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Brasil
24/05/2007 - 12h41

Lula pede para Tarso investigar excessos praticados pela Polícia Federal

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RENATA GIRALDI
da Folha Online, em Brasília

Na presença do conselho político, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva cobrou hoje do ministro da Justiça, Tarso Genro, que sejam investigados os supostos excessos praticados pela Polícia Federal durante as operações. "O presidente pediu que os excessos sejam apurados", afirmou o ministro Walfrido dos Mares Guia (Relações Institucionais). "Não foi uma ordem, foi uma manifestação de preocupação", acrescentou.

Durante a reunião, Lula ouviu solicitações de três parlamentares que pediram mais cuidado por parte da PF em suas ações. "Basta falar de lista que todo mundo fica apreensivo. Não pode ser assim", disse o líder do PMDB no Senado, Valdir Raupp (RO).

Ontem à noite, o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Gilmar Mendes acusou a PF de utilizar métodos "fascistas" na Operação Navalha --que desarticulou uma suposta quadrilha que fraudava licitações para realização de obras públicas.

O ministro disse ser uma "canalhice" o vazamento de informações pela PF sobre inquérito que tramita em segredo de Justiça. Mendes responsabilizou Tarso pelo vazamento de informações da Operação Navalha.

Ele disse ainda que a PF vem fazendo "terrorismo com a democracia" ao divulgar informações sigilosas em conta-gotas. "É cinismo falar em segredo de Justiça nesse momento. Cínico é o quadro que vivemos no país. É uma lógica absolutamente totalitária. Então, rasguem a Constituição."

CPI

De acordo com Mares Guia, o governo federal não fará pressão alguma para evitar a CPI da Navalha no Congresso. "Se o Congresso quiser instalar a CPI, tem poder para isso. Não existe recomendação alguma por parte do governo", disse ele.

No entanto, nos bastidores, a oposição afirma que vários deputados e senadores governistas recuaram da intenção de assinar os requerimentos para instauração da CPI por receio de eventuais reações por parte do Palácio do Planalto.

Reforma política

Os integrantes do conselho político insistiram em afirmar que o assunto que predominou a reunião realizada hoje pelo presidente da República foi a reforma política. De acordo com Mares Guia, apenas as questões relativas à fidelidade partidária e financiamento público de campanha têm consenso, já sobre voto em lista aberta não há acordo.

Alguns itens da reforma política aguardam votação em plenário na Câmara. Uma comissão geral formada na Casa vai se reunir na próxima semana para discutir o assunto. O primeiro item da pauta deste grupo de trabalho será a questão da fidelidade partidária.

Proposta aprovada na CCJ da Câmara (Comissão de Constituição e Justiça) define que parlamentares que trocam de partido no exercício do mandado correm risco de perderem o assento no Parlamento --pois o mandato pertence à legenda e não ao político.

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