Ciência
11/05/2007 - 04h07

Estudo diz que galáxias anãs têm muito mais matéria escura que luminosa

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da Efe, em Madri

As galáxias anãs, aquelas formadas pela colisão de outras maiores, contam com um tipo de material escuro em uma proporção entre duas e três vezes maior que o material luminoso, uma descoberta que surpreendeu os cientistas, que comprovaram que as massas daquelas não coincidem com as de suas estrelas e gases.

Essa informação foi dada à Efe pela astrofísica alemã Ute Lisenfeld, da Universidade de Granada (Espanha), uma das responsáveis pela pesquisa, cujos resultados foram publicados no último número da revista "Science", e da qual também participaram instituições da França, Alemanha e Grécia.

Algumas dessas galáxias anãs podem ser remanescentes primordiais do Big Bang, mas outras se formaram mais tarde como resultado de interações gravitacionais após colisões galácticas.

Os cientistas, dirigidos por Frederic Bournaud, do laboratório de astrofísica francês AIM, usaram o radiotelescópio VLA (National Science Foundations Very Large Array) para estudar uma galáxia chamada NGC 5291, que fica a 200 milhões de anos luz da Terra.

Esta galáxia colidiu com outra galáxia há 360 milhões de anos, causando fluxos de gás quente e de estrelas. Posteriormente, as galáxias anãs se formaram a partir do material emanado.

Lisenfeld afirmou que se trata da primeira observação científica deste tipo, com "o surpreendente" resultado de ter sido comprovado que "as galáxias anãs" contêm entre duas e três vezes mais matéria escura que luminosa.

Por outro lado, os modelos usados até agora apontavam para uma ausência de matéria escura nessas galáxias, devido ao tipo de gás envolvido nas mesmas, que é mais frio, o que exclui a matéria negra.

Embora nas galáxias "normais" alheias a interações a matéria escura alcance um fator 10 com relação à matéria luminosa, "muito maior que nas anãs", não se esperava que nas de menor tamanho se detectasse tanta matéria escura, disse a pesquisadora.

Os modelos teóricos prediziam que as galáxias anãs careciam de matéria escura por causa do tipo de gás envolvido nas mesmas, e por isso sua massa deveria ser o resultado da soma da massa de suas estrelas e de seus gases.

No entanto, os cientistas mediram as massas do gás de várias galáxias anãs em torno de outra grande recentemente em colisão, e descobriram que suas proporções eram o dobro do que esperavam.

Segundo Lisenfeld, os cientistas estão analisando diferentes hipóteses para explicar que tipo de matéria escura justifica esses resultados, e "a mais simples" estabelece que, "possivelmente essa massa superior ao estimado está ligada ao gás molecular".

"Talvez nessas galáxias haja muito mais gás molecular que o estimado até agora", embora sejam necessários mais estudos para confirmá-lo, diz a pesquisadora.

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