Ciência
14/09/2007 - 11h28

Primeiras estrelas podem desvendar origem da matéria escura

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da France Presse, em Washington

As primeiras estrelas poderiam conter indícios capazes de fornecer informações sobre a matéria escura no Universo --algo que permanece um mistério desde seu descobrimento, há mais de 70 anos--, de acordo com um estudo publicado na última edição da revista científica americana "Science".

Baseados em simulações feitas em computador, astrônomos da universidade britânica de Durham concluíram que a matéria escura, em suas duas categorias --"fria" e "quente"-- foi crucial para a formação das primeiras estrelas.

Pouco depois do Big Bang, há 13,7 bilhões de anos, a matéria que então formou o Universo era quase lisa, como um espelho d'água, mas com algumas pequenas ondulações.

Essas ondulações aumentaram depois sob o efeito da força gravitacional, atuando sobre as partículas contidas na matéria escura, o que permitiu a entrada do gás, em um processo que deu origem às primeiras estrelas há cerca de cem milhões de anos depois do Big Bang, segundo os cientistas.

De acordo com os trabalhos, várias estrelas de diferentes tamanhos nasceram em grandes explosões simultâneas, como longos filamentos que repentinamente se tornaram incandescentes.

Liang Gao, astrônomo da universidade Durham e um dos co-autores do estudo, explicou que "esses filamentos mediam aproximadamente 9.000 anos-luz, o que equivale a cerca de um quarto do tamanho da Via Láctea, nossa galáxia".

"O nascimento explosivo das estrelas mais luminosas clareou o Universo escuro de uma maneira espetacular", acrescentou.

Essas estrelas nascidas nos primeiros tempos do Universo deveriam existir ainda na Via Láctea, e seu descobrimento pode revelar mistérios da matéria escura, segundo os astrônomos.

Outra consideração é que as primeiras estrelas formadas a partir de partículas de matéria escura "fria" eram mais densas e não podiam portanto sobreviver por tanto tempo quanto suas irmãs de massa mais frágil, formadas pela matéria escura "quente".

Astrônomos americanos anunciaram em maio ter observado pela primeira vez com clareza um anel de matéria escura, a prova mais concreta até agora da existência dessa misteriosa substância que, segundo se acredita, forma até um quarto do Universo.

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