro da Fazenda, não se pode ministrar calmante: é "deixar vir a importação", que o ajuste do câmbio, pelo comércio, "normalmente virá".

Ele se compadece das "preocupações" dos empresários com o real forte --defende proteção para setores sensíveis, mas a fé segue inabalável no câmbio livre, "que é o que mais ajuda o país". Não faz menção à queda de juros. Aos reclamadores de mudança, lembra que alta do dólar também prejudicaria a renda do trabalhador.

As declarações de Palocci são de anteontem, feitas depois de cumprimentar um a um os 19 espectadores de sua palestra na Casa do Saber --centro de estudos extracurriculares da classe alta, em São Paulo. O tema: "A Polêmica do Crescimento".

Mas para o petista há pouco espaço para polêmica ou constrangimento (em 2005, sob seu comando, a economia cresceu 2,3%, só mais que o Haiti).

Começa dizendo que o Brasil "não está satisfeito". Mas há explicação: o país não cumpriu itens da receita de sete pontos para um crescimento de longo prazo. Há os já alcançados, como controle de preços e fiscal (sem inflação, nem alta nem moderada, "que a experiência mundial" prova que não funciona), e outros a trabalhar, como nível de investimento.

É quando ele cita o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), lançado no mês passado. Sem arroubos de entusiasmo, diz que o programa foca o investimento --portanto faz parte de sua receita-- e traz medidas de impacto na diminuição do gasto público (outro ponto da receita), como a fórmula para o reajuste do salário mínimo e do funcionalismo (mas pondera: "Não sei se essas medidas serão aprovadas").

Palocci deixou o governo em março de 2006, em meio a um escândalo em que é acusado de participar na violação do sigilo bancário de um caseiro. Na sala, porém, não se mostraram interessados nisso.

Plácido, ele continua o "moderado" --ele se descreveu assim-- encantador de moderados, ortodoxos e antipetistas.

Aliás, os presentes também quase se esquecem que ele é do PT. Um senhor pergunta sobre a proposta "antidemocrática" de uma ala do "partido do governo", não o do ex-ministro, de fazer plebiscitos sem passar pelo Congresso. Palocci diz não saber do tema. Explicam-no.

Ele opina: elogia plebiscitos, mas adverte para riscos "de populismo". Não cita nomes nem se contrapõe à idéia. Sai ileso. Que venha a próxima pergunta.

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