Resistência do HIV adia descoberta de vacina, diz descobridor do vírus
da Efe, em Frankfurt
O biólogo americano Robert Gallo, que descobriu o vírus da Aids, afirmou que a pesquisa para conseguir uma vacina para a doença está avançando, mas que a solução "ainda demorará".
Em meados da década de 80, Gallo foi o responsável pelo exame sanguíneo capaz de identificar o Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV) e um de seus descobridores como causador da Aids. Luc Montagnier, do Instituto Pasteur, na França, desenvolveu pesquisa no mesmo sentido, e por isso houve disputa pelo crédito da descoberta do HIV. Em 1992, o americano e o francês entraram em acordo.
Em entrevista coletiva no congresso sobre a Aids realizada ontem em Frankfurt, Gallo considerou que "não é possível dar uma data concreta para a conquista de uma vacina".
Por isso, o cientista insistiu em que é necessária "mais pesquisa para obter novos remédios, porque é uma doença crônica e o vírus está desenvolvendo resistência".
Gallo considerou que foram alcançados três avanços práticos para controlar a doença: os exames de sangue, o tratamento anti-retroviral e os programas de formação.
Pela primeira vez, antes de conseguir a vacina contra o vírus, foi possível desenvolver um tratamento que permite prolongar a expectativa de vida do paciente, disse Gallo.
Ele afirmou que é necessário o interesse público, de políticos e da imprensa em relação à doença para promover programas de prevenção social, já que a pesquisa não é suficiente para combater a doença.
O congresso sobre a Aids, que começou ontem e vai até 30 de junho, reúne 2.000 cientistas para debater as mudanças do vírus, os avanços da medicina para combatê-lo e as novas estratégias de prevenção.
Anti-retrovirais
A presidente da Sociedade Austríaca da Aids, Brigitte Schmied, afirmou que, "com esse congresso, queremos aproximar a população do problema para que reflita sobre a doença".
Schmied destacou que o congresso abordará especificamente os novos tratamentos a médio prazo contra a Aids --que, quando se combina com outras doenças, dificulta a eficácia dos remédios anti-retrovirais-- e as estratégias de prevenção, principalmente para conseguir mais efetividade entre os jovens.
Ela considerou que o problema para controlar a doença na África se deve "não só às dificuldades para levar os remédios". "É preciso melhorar o sistema de saúde desses países e formar pessoal", afirmou.
Schmied disse que 80% da população infectada pelo HIV em todo o mundo não tem acesso a tratamentos anti-retrovirais, que permitem prolongar a expectativa de vida dos pacientes.
Infectados
Segundo os dados do Programa das Nações Unidas sobre a Aids (Unaids), havia no mundo cerca de 40 milhões de pessoas infectadas com o vírus em 2005, 63% deles no continente africano.
Michael Grimm, catedrático da Universidade de Göttingen, afirmou em uma conferência do congresso que o Produto Interno Bruto (PIB) dos países do sul da África cai a cada ano entre 1% e 2% devido aos efeitos da doença em suas economias.


