15/03/2005
-
13h51
Cem anos atrás, Albert Einstein levava apenas alguns meses para assentar as bases da nova física, vigente até hoje.
Era 17 de março de 1905 quando Einstein enviou ao editor da respeitada revista alemã "Annalen der physik" (Anais da Física) o primeiro de uma série de seis artigos que escreveu naquele ano, quatro dos quais foram considerados posteriormente os pilares da física moderna.
Já no primeiro artigo, publicado em 9 de junho daquele ano, com o título "Sobre um ponto de vista heurístico relativo à geração e à transformação da luz", Einstein introduziu uma revolução ao dar uma interpretação quântica ao efeito fotoelétrico.
Embora a teoria das ondas de luz tivesse sido imposta um século antes, Einstein antecipou a idéia de que a energia é uma estrutura granular quantificada: se expressa em "pacotes" (quanta) e as próprias ondas são quantificadas. Dito de outro modo, a luz é, ao mesmo tempo, ondas e partículas, o que ainda hoje continua desafiando o senso comum.
Mas a comunidade científica não admitiu esta idéia até o início dos anos 1920, quando Einstein recebeu o Prêmio Nobel de Física (1921) "por suas contribuições para a física teórica".
O segundo artigo, redigido um mês depois com o título "Uma nova determinação das dimensões moleculares", trata do cômputo dos átomos ou das moléculas em um volume determinado.
O terceiro, recebido pela revista em 11 de maio, é dedicado ao movimento browniano, uma manifestação macroscópica da existência dos átomos: "Sobre o movimento requerido pela teoria cinética molecular do calor de pequenas partículas suspensas em um líquido estacionário".
Einstein completou este artigo com outro, enviado ao seu editor em dezembro e que foi publicado em 1906.
"Sobre a eletrodinâmica dos corpos em movimento", o quarto artigo e, sem dúvida, o mais conhecido, que chegou aos "Anais da física" em 30 de junho, é considerado o fundamento da relatividade, chamada mais tarde de "relatividade restrita".
Nele, Einstein questiona os princípios fundamentais da física, baseando-se em dois postulados que entram em conflito com a mecânica clássica: o da relatividade --enunciado dois séculos antes por Galileu, segundo o qual o movimento retilíneo e uniforme é tão natural como o repouso-- e o da velocidade constante da luz.
Por último, em 27 de setembro a revista recebeu o quinto artigo, intitulado "A inércia de um corpo depende de sua energia?", no qual ele expõe a equivalência entre massa e energia: se um corpo libera uma quantidade de energia 'E' em forma de luz, sua massa 'm' disminui na equação E/c2 (E dividido pela velocidade da luz ao quadrado). Portanto, E = mc2, que se tornaria a fórmula da física mais famosa da história.
Com sua noção de quanta de energia, Einstein assentava o fundamento da mecânica quântica. Em seu artigo sobre o movimento browniano, Einstein demonstrou a existência dos átomos e a possibilidade de contá-los. Com a teoria da relatividade restrita, estabelecia a noção de espaço-tempo.
Nos dez anos seguintes, com ajuda de seu amigo matemático Marcel Grossmann e após muito trabalho, generalizou esta teoria para torná-la uma teoria relativista da gravidade, a relatividade geral, base da cosmologia científica.
Especial
Leia o que já foi publicado sobre o físico Albert Einstein
Há cem anos Albert Einstein assentava as bases da nova física
da France PresseCem anos atrás, Albert Einstein levava apenas alguns meses para assentar as bases da nova física, vigente até hoje.
Era 17 de março de 1905 quando Einstein enviou ao editor da respeitada revista alemã "Annalen der physik" (Anais da Física) o primeiro de uma série de seis artigos que escreveu naquele ano, quatro dos quais foram considerados posteriormente os pilares da física moderna.
Já no primeiro artigo, publicado em 9 de junho daquele ano, com o título "Sobre um ponto de vista heurístico relativo à geração e à transformação da luz", Einstein introduziu uma revolução ao dar uma interpretação quântica ao efeito fotoelétrico.
Embora a teoria das ondas de luz tivesse sido imposta um século antes, Einstein antecipou a idéia de que a energia é uma estrutura granular quantificada: se expressa em "pacotes" (quanta) e as próprias ondas são quantificadas. Dito de outro modo, a luz é, ao mesmo tempo, ondas e partículas, o que ainda hoje continua desafiando o senso comum.
Mas a comunidade científica não admitiu esta idéia até o início dos anos 1920, quando Einstein recebeu o Prêmio Nobel de Física (1921) "por suas contribuições para a física teórica".
O segundo artigo, redigido um mês depois com o título "Uma nova determinação das dimensões moleculares", trata do cômputo dos átomos ou das moléculas em um volume determinado.
O terceiro, recebido pela revista em 11 de maio, é dedicado ao movimento browniano, uma manifestação macroscópica da existência dos átomos: "Sobre o movimento requerido pela teoria cinética molecular do calor de pequenas partículas suspensas em um líquido estacionário".
Einstein completou este artigo com outro, enviado ao seu editor em dezembro e que foi publicado em 1906.
"Sobre a eletrodinâmica dos corpos em movimento", o quarto artigo e, sem dúvida, o mais conhecido, que chegou aos "Anais da física" em 30 de junho, é considerado o fundamento da relatividade, chamada mais tarde de "relatividade restrita".
Nele, Einstein questiona os princípios fundamentais da física, baseando-se em dois postulados que entram em conflito com a mecânica clássica: o da relatividade --enunciado dois séculos antes por Galileu, segundo o qual o movimento retilíneo e uniforme é tão natural como o repouso-- e o da velocidade constante da luz.
Por último, em 27 de setembro a revista recebeu o quinto artigo, intitulado "A inércia de um corpo depende de sua energia?", no qual ele expõe a equivalência entre massa e energia: se um corpo libera uma quantidade de energia 'E' em forma de luz, sua massa 'm' disminui na equação E/c2 (E dividido pela velocidade da luz ao quadrado). Portanto, E = mc2, que se tornaria a fórmula da física mais famosa da história.
Com sua noção de quanta de energia, Einstein assentava o fundamento da mecânica quântica. Em seu artigo sobre o movimento browniano, Einstein demonstrou a existência dos átomos e a possibilidade de contá-los. Com a teoria da relatividade restrita, estabelecia a noção de espaço-tempo.
Nos dez anos seguintes, com ajuda de seu amigo matemático Marcel Grossmann e após muito trabalho, generalizou esta teoria para torná-la uma teoria relativista da gravidade, a relatividade geral, base da cosmologia científica.
Especial

