Ciência
26/06/2006 - 00h33

Britânicos decifram genoma de bactéria hospitalar

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da France Presse, em Paris

Cientistas britânicos conseguiram decifrar o genoma de uma bactéria hospitalar resistente a antibióticos, a Clostridium difficile, responsável por problemas intestinais que podem ameaçar a vida do paciente infectado. O estudo foi feito por pesquisadores do Instituto Sanger, em Cambridge, e publicado pela revista "Nature Genetics" neste domingo.

Principal causa das infecções hospitalares dos países desenvolvidos, a bactéria C. difficile foi responsável em 2004 por cerca de 44 mil infecções no Reino Unido.

Ela provoca diarréias associadas ao consumo de antibióticos e, menos freqüentemente, inflamações do cólon cuja mortalidade pode atingir entre 30% e 50% dos pacientes em caso de complicações (perfuração e choque tóxico, por exemplo).

"Mais de 10% do genoma de C. difficile é formado por elementos móveis", segundo o médico Mohammed Sebaihia, responsável por decifrar o genoma proveniente de um paciente hospitalizado na Suíça. Extremamente variável, a bactéria pode modificar-se e tornar-se resistente aos tratamentos.

A metade desses genes está ausente das bactérias próximas --como as causadoras do botulismo e do tétano--, desprovidas dessa capacidade de mutação.

A bactéria estudada pelos pesquisadores de Cambridge pode "hibernar" sob a forma de esporos (casulos protetores). Como estes esporos são muito resistentes à maior parte dos antibióticos, é muito difícil erradicar a bactéria, que pode facilmente se propagar entre os doentes.

Uma nova cepa mais agressiva, nomeada "027", surgiu em 2003 nos hospitais dos Estados Unidos e provocou diversas mortes. A "027" apareceu depois no Reino Unido, na Bélgica e na Holanda. Na França, ela foi registrada pela primeira vez em 2006, em 33 pacientes (de 27 a 95 anos) infectados entre janeiro e abril, no hospital de Valenciennes (Norte). Mas não foram registradas mortes nestes casos.

Apenas dois antibióticos são eficazes, afirma o instituto Sanger. A informação revelada pela análise do genoma da bactéria poderia contribuir para o desenvolvimento de novas estratégias de prevenção e de detecção de infecções e, a longo prazo, levar a novos tratamentos, segundo o instituto.

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