24/05/2007
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16h14
da Folha Online, em Brasília
Um ato articulado por deputados favoráveis à instalação da CPI da Navalha no Congresso Nacional acabou em tumulto na tarde desta quinta-feira na Câmara. Enquanto o deputado Chico Alencar (PSOL-RJ), ao lado de outros parlamentares da chamada terceira via da Câmara, fazia um relato sobre a coleta de assinaturas para a instalação da comissão, o deputado Silvio Costa (PMN-PE) --que havia assinado o requerimento para instalar a CPI-- interrompeu o ato aos gritos para acusar o grupo de deputados de "mentirosos".
"Isso é uma palhaçada. Vou tirar a minha assinatura [do requerimento] agora. Eu não sou palhaço, não foi isso que combinamos. Vocês trabalham com demagogia. Acho importante acabar com essa palhaçada de alguns poucos que tripudiam com a imagem da Câmara", disse o deputado aos gritos.
Costa acusou Alencar, Luciana Genro (PSOL-RS), Raul Jungmann (PPS-PE), Fernando Gabeira (PV-RJ) e Luiza Erundina (PSB-SP) de estarem posando de "paladinos da ética". "Parece que os demais deputados não são éticos", gritou Costa.
Ao ouvir seu nome sendo citado pelo deputado, Luciana Genro partiu para cima de Costa --mas acabou contida por seguranças que tiveram que intervir no tumulto.
A discussão que quase provocou agressões físicas entre os parlamentares resume o clima de tensão instalado no Congresso em meio à suposta lista de deputados e senadores que estariam envolvidos em irregularidades descobertas pela Operação Navalha, da Polícia Federal.
Além de investigar as denúncias da PF, a CPI quer apurar se parlamentares receberam presentes ou mesmo propina da empresa Gautama em troca da liberação de emendas para a empreiteira --apontada como a coordenadora do esquema de fraudes desmontado pela Operação Navalha.
A terceira via acusou Costa de ter sido pressionado pelo Palácio do Planalto a retirar sua assinatura da CPI. "O senhor é sem vergonha. Não aceito isso. Quem fez a palhaçada é o senhor que quer justificar a retirada de sua assinatura", criticou Luciana Genro.
Alencar insinuou que o governo federal pressionou o parlamentar a desistir de apoiar a CPI. "Não sei se o ministro das Relações Institucionais ou outra força pressionou e agora ele quer retirar a assinatura. Essa reação atrai a mídia. É um escândalo para encobrir a investigação dos grandes escândalos. Muitas vezes as firmas dos deputados e senadores não são muito firmes por causa das pressões partidárias."
Assinaturas
A terceira via já reuniu 153 assinaturas na Câmara e 29 no Senado para a instalação da CPI da Navalha no Congresso.
No Senado, os parlamentares já atingiram o número mínimo de assinaturas necessárias para a instalação da CPI, que é de 27. Na Câmara, os deputados esperam conseguir até amanhã as 171 assinaturas necessárias para a apresentação do requerimento de abertura da comissão.
"Vamos tentar atingir esse número hoje. Se não conseguirmos, temos a semana que vem pela frente. Não estamos com nenhuma agonia", disse o deputado Augusto Carvalho (PPS-DF).
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Ato em favor da CPI da Navalha acaba em tumulto na Câmara
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GABRIELA GUERREIROda Folha Online, em Brasília
Um ato articulado por deputados favoráveis à instalação da CPI da Navalha no Congresso Nacional acabou em tumulto na tarde desta quinta-feira na Câmara. Enquanto o deputado Chico Alencar (PSOL-RJ), ao lado de outros parlamentares da chamada terceira via da Câmara, fazia um relato sobre a coleta de assinaturas para a instalação da comissão, o deputado Silvio Costa (PMN-PE) --que havia assinado o requerimento para instalar a CPI-- interrompeu o ato aos gritos para acusar o grupo de deputados de "mentirosos".
"Isso é uma palhaçada. Vou tirar a minha assinatura [do requerimento] agora. Eu não sou palhaço, não foi isso que combinamos. Vocês trabalham com demagogia. Acho importante acabar com essa palhaçada de alguns poucos que tripudiam com a imagem da Câmara", disse o deputado aos gritos.
Costa acusou Alencar, Luciana Genro (PSOL-RS), Raul Jungmann (PPS-PE), Fernando Gabeira (PV-RJ) e Luiza Erundina (PSB-SP) de estarem posando de "paladinos da ética". "Parece que os demais deputados não são éticos", gritou Costa.
Ao ouvir seu nome sendo citado pelo deputado, Luciana Genro partiu para cima de Costa --mas acabou contida por seguranças que tiveram que intervir no tumulto.
A discussão que quase provocou agressões físicas entre os parlamentares resume o clima de tensão instalado no Congresso em meio à suposta lista de deputados e senadores que estariam envolvidos em irregularidades descobertas pela Operação Navalha, da Polícia Federal.
Além de investigar as denúncias da PF, a CPI quer apurar se parlamentares receberam presentes ou mesmo propina da empresa Gautama em troca da liberação de emendas para a empreiteira --apontada como a coordenadora do esquema de fraudes desmontado pela Operação Navalha.
A terceira via acusou Costa de ter sido pressionado pelo Palácio do Planalto a retirar sua assinatura da CPI. "O senhor é sem vergonha. Não aceito isso. Quem fez a palhaçada é o senhor que quer justificar a retirada de sua assinatura", criticou Luciana Genro.
Alencar insinuou que o governo federal pressionou o parlamentar a desistir de apoiar a CPI. "Não sei se o ministro das Relações Institucionais ou outra força pressionou e agora ele quer retirar a assinatura. Essa reação atrai a mídia. É um escândalo para encobrir a investigação dos grandes escândalos. Muitas vezes as firmas dos deputados e senadores não são muito firmes por causa das pressões partidárias."
Assinaturas
A terceira via já reuniu 153 assinaturas na Câmara e 29 no Senado para a instalação da CPI da Navalha no Congresso.
No Senado, os parlamentares já atingiram o número mínimo de assinaturas necessárias para a instalação da CPI, que é de 27. Na Câmara, os deputados esperam conseguir até amanhã as 171 assinaturas necessárias para a apresentação do requerimento de abertura da comissão.
"Vamos tentar atingir esse número hoje. Se não conseguirmos, temos a semana que vem pela frente. Não estamos com nenhuma agonia", disse o deputado Augusto Carvalho (PPS-DF).
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