07/02/2007
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09h10
da Folha de S.Paulo
A poluição de São Paulo afeta a proporção de nascimento de machos e fêmeas nos mamíferos. Estudo feito por pesquisadores da USP com 25 camundongos revela que o material particulado da atmosfera paulistana fez com que o nascimento de machos fosse 24% menor do que o de fêmeas.
"Esse número acaba sendo alto porque a população analisada é pequena", disse Ana Júlia Lichtenfels, pesquisadora da Faculdade de Medicina da USP.
"Mas isso vai ao encontro dos dados que também temos sobre os nascimentos humanos na cidade de São Paulo", explica a bióloga, primeira autora de um artigo científico publicado no mês passado no periódico "Fertility and Sterility".
Segundo Lichtenfels, entre 2001 e 2003, em três áreas pesquisadas pelo grupo da USP, ocorreu uma diferença de 1% nos nascimentos. Também vieram ao mundo, nesse caso, mais mulheres do que homens.
"Esse número [diferença de 1%] não é pequeno. Ele é bastante significativo. Na Dinamarca e na Holanda, por exemplo, entre 1950 e 1994, a variação foi de apenas 0,2%. Nos EUA, a taxa de nascimento de mulheres vem aumentando 0,1% por ano desde 1970."
Normalmente, entre os mamíferos, a taxa de nascimentos de machos é um pouco maior. Nos humanos, ela é de 51,4%. O estudo feito com camundongos colocados em câmaras na rua --o chamado grupo controle ficou em recintos idênticos, mas equipados com filtros de ar-- é uma tentativa de entender o papel da poluição sobre o aparelho reprodutor.
Em estudos controlados, explica Lichtenfels, fica mais fácil isolar as demais variáveis. "Nesse caso, temos certeza de que a poluição desempenha um papel sobre o nascimento de machos e fêmeas", afirma a pesquisadora da USP.
A diminuição do nascimento de homens é um fato que vem intrigando os pesquisadores das grandes cidades do mundo. Segundo a pesquisadora da USP, ainda não é possível culpar apenas a poluição atmosférica por essa crise.
"Mas os indícios de que ela é uma das causas são grandes", explica Lichtenfels. No caso dos estudos com roedores, a poluição pode estar gerando dois problemas. Ou ela interfere direto no material genético produzido pelos testículos ou no momento em que os embriões do sexo masculino se fixam no útero da mãe.
A pesquisa não detectou no grupo exposto aos poluentes paulistanos uma diferença no número total de embriões, em relação ao grupo isolado da contaminação do ar. "Nos humanos, é preciso ver outros fatores, como nível socioeconômico ou a exposição a outras substâncias tóxicas."
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Poluição paulistana reduz nascimentos masculinos
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EDUARDO GERAQUEda Folha de S.Paulo
A poluição de São Paulo afeta a proporção de nascimento de machos e fêmeas nos mamíferos. Estudo feito por pesquisadores da USP com 25 camundongos revela que o material particulado da atmosfera paulistana fez com que o nascimento de machos fosse 24% menor do que o de fêmeas.
"Esse número acaba sendo alto porque a população analisada é pequena", disse Ana Júlia Lichtenfels, pesquisadora da Faculdade de Medicina da USP.
"Mas isso vai ao encontro dos dados que também temos sobre os nascimentos humanos na cidade de São Paulo", explica a bióloga, primeira autora de um artigo científico publicado no mês passado no periódico "Fertility and Sterility".
Segundo Lichtenfels, entre 2001 e 2003, em três áreas pesquisadas pelo grupo da USP, ocorreu uma diferença de 1% nos nascimentos. Também vieram ao mundo, nesse caso, mais mulheres do que homens.
"Esse número [diferença de 1%] não é pequeno. Ele é bastante significativo. Na Dinamarca e na Holanda, por exemplo, entre 1950 e 1994, a variação foi de apenas 0,2%. Nos EUA, a taxa de nascimento de mulheres vem aumentando 0,1% por ano desde 1970."
Normalmente, entre os mamíferos, a taxa de nascimentos de machos é um pouco maior. Nos humanos, ela é de 51,4%. O estudo feito com camundongos colocados em câmaras na rua --o chamado grupo controle ficou em recintos idênticos, mas equipados com filtros de ar-- é uma tentativa de entender o papel da poluição sobre o aparelho reprodutor.
Em estudos controlados, explica Lichtenfels, fica mais fácil isolar as demais variáveis. "Nesse caso, temos certeza de que a poluição desempenha um papel sobre o nascimento de machos e fêmeas", afirma a pesquisadora da USP.
A diminuição do nascimento de homens é um fato que vem intrigando os pesquisadores das grandes cidades do mundo. Segundo a pesquisadora da USP, ainda não é possível culpar apenas a poluição atmosférica por essa crise.
"Mas os indícios de que ela é uma das causas são grandes", explica Lichtenfels. No caso dos estudos com roedores, a poluição pode estar gerando dois problemas. Ou ela interfere direto no material genético produzido pelos testículos ou no momento em que os embriões do sexo masculino se fixam no útero da mãe.
A pesquisa não detectou no grupo exposto aos poluentes paulistanos uma diferença no número total de embriões, em relação ao grupo isolado da contaminação do ar. "Nos humanos, é preciso ver outros fatores, como nível socioeconômico ou a exposição a outras substâncias tóxicas."
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