Ciência
10/07/2007 - 11h36

Exploradores cruzarão Atlântico em barco pré-histórico

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da France Presse, em Washington

Exploradores a bordo de um barco de junco, semelhante aos construídos na pré-história, tentarão reescrever a história cruzando o Atlântico Norte para a Europa, o que provaria que os laços comerciais entre os dois continentes remontam à Idade da Pedra.

Sua missão é contradizer os especialistas que afirmam que, se os homens e mulheres pré-históricos tivessem conseguido navegar da Europa para a América graças aos ventos e correntes favoráveis, a volta teria sido impossível.

Divulgação
Abora 2, versão anterior do barco que será usado pela equipe de Dominique Goerlitz
Abora 2, versão anterior do barco que será usado pela equipe de Dominique Goerlitz

O Abora 3 e seus 12 tripulantes, em sua maioria alemães, se lançarão ao mar em Nova York para uma viagem de seis a nove semanas até o sul da Espanha.

A equipe é dirigida por Dominique Goerlitz, botânico e arqueólogo alemão, apaixonado pelas pinturas pré-históricas de mais de 15 mil anos que representam barcos de junco.

Na década de 70, o explorador norueguês Thor Heyerdahl provou que a viagem de leste a oeste era possível ao atravessar o oceano em um barco semelhante. Nesta travessia, Heyerdahl aproveitou os ventos a favor e a potente corrente equatorial no oceano Pacífico.

Mas a viagem de agora se anuncia mais difícil para o Abora 3, que deverá enfrentar os potentes ventos do Atlântico antes de alcançar as ilhas dos Açores e depois Cádiz, na Espanha.

Perigos

O Abora 3 foi construído por uma tribo indígena da Bolívia, às margens do lago Titicaca, onde também foi feita a balsa Kon-Tiki, utilizada por Heyerdahl em outra de suas expedições.

A nova embarcação mede 12 m por 4 m e não possui motor de auxílio. É composta por dois cascos, um mastro de 11 metros de altura e uma vela de linho de 60 metros quadrados. "A embarcação está solidamente amarrada. Não corre o risco de se partir em duas nem de virar", afirmou Groelitz.

Mas a expedição não ficará livre dos perigos. "Nossa maior preocupação é o tráfego marítimo", explicou Michael Gruenert, encarregado da logística do projeto. "Os navios de carga são enormes hoje em dia e não nos verão em seu radar."

Antes de Colombo

O projeto começou há cinco anos e custou cerca de 750 mil euros (quase R$ 2 milhões). A maioria dos fundos foi reunida graças a empréstimos e contribuições pessoais dos participantes, entre os quais figuram um engenheiro, um carpinteiro e dois estudantes.

"Queremos que os especialistas se beneficiem de nossos dados", afirmou Gruenert, que antecipa a hipótese de que "o comércio transatlântico existia muito antes dos vikings e de Cristóvão Colombo".

Ante a aproximação da data da partida, a equipe admite estar um pouco nervosa pelo que está em jogo na expedição. "Estamos estressados. Trabalhamos muito, inclusive à noite", afirmou Michael Polzin, um instrutor de vela aposentado que será o mecânico da missão. "Mas é uma aventura que não perderia por nada nesse mundo", acrescentou.

 

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