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12/08/2005 - 09h31

Brasil "ganha" dinossauro de 220 milhões de anos

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REINALDO JOSÉ LOPES
Enviado especial da Folha de S.Paulo ao Rio

A história para lá de complicada da origem dos dinossauros deve ganhar em breve um novo capítulo brasileiro. Trata-se de um animal extremamente primitivo, herbívoro, que pode se tornar o primeiro membro de um grupo que, até então, não tinha fósseis registrados no país.

Oriundo das rochas da formação Santa Maria, perto do município gaúcho de Agudo, o animal era um ornitísquio, grande grupo de dinos comedores de plantas cujos representantes mais famosos são os estegossauros (os das placas de osso nas costas) e os chifrudos Triceratops. O bicho do Rio Grande do Sul, no entanto, é bem mais antigo: rondou a região no fim do Período Triássico, há uns 220 milhões de anos, o que o coloca na companhia de alguns dos mais velhos dinossauros.

"Antes disso, aqui no Brasil nós só tínhamos ocorrências de pegadas desses animais, e mesmo assim muito recentes, do Cretáceo ou no máximo do fim do Jurássico [ou seja, a partir de 150 milhões de anos atrás]", conta Max Cardoso Langer, paleontólogo da USP de Ribeirão Preto que está estudando a provável nova espécie.

Os rastros vinham da Paraíba e de Araraquara, no interior paulista, mas obviamente não podiam fornecer quase nenhuma informação sobre os bichos além da classificação num grupo amplo.

Tudo mudou com o novo fóssil, apresentado nesta quinta-feira durante o 2º Congresso Latino-Americano de Paleontologia de Vertebrados, que acaba nesta sexta no Rio de Janeiro. O animal, apesar de muito primitivo (e, portanto, com poucas diferenças marcantes em relação a outras espécies de dino do período), tem alguns traços que o ligam definitivamente ao grupo.

Bom de bico

Descrito por Langer em parceria com o paleontólogo Jorge Ferigolo, da Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul, o bicho era um tampinha se comparado aos representantes mais recentes do seu grupo: não tinha mais que 1,5 m de comprimento. Os genes da família, no entanto, são dedurados pela presença, um tanto incipiente ainda, é verdade, do chamado osso pré-dentário. Trata-se de uma projeção óssea no "queixo" da criatura, sem dentes, ao contrário do resto da mandíbula.

"O nosso bicho tinha um bico córneo que era apoiado justamente por essa extremidade banguela", explica Langer. No entanto, o pré-dentário não está tão bem-formado nos espécimes gaúchos quanto nos ornitísquios "clássicos" --o que até seria de esperar, considerando a idade.

De completo a provável nova espécie não tem nada: a equipe achou cacos isolados do maxilar e da mandíbula, vértebras da cauda, ossos da perna e do quadril, entre outras coisas. "O pior é que achamos nada menos que 12 fêmures direitos e nenhum esquerdo. Vai saber o porquê", brinca Langer. O curioso é que mais dois fêmures, significativamente maiores que os 12, também estão presentes em meio ao material --possivelmente outra espécie.

Pesquisadores presentes no evento avaliaram positivamente a descoberta. "Achei muito interessante. O que ele mostrou pode ser uma forma de ligar o Lesothosaurus, um dos primeiros ornitísquios conhecidos, mas que já tem características totalmente definidas, aos dinossauros mais primitivos", diz Oliver Rauhut, do Instituto Estadual de Paleontologia e Geologia da Baviera (Alemanha).

"Apesar de o material ser fragmentado, ele conseguiu mostrar que há uma associação próxima entre os fósseis. O estágio do fóssil poderia realmente estar ligado à passagem de um estágio de bípede carnívoro [presente nos mais antigos dinossauros] para o de bípede herbívoro", avalia Michael Benton, da Universidade de Bristol, no Reino Unido.

Geografia confusa

O animal ainda não tem nome científico, mas parece ter parentesco próximo com outro dino primitivo, o Silesaurus, da Polônia. Sua presença ao lado de outros dinos muito primitivos da América do Sul, como o Eoraptor, carnívoro, e o Saturnalia, dos herbívoros conhecidos como saurópodes, poderia indicar que um dos centros de origem do grupo foi mesmo o Brasil e a Argentina. Mas as coisas nessa seara andam confusas, para dizer o mínimo.

O congresso, que reúne 300 pesquisadores de todo o mundo, é organizado pela UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) e patrocinado pela Petrobras.

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