01/08/2006
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09h50
Pelo menos para ratos de laboratório, o sonho de uma vacina contra a epidemia da obesidade está se tornando realidade. Pesquisadores nos Estados Unidos desenvolveram uma estratégia semelhante à imunização que qualquer criança recebe contra sarampo ou tétano, mas que, em vez de atacar micróbios, inutiliza um dos hormônios que fazem humanos ou roedores engordar.
O estudo, publicado on-line pela revista científica "PNAS" (www.pnas.org), da Academia Nacional de Ciências dos EUA, é um primeiro passo para chegar a um resultado parecido em pessoas, embora os pesquisadores advirtam de que ainda há um longo caminho a percorrer antes disso.
"Não estamos afirmando que o nosso estudo resolve as questões do tratamento da obesidade de uma vez por todas", declarou Kim Janda, do Instituto de Pesquisa Scripps, na Califórnia. "O que estamos dizendo, e o que nosso estudo confirma, é que essa parece ser uma solução séria e passível de ser testada", pondera.
Uma das descobertas-chave que as pesquisas sobre obesidade proporcionaram nos últimos anos é o importante papel do cérebro no controle dos processos que fazem alguém emagrecer ou engordar. Além da sensação de saciedade propriamente dita --que normalmente define quando alguém decide parar de comer--, o cérebro também ajuda a controlar o sistema de armazenamento de energia no organismo.
Chave hormonal
É aí que entra a grelina, um hormônio do estômago descoberto no fim da década passada. A substância, um pequeno peptídeo (fragmento de proteína), parece promover o aumento de peso, porque diminui a quantidade de energia que o organismo consome e impede que a gordura seja degradada.
O que significa dizer que Kim Janda e seus colegas criaram uma vacina contra a grelina? Na verdade, eles desenvolveram anticorpos contra o hormônio --moléculas que normalmente se ligam a substâncias invasoras e as inutilizam. Ao injetar três versões de anticorpos contra a grelina no organismo de seus ratos de laboratório, os pesquisadores queriam, dessa forma, impedir que o hormônio chegasse ao cérebro e desencadeasse suas funções pró-gordura.
Após as aplicações da vacina, os pesquisadores deixaram que seus roedores (tanto os que foram vacinados quanto o chamado grupo controle) comessem à vontade, embora a ração administrada tivesse baixo teor de gordura. E, sem medições acuradas, alguém poderia até ficar com a impressão de que a estratégia fracassara: ambos os grupos se alimentaram da mesma maneira, comendo quantidades semelhantes de ração.
Uma medição diária do peso dos bichos, porém, mostrou uma diferença profunda. Nos grupos que receberam as duas vacinas que funcionaram, o ganho de peso diário foi de apenas 0,5 grama, enquanto o grupo controle e o que recebeu a vacina que se revelou inócua engordavam quase 2 g por dia. Ao que tudo indica, nenhum efeito colateral acompanhou essa diferença de metabolismo entre os roedores vacinados.
Apesar do sucesso, algumas questões ainda precisam ser solucionadas antes que a promissora vacina seja testada em seres humanos. Um fator de esperança é que a redução dos níveis de grelina parece ter um efeito especialmente potente durante o consumo de uma dieta rica em gordura. Por outro lado, há evidências de que, em pessoas já obesas, o hormônio aparece em baixa quantidade --assim, talvez não adiante muito cortá-lo nessas pessoas.
Com agências internacionais
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da Folha de S.PauloPelo menos para ratos de laboratório, o sonho de uma vacina contra a epidemia da obesidade está se tornando realidade. Pesquisadores nos Estados Unidos desenvolveram uma estratégia semelhante à imunização que qualquer criança recebe contra sarampo ou tétano, mas que, em vez de atacar micróbios, inutiliza um dos hormônios que fazem humanos ou roedores engordar.
O estudo, publicado on-line pela revista científica "PNAS" (www.pnas.org), da Academia Nacional de Ciências dos EUA, é um primeiro passo para chegar a um resultado parecido em pessoas, embora os pesquisadores advirtam de que ainda há um longo caminho a percorrer antes disso.
"Não estamos afirmando que o nosso estudo resolve as questões do tratamento da obesidade de uma vez por todas", declarou Kim Janda, do Instituto de Pesquisa Scripps, na Califórnia. "O que estamos dizendo, e o que nosso estudo confirma, é que essa parece ser uma solução séria e passível de ser testada", pondera.
Uma das descobertas-chave que as pesquisas sobre obesidade proporcionaram nos últimos anos é o importante papel do cérebro no controle dos processos que fazem alguém emagrecer ou engordar. Além da sensação de saciedade propriamente dita --que normalmente define quando alguém decide parar de comer--, o cérebro também ajuda a controlar o sistema de armazenamento de energia no organismo.
Chave hormonal
É aí que entra a grelina, um hormônio do estômago descoberto no fim da década passada. A substância, um pequeno peptídeo (fragmento de proteína), parece promover o aumento de peso, porque diminui a quantidade de energia que o organismo consome e impede que a gordura seja degradada.
O que significa dizer que Kim Janda e seus colegas criaram uma vacina contra a grelina? Na verdade, eles desenvolveram anticorpos contra o hormônio --moléculas que normalmente se ligam a substâncias invasoras e as inutilizam. Ao injetar três versões de anticorpos contra a grelina no organismo de seus ratos de laboratório, os pesquisadores queriam, dessa forma, impedir que o hormônio chegasse ao cérebro e desencadeasse suas funções pró-gordura.
Após as aplicações da vacina, os pesquisadores deixaram que seus roedores (tanto os que foram vacinados quanto o chamado grupo controle) comessem à vontade, embora a ração administrada tivesse baixo teor de gordura. E, sem medições acuradas, alguém poderia até ficar com a impressão de que a estratégia fracassara: ambos os grupos se alimentaram da mesma maneira, comendo quantidades semelhantes de ração.
Uma medição diária do peso dos bichos, porém, mostrou uma diferença profunda. Nos grupos que receberam as duas vacinas que funcionaram, o ganho de peso diário foi de apenas 0,5 grama, enquanto o grupo controle e o que recebeu a vacina que se revelou inócua engordavam quase 2 g por dia. Ao que tudo indica, nenhum efeito colateral acompanhou essa diferença de metabolismo entre os roedores vacinados.
Apesar do sucesso, algumas questões ainda precisam ser solucionadas antes que a promissora vacina seja testada em seres humanos. Um fator de esperança é que a redução dos níveis de grelina parece ter um efeito especialmente potente durante o consumo de uma dieta rica em gordura. Por outro lado, há evidências de que, em pessoas já obesas, o hormônio aparece em baixa quantidade --assim, talvez não adiante muito cortá-lo nessas pessoas.
Com agências internacionais
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