Lagartixas e mexilhões inspiram criação de "adesivo infinito"
da France Presse, em Paris
Uma nova espécie de cola poderá ser utilizada milhares de vezes, inclusive sobre superfícies úmidas, ao combinar as qualidades adesivas da lagartixa e do mexilhão. A invenção foi divulgada na revista científica "Nature", nesta quinta-feira.
O adesivo revolucionário, que poderá ser aplicado nos âmbitos médico, militar e até espacial, utiliza as particularidades da lagartixa para se deslocar sobre superfícies verticais lisas e do mexilhão, que se fixa em superfícies úmidas.
Os inventores da cola, o professor de engenharia biomédica Phillip Messersmith e sua assistente, Haeshin Lee, da Universidade de Northwestern em Evanston (Estado de Illinois), desenvolveram uma superfície coberta de micropêlos de silicone, semelhantes aos encontrados na parte inferior das patas da lagartixa. Assim como no caso deste animal, o material poderia ser fixado e retirado da parede. No entanto, a umidade impedia a adesão.
Os cientistas cobriram as extremidades dos micropêlos com um polímero sintético com as mesmas propriedades de um aminoácido do mexilhão e constataram que o produto resultante era capaz de aderir a superfícies úmidas.
Uma tecnologia que emprega as particularidades da lagartixa já havia sido testada sem sucesso --ao contrário deste novo adesivo, o "geckel" (nome derivado das primeiras letras de "gecko", "lagartixa" em inglês, e das duas últimas de "mussel", "mexilhão" em inglês).
"Esse material pode ser útil para uma adesão reversível sobre vários tipos de superfície e em qualquer ambiente", explicou Messersmith. "Imagino que uma cola como o 'geckel' poderá, um dia, substituir os pontos de sutura para fechar ferimentos."
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