Brasil
17/05/2007 - 20h06

Desvios da quadrilha desarticulada chegam a R$ 31 mi

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ANDREZA MATAIS
da Folha Online, em Brasília

A organização criminosa desarticulada pela Operação Navalha, da Polícia Federal, desviou, ao menos R$ 31,101 milhões dos cofres públicos nos últimos anos. O despacho da ministra Eliana Calmon, do STJ (Superior Tribunal de Justiça), a que a Folha Online teve acesso, revela que a construtora Gautama recebeu dinheiro por obras que não realizou. Em um dos casos, o valor desviado do Ministério das Cidades foi de R$ 10 milhões.

Para conseguir a liberação do dinheiro, a empreiteira teria pago, pelo menos, R$ 1,057 milhão para governadores, secretários de Estado, servidores públicos e prefeitos. O valor das propinas varia de R$ 56 mil a R$ 240 mil.

A Folha Online apurou que a Gautama seria uma dissidência da OAS, empreiteira da Bahia. O empresário Zuleido Soares Vera teria rompido com a OAS e fundado a Gautama. A principal área de atuação da Gautama era nos Estados do Nordeste.

As propinas pagas pela empresa aos agentes públicos não foram apenas em espécie. O ex-governador do Maranhão José Reinaldo Tavares (PSB) teria recebido, em junho de 2006, um veículo Citröen modelo C5 no valor de R$ 110.350. Também foram distribuídas várias passagens aéreas e diárias em hotéis para Brasília. Era a empresa quem custeava as viagens de integrantes da quadrilha para a capital federal para que defendessem seus interesses.

O prefeito de Camaçari, Luiz Carlos Caetano (PT), teria recebido como propina convite para o camarote da Gautama no Carnaval de Salvador, além de passeios de lancha, passagens aéreas e hospedagem na cidade de Salvador.

O valor das propinas e do dinheiro desviado para a Gautama pode ser bem maior porque no despacho da ministra não há referencia a todas as cifras. A PF não confirmou o montante desviado.

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