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Brasil
16/04/2007 - 14h19

Delegado preso diz estar inconformado com acusações, afirma advogado

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ANDREZA MATAIS
da Folha Online, em Brasília

O delegado aposentado da Polícia Federal Carlos Pereira da Silva disse hoje estar inconformado com sua prisão. Ele foi preso com mais 24 pessoas durante a Operação Hurricane, deflagrada na sexta-feira passada pela Polícia Federal.

Ele foi o primeiro a depor hoje. Pereira foi detido, acusado de receber pelo menos entre R$ 40 mil e R$ 50 mil mensais de contraventores. Segundo seu advogado, Paulo Gazullo, o delegado aposentado disse estar "inconformado" com as acusações.

No final de semana, a PF tomou o depoimento de 17 pessoas. A expectativa é que os depoimentos terminem de ser tomados entre hoje e amanhã de amanhã.

Devem depor ainda hoje Luiz Paulo Dias de Matos (delegado aposentado da PF), Susie Pinheiro Dias de Matos (delegada da PF), Marcos Antonio Bretas dos Santos (delegado da Polícia Civil de Niterói), além de Jaime Dias e Paulo Lima (empresário do ramo de jogos).

Polícia Federal
imagens do dinheiro apreendido pela PF na Operação Hurricane (furacão, em inglês)
imagens do dinheiro apreendido pela PF na Operação Hurricane (furacão, em inglês)
A operação --que cumpriu 70 mandados de busca e apreensão-- envolve autoridades da Justiça, da Polícia Federal e do Carnaval do Rio. Eles são acusados de praticar os crimes de tráfico de influência, corrupção passiva e ativa, quadrilha e lavagem de dinheiro.

Ao mesmo tempo em que tomam depoimentos, a PF já começou a analisar a primeira remessa do material --cerca de duas toneladas, no total.

No material, os policiais buscam dados que auxiliem nos interrogatórios. Quase 50 agentes foram deslocados para analisar o material (documentos, agendas, anotações e computadores), que chegou ontem à Brasília. A primeira parte (cerca de uma tonelada) chegou em 99 malotes, que foram transportados até o edifício-sede da PF em duas vans.

A PF divulgou anteontem os valores e bens apreendidos durante a Operação Hurricane: R$ 10 milhões em dinheiro, R$ 5 milhões em cheques, US$ 300 mil, 34 mil euros e 400 libras. Também foram retidos 51 carros. O mais caro, uma Mercedes-Benz CLK 500, está avaliado em R$ 550 mil. A Polícia Federal informou que o dinheiro está depositado na Caixa Econômica Federal.

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