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Brasil
09/03/2007 - 09h44

Bush inicia agenda em SP e discute acordo sobre biocombustíveis

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da Folha Online

O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, chegou na noite de ontem em São Paulo e inicia sua agenda de compromissos no Brasil nesta manhã. Na pauta do encontro entre Bush e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva está o aprofundamento da cooperação bilateral na área de biocombustíveis. No encontro deverá ser assinado o memorando de entendimento entre o Brasil e os Estados Unidos para avançar a cooperação em biocombustíveis.

Pela manhã, antes do encontro com Lula, Bush visitará uma unidade da Transpetro, subsidiária da Petrobras, em Guarulhos, na Grande São Paulo.

Na seqüência Bush se reúne com o presidente Lula no Hotel Hilton Morumbi, na zona sul de São Paulo, onde almoçam juntos e fazem um pronunciamento. Bush ainda aproveitará a tarde para assistir a uma apresentação da ONG Meninos do Morumbi.

Biocombustíveis

O presidente norte-americano chegou a afirmar que a queda da tarifa de exportação de US$ 0,54 por galão do combustível cobrada ao Brasil pelos EUA está fora de cogitação.

"O tema das tarifas não está na mesa de negociações", disse no mês passado, em palestra no evento "Etanol, Biodiesel e a Revolução dos Biocombustíveis", no Brazil Institute do Wilson Center, em Washington.

A idéia de Bush é que seu irmão caçula Jeb e a Interamerican Ethanol Comission façam a ponte entre empresários do setor dos dois países. A comissão interamericana do etanol foi criada em dezembro e é comandada pelo republicano, pelo ex-ministro da Agricultura de Lula, Roberto Rodrigues, e pelo colombiano Luís Alberto Moreno, presidente do BID.

A organização ambientalista Greenpeace criticou esse possível acordo. Marcelo Furtado, do Greenpeace, disse 'ser inconveniente para o desenvolvimento sustentável do Brasil' um acordo desse tipo.

"O Brasil emite 1 milhão de toneladas de gases tóxicos por ano e 75% desse total é por causa desmatamento provocado com queimadas. Nós nos perguntamos qual o tamanho da área que deverá ser semeada para satisfazer a demanda dos Estados Unidos e se esse aumento irá gerar emissão de gases de efeito estufa", disse Furtado.

Segurança

No total, o esquema de segurança feito para Bush reúne cerca de 4.000 homens entre policiais civis, militares, federais e rodoviários, bombeiros, guardas civis metropolitanos e soldados do Exército. Só a PM (Polícia Militar) irá disponibilizar 1.000 homens, 300 veículos --entre carros, motos e veículos pesados--, além de 24 cavalos.

Ruas próximas ao hotel onde Bush está hospedado foram interditadas. Barracos foram retirados de vias por onde o presidente transita durante sua permanência em São Paulo e a prefeitura providenciou o recolhimento do lixo e o corte da grama.

Protesto

Lojas do McDonald's atacadas, bandeiras dos EUA queimadas, bonecos de George W. Bush enforcados. Cerca de 23 mil pessoas foram às ruas em 17 Estados do país ontem para protestar contra a chegada do presidente norte-americano a São Paulo.

A maior manifestação reuniu cerca de 6.000 pessoas --segundo a Polícia Militar-- na avenida Paulista, na região central de São Paulo. Os organizadores do ato contabilizaram a participação de 10 mil pessoas no protesto.

Manifestantes e policiais entraram em confronto durante o protesto, que durou mais de três horas. Cerca de 20 pessoas --entre policiais, manifestantes e fotógrafos-- ficaram feridas.

Em São Luís, o governador Jackson Lago (PDT), usando um boné do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra), participou do enforcamento de um boneco representando Bush.

Na Bahia, 3.500 pessoas participaram de uma caminhada no centro de Salvador. Com um trio elétrico para animar o público, o protesto, comandado pelo Grupo Gay da Bahia, começou com a queima de três bonecos representando o presidente norte-americano.

Também houve manifestações em Goiânia, Fortaleza, Manaus, Porto Alegre, Belém e Belo Horizonte. Na Paraíba e em Mato Grosso, os manifestantes protestaram contra o avanço da fronteira agrícola da cana-de-açúcar --um dos temas da visita de George W. Bush.

Em Alagoas, Sergipe, Piauí, Espírito Santo e Paraná, também houve protestos anti-Bush nas ruas das capitais. Em Recife, os manifestantes queimaram um boneco que representava o presidente dos EUA, mas não conseguiram jogar tinta vermelha no consulado norte-americano, como pretendiam. A PM montou barreiras na rua, a 50 metros da representação diplomática, e impediu a aproximação do grupo.

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