Brasil
03/05/2007 - 11h52

Relator diz que CPI do Apagão Aéreo não será "chapa-branca"

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GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília

Indicado pelo PT para a relatoria da CPI do Apagão Aéreo, o deputado Marco Maia (PT-RS) afirmou hoje que vai trabalhar de forma isenta nas investigações da comissão. Apesar de ser um fiel aliado do governo, Maia disse que não será um relator "chapa-branca".

Mas ele reconheceu que, como integrante do PT, vai defender os interesses do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

"Todo parlamentar que assume uma tarefa como essa tem responsabilidade de conduzi-la com a maior isenção possível. Não podemos descolar é que as pessoas que assumem vaga em CPI são políticos e têm posicionamento. Isso é legítimo. Eu sou defensor do presidente Lula", afirmou.

Maia disse não acreditar que a sua fidelidade ao governo tenha influenciado na sua escolha para o cargo. "O líder do partido [deputado Luiz Sérgio] usou critérios técnicos e políticos pela capacidade dos deputados contribuírem na solução da crise aérea."

Apesar do esforço da base aliada do governo para impedir a instalação da CPI e esvaziar os seus trabalhos, o relator disse não acreditar em pressões do Palácio do Planalto sobre a condução dos seus trabalhos. "Vamos investigar independentemente do partido ou do tema em questão. Eu não acredito em pressão do Palácio. Todos os atores envolvidos vão contribuir."

Cronograma

Maia é vice-líder do PT na Câmara e está em seu segundo mandato como deputado federal. O relator disse que, antes de definir seu cronograma de trabalhos na comissão, vai reunir as investigações já produzidas pela crise aérea e analisar as informações detalhadamente.

Apesar da operação-abafa do governo sobre a comissão, o deputado disse que vai incluir a Infraero nas investigações da CPI. "Vamos investigar tudo o que tiver conexão com a crise", afirmou.

Reportagem publicada hoje pela Folha mostra que a base aliada do governo na Câmara traçou um roteiro para abafar logo no início os trabalhos da CPI. O governo terá 15 dos 24 integrantes da comissão, uma margem confortável para controlar ritmo e alcance.

O mapa traçado pelo governo prevê que as primeiras duas sessões sejam uma espécie de "aula magna" sobre como funciona o espaço aéreo brasileiro. A partir daí, a comissão pararia por ao menos uma sessão para detalhar os procedimentos.

O primeiro foco seria o acidente com avião da Gol no ano passado, que matou 154 pessoas.
Isso seria suficiente, segundo esperam governistas, para esfriar as acusações contra a Infraero.

O governo sabe que é inevitável entrar nesse assunto em algum momento, mas quer adiá-lo o quanto puder. O argumento será que investigar a Infraero fugiria do escopo da CPI, previsto em sua criação.

Votação

Maia foi indicado pelo PT para assumir a relatoria, enquanto o PMDB escolheu o deputado Marcelo Castro (PI) para presidir a comissão. Os nomes dos dois parlamentares terão que ser submetidos à votação da CPI para serem formalizados.

Como os governistas são maioria na comissão, Castro e Maia devem ser aprovados sem ressalvas. A CPI será instalada nesta tarde pelo presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP).

Com Folha de S.Paulo

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