Ciência
31/10/2003 - 12h05

Segunda tempestade solar da semana atinge a Terra

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da Folha Online

Uma nova tempestade geomagnética causada por uma erupção solar --a segunda desta semana-- atingiu a Terra ontem durante a tarde e continua hoje, durante todo o dia, a descarregar íons na atmosfera. O fenômeno pode afetar satélites e redes de energia, além de provocar auroras boreais mais intensas.

A segunda erupção da semana ocorreu às 18h48 de quarta-feira (horário de Brasília) e começou a chegar à atmosfera terrestre ontem às 13h, segundo dados da Noaa (agência norte-americana para os oceanos e a atmosfera). Ela avançou a uma velocidade estimada entre 6,4 milhões e 8 milhões de quilômetros por hora.

A primeira tempestade geomagnética da semana, provocada por uma erupção registrada às 9h de terça-feira (28), atingiu a Terra com uma nuvem maciça de partículas ionizadas às 5h de quarta-feira (29).

Prevenção de estragos

Divulgação/Nasa
Telescópio Soho capta segunda erupção da semana; placa 'tapa' o Sol para facilitar análise do entorno
Não foram registradas quedas em redes de eletricidade ou comunicações, embora o Japão tenha perdido contato com dois satélites, aparentemente por conta do fenômeno.

Além disso, controladores de tráfego aéreo tiveram de alterar rotas de alguns vôos sobre o Atlântico devido à ausência de comunicação. Empresas que administram redes de energia reduziram a transmissão de força e evitaram trocas entre sistemas de distribuição. Alguns satélites foram desativados ou tiveram seus painéis solares recolhidos.

Embora as erupções estejam entre as 20 maiores já observadas pelos astrônomos norte-americanos, os efeitos foram menores do que se esperava porque já existe tecnologia suficiente para prever, com alguma antecedência, a chegada das tempestades à Terra e também sua intensidade, segundo especialistas ouvidos pelo site Space.com.

No chão e no ar

Para os cientistas, as tempestades solares não oferecem riscos para os humanos que habitam a superfície. Marca-passos e outros equipamentos médicos também não são afetados. Mas esse não é o caso de quem está mais próximo dos limites da atmosfera --ou até mesmo fora dela.

Por precaução, os dois tripulantes da Estação Espacial Internacional (ISS) receberam ordens no início da semana para que permanecessem, por vários períodos, no módulo russo Zvezda, protegido contra as radiações solares.

Além disso, segundo a FAA (agência de aviação norte-americana), a cada hora em um vôo de altitude elevada, um passageiro recebe quantidade de radiação equivalente a dois dias no solo.

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