Ciência
21/08/2007 - 11h55

Cientistas descobrem proteína que pode gerar "apagão" na memória

da Efe, em Jerusalém

O processo da memória é dinâmico, já que nossas lembranças não são gravadas como um texto em uma folha. Mas uma proteína, a enzima PKM-zeta, atua como uma pequena máquina que a mantém viva e também pode apagá-la.

A descoberta foi feita pelo professor Yadín Dudai, chefe do Departamento de Neurobiologia do Instituto de Ciências Weizman, da cidade israelense de Rehovot, e por sua colaboradora na pesquisa, Reut Shema. O anúncio foi feito hoje por Yvsam Azgad, porta-voz do centro.

"O principal objetivo da pesquisa é contribuir para o fortalecimento da memória em pessoas idosas ou que sofreram problemas devido a acidentes, mas também poderia ser aplicada para remover lembranças traumáticas", disse Azgad.

Os cientistas trabalharam segundo uma hipótese do americano Todd Sacktor, do Downstate Medical Center, que adestrou ratos de laboratório para rejeitar certos sabores.

Em seguida, Sacktor injetou neles uma droga capaz de bloquear a enzima PKM-zeta, uma proteína específica em uma área do cérebro associada à memória dos sabores, e imediatamente os ratos esqueceram o que tinham aprendido.

Essa enzima é encontrada na sinapse, o ponto de união funcional entre duas células nervosas, e é capaz de modificar algumas facetas na estrutura desse contato. Para isso, deve estar sempre ativa, a fim de reter as mudanças que tenham ocorrido, como por exemplo o aprendizado incorporado à memória --com isso, os cientistas concluem que esta última é dinâmica, e não algo estático.

Dudai e Shema --que na semana passada publicaram a descoberta na revista "Science"-- entenderam que, se a PKM-zeta for "silenciada" na sinapse, a mudança produzida pela enzima poderia ser revertida.

Com a aplicação da droga para anular o efeito da enzima, foi comprovado que os ratos treinados para rejeitar certos sabores esqueceram o que aprenderam, e todos os sinais indicam que as "más memórias" formadas com a aprendizagem sumiram um mês depois do adestramento.

Se a técnica funcionar em humanos, o "apagão" de memória poderia ser aplicado até mesmo para fatos ocorridos anos antes.

Segundo o porta-voz do Instituto Weizman, trata-se da primeira demonstração de que a memória no cérebro pode ser apagada algum tempo após sua formação.

Além disso, segundo ele, a descoberta pode abrir caminho para futuros tratamentos em caso de problemas de memória e torna possível o desenvolvimento de medicamentos que possam estimulá-la e estabilizá-la.

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