Ciência
13/08/2007 - 15h54

"Pílula antibarriga" causa divergência e atrasa início da venda legalizada

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ANA ALICE GALLO
Colaboração para a Folha Online

Os pacientes que aguardam a comercialização do medicamento Acomplia no Brasil terão de esperar por mais tempo. Aprovado pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) em abril e liberado pela Cmed (Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos) em julho, o remédio aguarda o fim das negociações do laboratório Sanofi-Aventis pelo preço de comercialização do produto.

Segundo a assessoria da Anvisa, a empresa pediu inicialmente que o Acomplia fosse comercializado por R$ 250,74. A câmara de regulação, no entanto, estipulou o preço de R$ 130,05 para o medicamento. A Sanofi-Aventis entrou com recurso para renegociar a precificação.

O produto está apto a ser comercializado, no entanto, antes da finalização do processo, teria de ser vendido pelo preço estipulado pelo Cmed. De acordo com a assessoria da empresa, o processo ainda está em curso e, como não foi concluído, o Acomplia não foi inserido no mercado.

Apesar de ainda não ser oficialmente comercializado no Brasil, o remédio pode ser encontrado em sites de negócios como o Mercado Livre, onde é vendido por R$ 585.

Conhecido como "pílula antibarriga", o Acomplia --nome comercial dado ao rimonabanto-- é considerado uma promessa para o tratamento de pacientes com obesidade ou sobrepeso. O remédio, no entanto, é indicado apenas para pessoas que possuem obesidade associada a fatores de risco como diabetes tipo 2 e dislipidemia (aumento anormal da taxa de lipídios no sangue).

Estudo mostraram que o uso do rimonabanto ajuda a diminuir a barriga e reduz os índices de triglicérides (gorduras no sangue). O medicamento também melhora o controle das taxas de açúcar no sangue, ajudando a regular o diabetes, e aumenta o HDL, conhecido como bom colesterol.

Aprovado há um ano na Europa e há quatro meses no Brasil, o medicamento, no entanto, foi vetado em junho por um comitê de 14 especialistas do FDA, a agência norte-americana que regula os produtos alimentícios e farmacêuticos.

A agência decidiu observar por mais tempo os efeitos colaterais do medicamento, especialmente os distúrbios psiquiátricos que foram associados a ele, como depressão, ansiedade e problemas de sono.

De acordo com a Anvisa, os resultados das pesquisas clínicas demonstraram que, obedecidas as indicações médicas, o remédio é seguro.

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